9.8.10

caras e bocas / pianistas

Evgeny Kissin

Matha Argerich


Maurizio Pollini


Nelson Freire




Maria João Pires



Krystian Zimmermann





Alfred Brendel





Os músicos nunca deveriam ser fotografados durante uma performance.
É lindo de se ver, mas eles odeiam.
Na sequencia, vou colcar cantores e regentes.
;)

novas compras




peso na consciência.


cheguei de Cuiabá na tarde de ontem.
cansada, exaurida.
uma noite sem dormir.
tinha dores de cabeça, dores no corpo.

não tinha condições.

mas ele estava aqui, há poucos quilômetros de distância;
eu que já viajei tantas milhas para ouvi-lo.
deitado na cama, o corpo não descansava.
a mente não parava.


Nelson Freire tocou ontem em são paulo e eu não fui assistir.

3.8.10

amarelo.



a luz de fim de tarde é imbatível.
pra tudo. pra olhar, pra receber, fotografar....
e com um friozinho, ela até aquece.

porto alegre; bela província.

ravel

esse é o piano trio que prometi.

eu escrevi um texto no circle book ouvindo isso. talvez ainda publique aqui.
pra mim, a palavra pra ravel é vulnerabilidade. em todos os sentidos.
vale a pena ouvir os outros movimentos (são 4, e eu só estou postando o primeiro).
música e pintura do impressionismo são inebriantes. e ravel era um cara meio místico, gostava dum ar de mistério. e é o REI absoluto da orquestração.

sem mais, enjoy. depois penso sobre a postagem do texto.
por hora, a música basta ;)


marcy, vc estava certo!


sim, é CLARO que eu não aguentei e fiz mais um post canino!
esse lindo chow-chow encontrei no parque germania, em porto alegre fds passado.
fofo de tudo. a dona andava com ele como se fosse um bebê.

e eu pedi pra tirar foto, se não meu nome não seria laura morena magalhães costa.


1.8.10

concordo ;)

insônia.


o sono se escondeu e eu não encontro!

tem um ventinho que escapa pela fresta da porta pouco aberta e invade o quarto. vem fino e discreto. mas me afaga num segundo e já foge. e nesse fio de frio que me encosta, eu sinto que meu amor pela estação do gelo é iminente. sempre acalentei esse gosto, sempre.
choveu no frio. a janela aberta se encarregou de amplificar esse ruído macio, rico. o sono aparecia nas horas inoportunas, e agora ele some .... qual! geralmente me obedece.
o escuro com coberta e o milhão de gotas que ainda pingam abraçam uns olhos negros como a noite. tons parecidos até. confundem-se. eles não piscam. alinhados aos ouvidos atentos a música pluvial, enxergam umas doidices.
é tarde. é hora. mas o frio é bonito, é bom, é escuro.
que dilema.

"fecha os olhos e pensa menos. fica bem quietinha que ele volta."
saudade da mã.

vou tentar de novo.

26.7.10

Fauré piano quartet No. 2 Op. 45 g minor

ah, a música francesa!

essa semana, ouvi na rádio essa obra pela primeira vez. "Fauré, Fauré! Sempre aprontando".

a princípio, achei meio agressivo esse quarteto. mas a dança harmonica é absolutamente fascinante. coloquei aqui só o primeiro dos quatro movimentos. os intérpretes são um pouco afetados também, mas o som que eles fazem é bonito. nesse caso, é só fechar os olhos e tá tudo certo ;)

resolvi compartilhar esse pouquinho de Fauré que ouvi, e depois, ainda quero falar sobre Ravel , que é outro ser iluminado!
nem sei se alguém assiste a esses vídeos que eu tanto seleciono, mas, não desisto de postá-los, na esperança que eles possam inspirar o dia de alguém.

para estes, enjoy ;)

domingo.


passei a tarde no pier de Baltimore.

meu atraso para voltar a "terra de palmeiras onde canta o sabiá" me deu alguns privilégios, como o de hoje: presenciar esse pôr-do-sol absolutamente inesquecível.

além disso, hoje eu falei do circle book, falei da island of sky, do orfeu e da kolia, contei da olívia-clara-joana; falei muito.

e ouvi. foi bom. foi bonito porque o ouro do morrer do dia se espalhando pelas águas calmas resolveu emoldurar todas essas palavras.

fica o retrato de celular pra não apagar da minha mente essa tarde morna e falante ;)

22.7.10

meu coração se desmancha...


falo pouco aqui do meu amor pelos caninos.
acho que ano passado postei algo sobre um são bernardo, e o fato de que um dia, quero ter uma fêmea dessa raça, chamada Kolia.

pois bem. mas se eu tiver um macho, será um golden, e seu nome será Orfeu!

esse da foto é o da ana caram. mas toda vez que vejo um, meu coração se desmancha.
ontem mesmo vi um numa propaganda de tv, e quase quis pular na tela.

que saudade de ter cachorro.
quero um logo!

21.7.10

os maias


eça de queirós tem parte do meu coração com ele.
é meu português favorito.
a riqueza de suas descrições realmente consegue me algemar e não conseguir para de ler.

ele era esperto. contemporâneo de machado, já dizia "machado tem as melhores idéias; eu escrevo como ninguém". verdade!

de seus romances, os maias é meu favorito. a maestria com que foi escrito é para mim, um mistério. as vezes, me pego meditando nesse mistério sozinha, com meus pensamentos.
o primeiro parágrafo do livro já me convidou, desde a primeira leitura ( e para mim, primeiros parágrafos são cruciais. definem minha avidez pela obra).

A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na vizinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de Residência Eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da Sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilar-se-ia a um Colégio de Jesuítas. O nome de Ramalhete provinha de certo dum revestimento quadrado de azulejos fazendo painel no lugar heráldico do Escudo de Armas, que nunca chegara a ser colocado, e representando um grande ramo de girassóis atado por uma fita onde se distinguiam letras e números duma data.

a história do romance é tão dramática e até controversa. mas a pena de eça sempre me encanta.
para ler e reler.

minha 1ª sonata de beethoven

essa foi a primeira sonata de beethoven que toquei.
quem toca piano pode dizer que foi meio tarde, mas comecei a estudá-la em 2007 no meu primeiro ano na faculdade. no mesmo ano, toquei-a num recital de alunos.
o interessante é que naquela época eu não tinha o hábito de ficar ouvindo interpretações alheias das coisas que estava estudando. o professor escolheu essa, e foi essa que toquei (hoje em dia, isso jamais aconteceria).

finalmente, 4 anos depois, resolvi dar uma ouvidinha em outras leituras dessa peça.
foi ótimo. percebi que não estava tão discrepante a minha interpretação (e naquela época, eu nem era tão ligada nisso..)

Eis aí, uma versão do primeiro movimento da sonata n.9 op. 14 de beethoven, tocada por Daniel Barenboim, que me surpreendeu (geralmente, não gosto dele....mas aqui, gostei ;)


.

hoje, numa conversa de pai pra filha, durante um engarrafamento na estrada, eu ouço novamente uma frase sábia:" vai chegar o dia em que as coisas pelas quais você corre atrás hoje vão te cansar. não tenha pressa; elas virão".

eu sou mesmo muito impaciente.

tks, pá ;)

19.7.10

recife, 21 de junho de 2010


há algo de mais bonito nas manhãs do nordeste. todas as vezes que acordo por essas bandas, me pego encantada com o ouro do sol, inebriada com o cheiro úmido de dia e embevecida pela riqueza das cores que aqui, são mais vivas; mesmo as frias são mais quentes.
logo, sinto uma coisa boa, uma vontade de escrever infinitas páginas. nem sei exatamente o quê.
recife, em especial, sempre se apresentou a mim com aspectos diferentes e misteriosos.
é a terra de meu pai.
terra que existe muito nele até hoje. e muito dele existe nessa terra também. eu sei pouco disso tudo. mas sei que esse elo é inquebrável. e mesmo distantes, sinto os ecos desse elo profundo através de tudo o que desse pai existe em mim.
é engraçado, porque ando pelas ruas sem conhecê-las. observo e olho com os olhos muito abertos, ávidos por encontrar sei lá o quê.
eu sinto.
eu pertenço sem nunca ter vivido. é tão forte!

pela pequenina janela assisto essa terra ficar miúda como uma porção de brinquedos. fica tão pequena que cabe inteira sob meu olhar já saudoso. minhas visitas são sempre tão breves e esparsas.

o calor ainda está na pele.
quem sabe um dia...

chegou!


esta compra chegou!

ouvi umas quinhentas vezes num período de 24 horas.
pareço criança com brinquedo novo.

de quebra, chegou minha outra compra: este dvd.
muito entretenimento pelos próximos dias.

e minha felicidade não cabe.
AMO o barulho do caminhãozinho do ups ou do fedex se aproximando...
eles sempre me trazem muita alegria.
dessa vez estava tão feliz com a encomenda entregue, que larguei um "THANKS" tão forte e emocionado dentro de um sorriso tão aberto que acho que assustei o tio do caminhão..rs.

deixa!
eu tô feliz mesmo!
é tão bom quando algo que já espera-se ser bom ainda consegue surpreender....

14.7.10

comparando

tenho esse hábito:

das minhas obras prediletas, tenho inúmeras gravações. cada uma com um intérprete diferente. assim, dá pra ter uma visão ampla das possibilidades interpretativas, que são inúmeras.

hoje, estou postando o prelúdio n.5, op 23 em sol menor.
na realidade, o que sempre me atraiu nesse prelúdio foi a seção central dele, que é absolutamente romântica....a parte mais marcial sempre me soou como complemento, mas conforme fui ouvindo e entendendo a peça, tudo fez sentido e agora consigo apreciar as duas seções de forma equilibrada.

mas, estou postando duas interpretações: Valentina Lisitsa e Evgeny Kissin.

ela é ucraniana e ele russo.
tocar rachmaninov não é pra qualquer um. é romântico e viceral ao mesmo tempo. exige uma compreensão mais profunda do que foi o pós-romantismo e acima de tudo, quem foi rachmaninov, suas raizes, seu legado como pianista (ele mesmo foi um grande virtuose).
ela é do leste europeu e ele, da mesma nacionalidade que o compositor.
ambos possuem essa compreensão, mas de maneiras muito diferentes. nesses vídeos, os dois estão tocando essa obra como bis, depois de tocar concertos monumentais. existem uns errinhos, mas como diria Rubinstein "não devemos almejar a perfeição técnica; devemos almejar música". NESSE CASO, eu dou um desconto....rs!

vale a pena ouvir as duas interpretações.

ps: isso é meio óbvio, mas eu vou explicar - para visitar o site de ambos os pianistas, clique no nome de cada um. eu sempre faço isso, mas hoje quase desisti. quando entrei no site da valentina, me deparei com provavelmente o site mais BREGA de toda minha vida (layout). e quando entrei no dele, descobri que tem em um dos links, vc pode vê-lo RECITANDO POEMAS EM RUSSO!! realmente, a palavra falada não é o seu dom! eu me desanimaria se não soubesse quão exepcionais eles são! portanto, esqueça o site. leia a biografia e escute a música, que é o que interessa...hahaha...

ela (dando bis depois de tocar o 2º concerto de brahms)

ele (dando bis depois de tocar um concerto também de rachmaninov, em londres)



10.7.10

Ele pensou!

um sábado em casa é tão diferente.
tem uns cheiros inconfundíveis e o cardápio é sagrado.

fico sentada na cama, olhando pros retratos que tirei. e pareço entrar em cada moldura e reviver o exato momento do primeiro encontro com o lago do neuschwanstein; relembro a dor nos olhos provocada pelos reflexos dos raios de sol que reluziam nas bicicletas estacionadas numa ruela de leipzig; revivo ainda o momento de conteplação de uma estante de livros muito desordenada, todos caídos, fora de ordem. um crime aos meus olhos, mas a realidade de uma amiga universitária. essa cena, apesar de agressiva, me foi tão forte, que resolvi eternizar numa foto. revivo ainda outros momentos ao olhar pra uns porta-retratos vazios...e é isso, exatamente. olho, reticente.

estar em casa, recebendo esse dia de descanso e de lembrança é acolhedor.
eu relembro essa dádiva. e olho simultaneamente para esses momentos emoldurados com afeição.
então tenho a certeza de que o Senhor guia, e dá a memória pra nos deleitarmos com uma pequena porção do que já se foi ...

definitivamente, esse é um dia de alegria, de conversas, de família reunida.
mas pra mim, quando as luzes se apagam, é o dia de memória, de silêncios.

um evento quase raro.
estou em casa, no sábado.
quieta e feliz.

Ele certamente pensou nisso quando criou estas horas ;)



8.7.10

hoje, em campos do jordão


acontece todo ano, no mês de julho, o festival internacional de campos do jordão.
como o nome diz, é um festival de música internacionalmente renomado.
nunca participei. meu pai participou quando jovem, fazendo regência. fez até master class com o mito eleazar de carvalho....

nesse festival, toda noite tem concerto. durate o mês todo.

e o de hoje é esse!

tô perdendo.
meu coração dói, verdade!

.



eu fiquei genuinamente mais feliz depois dele.

me ganhou.

ele conseguiu. me ganhou assim, de graça!
já postei há uns dias atrás que havia comprado um dvd e um livro do alfred brendel pelo amazon.
pois bem. essas compras chegaram, e eu já estou me deliciando. mas não tem nem outra palavra pra usar. é deliciando mesmo!

este post pode estar infestado de redundâncias, mas não ligo.
repito: eu amo schubert. e brendel o toca como ninguém. é a especialidade dele.
tem uma compreensão absurda do fraseado de um compositor que pertence `a ala dos pioneiros do romantismo. um início romântico quase clássico.

e schubert tem 4 impromptus Op. 90.
agora vou contar-lhes um relato pessoal.
meu preferido é o primeiro (pelo menos era) que é bastante desconhecido até.
em segundo lugar, vinha o quarto. maravilhoso, introspectivo, meio tristonho. lindo.
o segundo, eu sempre achei água com açúcar. é bonito também, mas parece que é mais uma ponte que liga o primeiro ao terceiro. não é uma obra prima na minha humilde opinião. mas no compêndio dos quarto impromptus, ele é necessário.
por fim, o terceiro. confesso que nunca havia ouvido direito. preconceito talvez. isso é vergonhoso, mas na primeira vez que me propus a ouvi-lo, durante os 30 primeiros segundos, já achei muito melancólico, apelativo. pulei pro quarto, que eu já amava a tempos. e assim fiquei, por um bom período.

.....até eu assistir meu dvd novo.
tudo mudou, e brendel me ganhou.

me ganhou pra ele mesmo, e me ganhou pra o terceiro impromptu, que agora disputa meu favoritismo com o primeiro.
e música é assim mesmo; cresce e te encontra de uns jeitos inusitados.

me toca profundamente, toda vez que assisto.



6.7.10

lorena, amiga da laura morena.




Enfim, depois de tanto erro passado

Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

(soneto do amigo, vinícius de moraes)




faz 8 anos.
e eu a amo mais do que nunca ;)

5.7.10

o quarto.


havia muitas persianas na casa bege. todas igualmente incolores e discretas. mas o último quarto do corredor `a esquerda, apesar de ser todo branco, tinha uma persiana verde-água, que quando fechada , sob os reflexos do sol, dava ao aposento um aspecto marítimo, aquoso. o tapete era verde também.
mas por alguma razão, nunca gostou daquele quarto. desde a primeira vez que pousou seus olhos sobre a porta, não se dispôs a habitá-lo.
gostou do aposento vizinho. a cama possuía um lugar estratégico, ao lado da janela, de modo que ao amanhecer, acordaria vislumbrando a bela paisagem ornada com umas tantas espécies de folhigens com o sol nascente de constraste, obrigando-a a abrir os olhos sonolentos. esse seria o quarto perfeito! além do mais, a porta tinha tranca. o quarto verde não tinha janela estratégica nem tranca na porta.
tanto desdenhou que conseguiu o quarto escolhido. não demorou muito, pintou as paredes de dois tons de roxo, afim de deixá-lo ainda mais parecido consigo. mas como aquela moradia era para si inconstante e esporádica, ausentou-se por um tempo. ficou distante e o quarto amado esvaziou.
e durante esse exílio, sentiu saudade das manhãs ensolaradas, das venezianas brancas e das paredes roxas. deu-se por orgulhosa ao constatar que tinha feito a escolha acertada.
foi tão longo seu sumiço que quando voltou, o quarto que tanto almejara já tinha novos hóspedes. apesar da tremenda frustração, não deixou-se abalar, pelo fato de saber que eram meros hóspedes e não moradores.
sendo assim, restou-lhe o quarto rejeitado: aquele das persianas verde-água. o quarto não abrigava, não tinha aspecto de refúgio ou aconchego. não tinha espaço para seus pertences. não tinha cama. mas o pobre aposento parecia admitir sua limitação. diante desta humildade, ela aceitou fazer uma experiência, nem que fosse por pouco tempo e ainda que possuísse um espírito cheio de preconceito.
até que não foi tão mal. apesar dos pesares, o quarto rejeitado era silencioso e suficientemente iluminado para suas leituras.
mas ser bom apenas não bastava. quando transitava pela casa durante o dia, parava em frente ao quarto roxo, com um suspiro saudoso, um olhar ciumento e uma feição de posse. aquele sim lhe pertencia. era aquele que havia escolhido e haveria de morrer brigando por ele.
voltou ao quarto branco, fechou a porta sem tranca e resolveu escrever em tom de revolta, ao som da chuva que escorria. por um instante percebeu aquele ambiente lhe privava os ouvidos de todo ruído e balbúrdia que aconteciam na casa. só escapava o barulho das gotas pontiagudas da chuva.
um sentimento de pena misturado com culpa apoderou-se dela, ao perceber sua negligência para com os esforços do quarto que tentava agradá-la, e voltando seu amor para o quarto ocupado.
dali então, não mais desdenhou o quarto branco sem tranca. e nem mais o denominou assim.
esse era agora, o quarto verde, do silêncio bom.

decidiu que viveria ali, sem maiores ansiedades, até que seu prometido vagasse.
e foi feliz assim.

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quarto é que nem gente. relacionar-se com eles é no mínimo, interessante ;)

2.7.10

GC 2010

essa é uma sexta-feira mais rica.

os meses de horas mal dormidas, fins de semana abarrotados de atividades, viagens, trabalho e exaustão mental se seguem e se seguirão. esse é o curso natural da vida (pelo menos da minha e dos que me cercam). mas o sábado sempre surge como um detentor daquilo que parece ser correnteza bravia, indomável.

as vezes, desfruto dessas horas sozinha, com o dono desse dia; observando as pessoas vivendo as horas sagradas como se não o fossem. as vezes experimento o sábado rodeada de amor, de cheiros e texturas familiares, de uma atmosfera absolutamente acolhedora.

a singularidade do sábado de hoje está na raridade com que ocorre: gente de tantos cantos, tantas faces, tantas terras, tantas línguas. gente de custumes divergentes e de crenças iguais. gente em quantidade, em massa.

basta o sol esconder-se no horizonte e toda essa gente debanda de suas singularidades e diferenças para unir-se num jeito único de degustar essas horas. os idiomas podem diferir no som e na pronúncia, mas é certo que a peculiaridade dessa mistura é música singular aos ouvidos do Criador, que escuta maravilhado o louvor dessa gente cantando.

é bom ser uma no meio de tantos e saber que os prazeres reservados a estas horas sagradas são igualmente experimentados por cada um na multidão do povo que adora.

feliz sábado, diretamente da conferência geral 2010 ;)

para ler e reler

já dediquei um post inteiro pra magda tagliaferro aqui no blog.
ontem, relendo sua autobiografia, resolvi que iria compartilhar aqui algumas de suas sábias palavras, porque me tocaram como se fosse a primeira vez que eu as lesse.
cada frase é impressionante e esse pequeno trecho transborda verdades. quem faz música, sabe!

"A fragilidade do intérprete é ser, apenas, um criador passageiro. Aprofundamo-nos em uma obra e depois de termos penetrado no pensamento do autor nós a fazemos nossa; com todo o nosso coração e toda a nossa alma, damos-lhe o que temos de melhor e depois, pobres de nós, desaparecemos.
Somos recriadores, na verdade, mas recriadores fugazes. E, no entanto, que prodigiosa responsabilidade a nossa! Os autores são tributários do nosso talento ou da nossa inaptidão. É de nós que depende, quase exclusivamente, a vida ou a morte de uma obra...Certas execuções são capitais. Pode-se ser preso por bem menos que isso (...) O drama do autor é, portanto , o intérprete. Notas impressas sobre um papel são apenas hieróglifos, se não as fizermos viver como devem. As palavras têm o seu significado próprio, mas é tão fácil desviar-lhe o espírito! Basta uma entonação falsa, uma vírgula mal colocada, uma respiração supressa para que tudo tome um caráter diferente ou fiquei totalmente perdido. Na música, não é diferente (...)"

28.6.10

+ desejos.


meus produtos do Brendel ainda nem chegaram, e eu já to ambicionando mais coisas. e no brasil, como isso é caro.

sábado a noite, perambulando imprudentemente (cito a imprudência, pq eu sempre compro mais cds e livros do que posso....é uma fraqueza!) pela livraria cultura, eu achei uma pérola da música universal: a gravação lendária da martha argerich tocando várias obras que ela toca com tanta personalidade, que quase podem ser consideradas "dela".
já fazia tempo que eu procurava uma gravação em cd dela tocando a partita em c menor de bach (já postei um vídeo dela aqui no blog tocando o capriccio disso)...e nesse iluminado dia, ACHEI!...
mas foi uma felicidade tão grande, tão imensa...pena que durou uns 5 seg, pq foi o tempo do meu olho alcançar a etiqueta do preço do cd: 72,00 reais!
prometo que fiquei parada, refletindo uns 10 min. sem exagero.
decisão delicada, difícil.
a única razão que me levou a não comprar esta pérola imediatamente foi o fato de que daqui a algumas horas, estarei em solo americano, e lá, o mesmo cd custa 16,00 dólares (eu não sabia disso no momento da dúvida, mas presumia.) comprar somente as faixas em mp3 é ainda mais barato (9,34 dólares)...mas eu gosto da caixinha, do encarte; eu gosto.

já achei no amazon, já comprei. eu recomendo tanto, tanto!
mais ainda pq é uma gravação ao vivo de 1978. e a martha ao vivo é absolutamente imbatível. como ela mesmo diz, quando toca essa partita de bach, sente estar "improvisando". tem muito swing!

e quando eu chegar em casa, lá em washington, parece que terei algumas diversões :)

hanon+bach

num post anterior, falei que tinha ido por UNASP; lá , nas horas vagas, sempre me divirto com uns amigos músicos. o súllivan e a adella já estão ficando famosos aqui no blog de tanto que falo neles.
nesse dia, a gente resolveu tocar piano (daquele jeito "bonito") e eu até arrisquei o clarinete, já que estou sendo obrigada a fazer uma matéria de prática instrumental na faculdade, e tive que escolher um instrumento de sopro pra tocar. detalhe que eu peguei no clarinete naquela manhã....mas por hora, vou postar aqui o vídeo do piano, que até editado está, já que tem umas partes que nem eu aguento assistir, de tão ruim....rsrs..
o hanon a gente saba de cór, mas o bach foi leitura (péssima) a primeira vista do rondeaux da partita nº 2.

ah, só a ressalva de que o computador filma espelhado....então eu estou sempre nos graves e ele nos agudos :)

e repito: é sempre divertido.


27.6.10

corre, corre.

correria.
não tenho internet em casa ainda.
amanhã, se tudo der certo, voo pra os EUA.
malas, ligações, pagar as contas....isso tudo tem ocupado meus dias.

prometo que as postagens vão continuar a medida que eu tiver acesso a internet durante a viagem!

bjos a todos e eu ESPERO (sinceramente) que meu próximo post seja feito da américa do norte.
oremos por isso.

;)

24.6.10

alegria, alegria


olha que notícia feliz que recebo:


é muita alegria num concerto só: Nelson Freire tocando o 4º de beethoven.......yay!


matando a saudade.


estou assistindo uma prova de piano, aqui no campus da faculdade que freqüentei por 4 anos...
ontem, conversando com uns amigos que ainda fazerm faculdade de música, revi as apostilas de regência, os livros de estudo para as provas de história da música, os relatórios de estágio (disso eu não tenho saudade)....me deu uma nostalgia e uma saudade desse universo.

nós três pertencemos ao mesmo mundo. a gente conversa na mesma língua. ela é cellista e ele pianista! e as conversas são infinitas, as aspirações parecidas. é bom ter gente assim.

eu gosto de estudar, gosto da aura que envolve os estudantes de música...
ultimamente tenho feito isso sozinha mesmo. é bom!

o mestrado que me aguarde.
e logo!

20.6.10

palestrina

esse vídeo foi feito no mesmo dia do "oh deus de amor". quem gostou da minha participação no dvd do novo tom cantando "a minha esperança" em lírico, vai gostar desse post.
é igualmente imbecil.
sullivan, adella e moi arranhamos um "oh salutaris hostia" de palestrina.
música da renascença já é mais chatinha de fazer e tá faltando o baixo, pq é originalmente escrito para quarteto.

no começo, a razão do riso descontrolado é a constante desafinação da minha linda adella numa nota que é oitavada. aparentemente simples, mas como ela sempre começa a rir, a nota nunca sai afinada.....e a gente já tava esperando por isso...rs.

entre erros de letra, muitas desafinações (inclusive o piano!!!), o sotaque da adella de americana cantando em latim, quebras de voz e até invenção de notas a gente se divertiu!

e a gente se diverte com tão pouco :)



18.6.10

alento pro cansaço

estou no aeroporto, rumo a recife. é tarde, e brahms é infalível; sempre me inspira, me melhora.
tudo nessa obra é lindo, desde a introdução até as notas finais!
resolvi postar porque percebi no twitter que tinha gente que não conhecia, e na minha opinião, tudo de brahms deve ser ouvido, compartilhado, degustado!

tem uma outra versão no youtube em que os cellos estão sendo mais valorizados, mas o coral tava muito desafinado, então to postando essa versão, que só tem a primeira música do requiem....no youtube tem o resto.

enjoy e feliz sábado!


..


acordei atrasada.
saí de casa sem comer nada e apressada.
corri atrás do ônibus e ele me esperou.
sentei esbaforida no assento do veículo e o ipod exibia um lembrete que esqueci de desabilitar :"today is the 16th".
ri um riso simples. interessante como as coisas se desmancham nessa vida...
nem havia me dado conta que hoje era o dia 16 e depois do lembrete, esse pensamento não voltou a cruzar minha mente.
já faz tempo. tempo suficiente pra que eu esquecesse que dia era hoje.

triste

ela aparece a porta com choro na voz. e eu não entendo, não ouço o que foi!
ela vai nos deixar. não porque queira, por cansaço, fadiga. claro que não.
quiseram, e é assim que vai ser. ponto.
o abraço que se segue é silente e amargo! doloroso isso.
ela não é orgulhosa. não esconde a tristeza.
e a mente tenta de imediato achar uma solução, uma alternativa. nada.
é tudo pesar.
ambas nos dirigimos ao portão que me acolhe e a despede.
depende do humor.
triste. e já ando cautelosa, com medo do humor oscilante dessas grades antigas que podem ser traiçoeiras.
na caixa de plástico uns livros infantis, flores e a saudade dos dias em que um dia como esse era inimaginável.

nós fomos.
eu volto.

16.6.10

falando nele..

resolvi colocar um pedacinho do dvd que comprei no dia que postei o post que antecedeu esse.
atenção especial em 4:24 em diante .....me deu uma alegria de ver isso!
é tão bom ser músico!

enjoy!

14.6.10

desejo.





música e literatura são duas coisas que em mim, sempre foram separadas por uma linha tênue e frágil. por isso, a mistura de ambas resultou na minha atividade profissional.

alfred brendel é um pianista que ouço bastante, especialmente tocando obras de schubert, mozart e haydn. sempre gostei dele, mas nunca tinha lido nada muito profundo a seu respeito.
hoje resolvi pesquisar e só tive surpresas felizes.
descobri que sua instrução formal de piano aconteceu dos 6 aos 17 anos. daí pra frente, ele nunca mais teve professor. descobri que ele é amante das artes plásticas, pois tem um acervo de quadros assinados por gente como pablo picasso, leonardo da vinci, henry de toulouse-lautrec e outros e o melhor de tudo: é escritor (e isso eu não sabia).

comecei a procurar suas obras escritas, e encontrei esse livro. imediatamente ao pousar meu olhar sobre ele, desejei possui-lo. e essa vontade só aumentou ao ler o prefácio, que resumiu basicamente todos as sensações que a literatura e a música me causam.

extraí uma pequena porção de um longo e belo prefácio (adoro prefácios), e este certamente vale a pena ser lido:

"Next to my involvement with music, I have always been attracted by words. To use them with a modicum of elegance even when dealing with a subject which, supposedly, starts where words end, has remained a challenge. Quite frequently, my essays arose from questions for which the literature available to me did not provide satisfying answers (...)"

agora, collected essays PRECISA fazer parte da minha biblioteca.
vou cuidar disso já.

sugestão



essa é uma das criaturas que me inspira e intimida ao mesmo tempo.

além de escritor de literatura brasileira, tem registros escritos em diversos temas como filosofia, política e até música. o livro "pequena história da música" é um dos mais geniais compêndios da música com os quais já entrei em contato. nele, mário conta a história da música ocidental como um professor narra uma história a seus alunos. existe enredo, personagens. fantástico. a linguagem chega perto do poético sem fugir do prosaico. a descrição é primorosa.

uma pérola. meu exemplar, por ter pertencido ao meu pai em seus tempos de estudante, já está com a capa muito envelhecida. talvez eu dê uma de chico buarque e saia pelos sebos e sites de compras na internet atrás de livros gêmeos, afim de conservar meu acervo.
eu amo ler o Grout ou o Lang; mas pra quem não tem paciência, esta é uma boa solução ;)

o quarto de beethoven.

esse é o meu concerto pra piano de beethoven favorito!! e essa interpretação é memorável!!

um professor de história da música que me mostrou essa versão, e desde então, eu venho assistindo-a repetidamente.

a pianista martha argerich diz ter tido sua primeira grande "impressão musical", aos quatro anos de idade, ao ouvir esse concerto ao vivo tendo Arrau como solista. por essa ocasião ter sido tão decisiva em sua vida como pianista, ela não toca esse concerto.

a dupla zimmerman + bernstein dispensa comentários. aqui só tem parte do primeiro movimento...no youtube tem o resto!

enjoy!

gracinha ;)

11.6.10

recreio


acabo de ver uma cena linda:

dois meninos coreanos de 7 anos, com a lancheira aberta, dividindo um sushi durante o recreio escolar.


;)

o relato.

eu me sentei no meu lugarzinho na platéia central e comecei a reler o programa da noite.
eis que se não quando,me deparo com uma feliz realidade: a orquestra tocaria Die Moldau (a música a qual faço alusão nesse texto.)
além disso, o maestro era tcheco (Jakub Hrusa) e tinha 29 anos. regente titular da sinfônica de Praga. um gênio. eu frequento salas de concerto e a regência de ontem foi memorável.
o programa começou com a peça de Joseph Suk (scherzo fantastique, op. 25) e diga-se de passagem, até hoje não ouvi nada de Suk que não tenha gostado. principalmente um trecho de quarteto de cellos ontem me tirou o fôlego. absolutamente lindo!
depois, tocaram o concerto pra violino e orquestra em lá menor de Antonin Dvorak, com um violinista russo (Boris Brovtsyn) que tb é bem novinho. por fim, depois do intervalo, a orquestra tocou 3 dos 6 excertos que formam a obra Má Vlast, de Smetana.
o mais interessante de tudo é que nas duas primeiras obras o regente regeu com partitura, uma regência bonita, segura, firme. mas nas peças de Smetana - que são tão conhecidas na República Tcheca como o sambalelê é no Brasil - ele apareceu sem partitura, e ao reger, parecia mergulhado dentro da música. aquelas melodias estavam no seus sangue. conhecia cada nota de cada instrumento, cada respiração... e ele sorria quando a música sorria. houve entrega! bonito de se ver.
melhor de tudo é ter a oportunidade de assistir ao vivo uma peça que há tempos eu ouço e adoro!
dormi tarde de novo, mas a música me descansou ;)

10.6.10

os tchecos







todos tchecos.
e hoje, na sala sp, vou me transportar novamente pras terras do rio vltava, e reviver a poesia de praga. vou obras desses 3.

amanhã eu conto tudo.

(sei que é meio óbvio, mas por motivos educativos, se vc clicar no nome de cada um deles, vai aparecer a biografia de cada um. é interessante.)

;)






a noite de ontem.

ontem aconteceu algo que odeio: cochilei no ônibus enquanto voltava pra casa e uma colega de trabalho me acordou ao se aproximar meu destino. odeio ser acordada nessas condições. saí cambaleado, assustada e ela rindo horrores.
abri a porta de casa. meus passos ecoando mais do que o normal, porque o 33 ainda não tem tapete, mesa de jantar ou quadros. devorei uma manga inteira e finalmente, me assentei no sofá, com os olhos na varanda, que me proporciona uma suprema vista urbana. felizmente, eu comprei uma nova caneta tinteiro recentemente. e com o circle book em mãos, comecei a transcrever esses cansaços de fim de dia e a minha raiva por ter dormido demais no ônibus. observei por mais algum tempo os prédios altos e o pôr-do-sol paulistano.
então, foi que a alegria tomou meu espírito. fui consultar minha nova "mini-biblioteca"...tantas opções à vista! escolhi o 2º volume de "o continente", érico veríssimo. e por 40 minutos, eu mergulhei no universo gaúcho, na rotina do Licurgo Cambará e da Alice Terra...o 33 ainda não tem televisor, nem internet e muito menos um som decente. até o computador está ausente para uns reparos.
depois dessa leitura, dormi. dormi feliz e cedo.
às 8 da noite, minha irmã me liga. programa de mulher que eu queria ter feito domingo com a prima, mas a presença masculina nos impediu.
e eu fui, sem nem pensar duas vezes. é bom ter irmã por perto.
cheguei tarde, muitíssimo tarde.
e hoje, os olhos reclamaram para abrir.
de qualquer forma, as crianças me esperam.
bom dia.

9.6.10

17 anos atrás




aos 5 anos, eu já gostava de microfone e de roxo.
de fato, na minha essência, pouca coisa mudou de lá pra cá.

8.6.10

dia 5

sim, e eu esqueci.
dia 5 de junho (sábado passado) foi o aniversário de 69 anos a brilhante pianista argentina Martha Argerich. pra quem já tocava o concerto de schumann aos 10 anos de idade, é um belo tempo de experiência, não?
apesar de muita gente já saber quem é o meu preferido ao piano, tenho ouvido muita coisa da Martha ultimamente, principalmente obras de bach, schumann, ravel, rachmaninov e prokofiev.
é absolutamente impressionante a energia musical que ela transmite. e a idade só tem agregado profundidade e emoção às suas interpretações.
pra quem quiser conhecer mais o trabalho dela, recomendo o filme "conversa noturna", um documentário contando a sua trajetória.
segue abaixo, um vídeo dela tocando uma de suas marcas registradas: a partita n. 2 em dó menor de bach e outro dela mais novinha, tocando o 3º concerto de prokofiev.
enjoy.

Prokofiev - 3rd Piano Concerto, fragment

Martha Argerich - Bach Partita No. 2 - Verbier Festival 2008

7.6.10

para refletir


pierre boulez, um importante regente e compositor francês, escreveu algo em seu livro "a música hoje" que me chamou a atenção: "O que podemos conhecer do mundo é a sua estrutura, não a sua essência. Nós o pensamos em termos de relações, de funções, não de substâncias e de acidentes. Assim deveríamos fazer: não partamos absolutamente das substâncias e dos acidentes da música, mas pensemos nela em termos de relações, de funções".
o maestro ainda dá masterclasses de regência no conservatório de paris e em outros festivais de música pela europa.

estou postando dois vídeos (clique nos números para assisti-los):
1- matéria sobre o festival de Lucerne, onde boulez deu masterclasses, e este vídeo está em inglês.
2- masterclass ministrada por ele no conservatório de paris. procurei, procurei, mas só tem esse vídeo. minhas desculpas, mas ele está em francês. mesmo assim, acho que é valido.

enjoy ;)

ps: judiação dos pobres aluninhos que se dignam a reger na frente dele....bem nervosos!

.


primeiro amanhecer no 33.
neblina espessa fazendo com que o nascer do sol parecesse tinta alaranjada borrada na minha janela.
cobertor macio, cama convidativa, frio congelante fora dela.
um banho acordaria.
nos 10ºC da manhã paulistana, um banho bem quente aqueceria o início da segunda-feira.
pena que a pilha do gás acabou, e no meio de muita fumaça e calor, a água gelou.
e eu despertei.

a semana começou enérgica, feliz ou infelizmente :)

6.6.10

isso é um prefácio.


enquanto voltava do rio de janeiro, já acomodada dentro do avião, eu lia meu exemplar de junho da revista piauí. na seção "questões vernáculas", a revista publicou um artigo de Chico Buarque, entitulado "os dicionários de meu pai", que depois descobri ser o prefácio da nova edição do dicionário analógico de Francisco Fereira dos Santos Azevedo...

tão brilhante que tive que colocá-lo aqui :)

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Pouco antes de morrer, meu pai me chamou ao escritório e me entregou um livro de capa preta que eu nunca havia visto. Era o dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Ficava quase escondido, perto dos cinco grandes volumes do dicionário Caldas Aulete, entre outros livros de consulta que papai mantinha ao alcance da mão numa estante giratória. Isso pode te servir, foi mais ou menos o que ele então me disse, no seu falar meio grunhido. Era como se ele, cansado, me passasse um bastão que de alguma forma eu deveria levar adiante. E por um bom tempo aquele livro me ajudou no acabamento de romances e letras de canções, sem falar nas horas em que eu o folheava `a toa; o amor aos dicionários, para o sérvio Milorad Pavic, autor de romances-enciclopédias, é um traço infantil no caráter de um homem adulto.
Palavra puxa palavra, e escarafunchar o dicionário analógico foi virando para mim um passatempo (desenfado, espairecimento, entretém, solaz, recreio, filistria). O resultado é que o livro, herdado já em estado precário, começou a se esfarelar nos meus dedos. Encostei-o na estante das relíquias ao descobrir, num sebo atrás da Sala Cecília Meireles, o mesmo dicionário em encadernação de percalina. Por dentro estava em boas condições, apesar de algumas manchas amareladas, e de trazer na folha de rosto a palavra anauê, escrita a caneta-tinteiro.
Com esse livro escrevi novas canções e romances, decifrei enigmas, fechei muitas palavras cruzadas. e ao vê-lo dar sinais de fadiga, saí de sebo em sebo pelo Rio de Janeiro para me garantir um dicionário analógico de reserva. Encontrei dois, mas não me dei por satisfeito, fiquei viciado no negócio. Dei de vasculhar livrarias país afora, só em São Paulo adquiri meia dúzia de exemplares, e ainda arrematei o último `a venda no Amazon.com antes que algum aventureiro o fizesse. Eu já imaginava deter o monopólio (açambarcamento, exclusividade, hegemonia, senhorio, império) de dicionários analógicos da língua portuguesa, não fosse pelo senhor João Ubaldo Ribeiro, que ao que me consta também tem um, quiçá carcomido pelas traças (brocas, carunchos, gusanos, cupins, térmitas, cáries, lagartas-rosadas, gafanhotos, bichos-carpinteiros).
A horas mortas, eu corria com os olhos pela minha prateleira repleta de livros gêmeos, escolhia um a esmo e o abria a bel-prazer. Então anotava num Moleskine as palavras mais preciosas, a fim de esmerar o vocabulário com que eu embasbacaria as moças e esmagaria meus rivais.
Hoje sou surpreendido pelo anúncio desta nova edição do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo. Sinto como se invadissem minha propriedade, revirassem meus baús, espalhassem aos ventos meu tesouro. Trata-se para mim de uma terrível (funesta, nefasta, macabra, atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia.

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um belo prefácio que me fez querer o tal dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo :)