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24.6.14

arte das terças: johannes vermeer

muitas terças depois, e o "arte das terças" está de volta.

em 2012, fiz um relato sobre minha visita ao museu do louvre. nele, falei rapidamente sobre minha passagem pela ala das pinturas holandesas.

pois bem! minha maior curiosidade em ir ao louvre sempre se deu devido a vontade de ver ao vivo as pinturas de johannes vermeer, que é o nosso pintor de hoje.

foi um artista holandês do século 17, e por séculos, intrigou a crítica e o público interessado em arte pela luminosidade incomum que suas pinturas têm. essa é uma característica que se repete invariavelmente em sua obra.

outro traço intrigante é a quantidade de detalhes e de cores que geralmente o olho humano não pode perceber! tudo isso, ele conseguia incluir em suas telas. nenhum de seus contemporâneos conseguiu reproduzir essa riqueza de detalhes e matizes, que faz com que os quadros de vermeer pareçam imagens fotográficas.

eis aqui algumas de suas obras mais famosas:

girl with a red hat

os próximos dois estão no louvre, e foram os que eu vi quando fui :)

the lacemaker

the astronomer
the music lesson

women with a water jug

e o mais famoso de todos (tem até filme sobre esse, que diga-se de passagem, é ma-ra-vi-lho-so!):

girl with a pearl earing

quando cheguei ao museu do louvre, passei pela monalisa. mas tinha tanta, tanta gente, que fui procurar refúgio na ala das pinturas holandesas, onde vermeer reina! :) 

essas foram as fotos que eu tirei dos quadros dele expostos lá.
são bem pequenos (isso foi decepcionante), mas realmente a luz que ele conseguia trazer para as suas telas é impressionante!!!!




a verdade é que há tempos, estudiosos desconfiam que vermeer era um intelectual, que se utilizou da mais avançada tecnologia da época para aprimorar sua técnica. o que sempre se soube, é que ele usava a camera obscura, que seria um ancestral da câmera fotográfica que temos hoje. há livros e estudos publicados sobre o assunto.

mas um inventor sagaz chamado tim jenison foi mais a fundo, e resolveu ir `as últimas consequências para descobrir a técnica que vermeer usava!!! essa jornada começou em 2008 e durou 5 anos, transformando-se num filme chamado "tim's vermeer", lançado semana passada :)

tive a alegria de assisti-lo anteontem (meu pai comprou e assistimos juntos), e fiquei absolutamente embasbacada com a inteligência desse inventor!!! no filme, ele alega que vermeer não usava somente a camera obscura, mas usava uma combinação de lentes, luz e espelhos para conseguir pintar tão perfeitamente quanto uma imagem fotografada! para provar isso, tim jenison reproduziu fisicamente o cenário do quadro "the music lesson", e mesmo sem ser pintor, se propôs a pintar o mesmo quadro usando essa técnica!!!! e CONSEGUIU!!!!!!!! é impressionante!!!!!!

vale MUITO a pena assistir!!!

eis aqui o trailer :)



o ponto de tudo isso é provar que a tecnologia e arte não são rotas opostas, e podem sim, andar de mãos dadas, se o objetivo é atingir o melhor resultado possível!

e palmas pra johannes vermeer, que no século 17, conseguiu desenvolver uma tecnologia de pintura que consagrou sua obra, diferenciando-o de tudo o que existia em seu tempo! :)

6.3.12

arte das terças - leonardo da vinci


esse post não é sobre a vasta obra de leonardo da vinci, mas apenas sobre um único quadro: mona lisa e o meu contato pessoal com ela.
é, certamente, a mais famosa de suas obras, e diz-se que depois de quatro anos "enrolando" para finaliza-la, da vinci desistiu e nunca "terminou" formalmente.

é sim, famosa.
mas, é tão bonita? não.
é grande e opulenta? não.
tem contrastes de cor e traços fenomenais? não.

então o que é tão especial sobre ela?

eu me fiz todas essas perguntas ano passado, quando visitei o museu do louvre em paris pela primeira vez.
eis aqui um relato honesto do que é visitar paris em alta temporada: 

era verão.
a cidade abarrotada de turistas fervilhava e as filas para os museus eram desanimadoramente longas.
fui ao louvre numa segunda-feira de manhã.
cheguei antes que o museu tivesse sido aberto. a fila já era longa.
muito calor.


10:00 am: vagarosamente, a fila começou a se movimentar.
lá dentro, o calor era quase insuportável.

pessoas por todos os cantos, filas nos cafés, filas nos restaurantes, filas nas lojinhas de souvenirs, filas para comprar o ticket de entrada. e um adendo delicioso: a linda pirâmide de vidro que é a marca do museu parece atrair com mais força os raios de sol!
eu pensei estar derretendo.



mas, era o louvre.
respeito!

dei uma olhada nas esculturas gregas, com um coração muito duvidoso: "isso não pode ser assim, milenar! é impossível ter sobrevivido esse tempo todo..."


em seguida, cometi o erro de ir até a área de pinturas italianas.
subitamente, o calor aumentou. mais gente, mais suor.
e na sala indicada, era até difícil andar.

foi quando entendi.
era ela. a mona lisa.

quando consegui ultrapassar a multidão, mirei e vi: pequena, quase monocromática.



uma coisa é sim, assustadoramente mágica nela: é dona de um olhar que segue quem a observa de qualquer canto. e eu comprovei. fui de um lado para o outro. direita, esquerda, norte e sul. ela ainda me olhava nos olhos...

mas era muita gente!
fiquei ali, tirei umas fotos, olhei mais umas vezes, e corri para a área de pinturas holandesas, em outro andar. uns 40 minutos de caminhada dali (hahaha! brincadeira, mas era longe)...
ó, que paz! eu podia sentir a presença do ar - condicionado, não precisava encostar em nenhum turista suado para ver a pintura de perto, e o melhor: havia s-i-l-ê-n-c-i-o para ver, processar, refletir...

foi uma visita interessante, mas fiquei meio exasperada.
museu muito grande, muita gente, muito calor, muitos quadros e pouco tempo.
é um lugar para se visitar por duas semanas todos os dias, pelo menos....

enfim, depois de sair de lá, andei dando uma pesquisadinha, e percebi que a fama da mona lisa não é somente porque é um quadro de da vinci, mas também pela polêmica em que essa obra já esteve envolvida. e a sucessão de acontecimentos chega a ser engraçada.

em agosto de 1911, vincenzo peruggia, um funcionário italiano do museu do louvre, roubou o quadrinho por achar que como o pintor era italiano, a obra merecia estar em exposição na itália. pegou o quadro durante o horário de funcionamento do museu, guardou num armário e saiu com ele escondido debaixo do casaco no fim do expediente. o ousado peruggia manteve o quadro escondido em sua casa por 2 anos, até ficar impaciente e ser pego tentando vende-lo!! é mole ou quer mais?

pode querer porque tem... rs!

durante a segunda guerra mundial, o quadro foi retirado por razões de proteção.

o retorno da mona lisa ao museu do louvre depois da segunda guerra mundial, em 1945 - via vic

parece que não adiantou muito todo esse cuidado, porque no ano de 1956, um turista misteriosamente furioso jogou ácido na parte de baixo da pintura, danificando severamente seu estado. ainda não recuperada desse trauma, a mona lisa novamente foi atacada por um boliviano em dezembro desse mesmo ano. o raivoso sul-americano jogou uma pedra na pobrezinha. isso resultou na perda de pigmento perto de seu ombro esquerdo e por isso, a coloração teve de ser refeita mais tarde.

finalmente, perceberam que a senhorina italiana precisava de mais proteção. talvez uma casinha mais forte... então, depois desses ataques, ela foi colocada em exibição atrás de uma parede de vidro blindado!
porém, isso não foi sinônimo de paz.
em 1974, uma turista deficiente, indignada com a falta de estrutura do museu para com os deficientes físicos, passou um spray vermelho na pintura. e mais recentemente, em 2009, uma russa esbravejante por ter sua cidadania francesa negada, atirou contra o quadro uma caneca de porcelana comprada no próprio museu, dessas de souvenir!!

acho que o olhar fatal da mona lisa causa "coisas" nas pessoas que a veem, e elas se revoltam....sei lá o que é. mas sei que é! rs!
probrezinha.

depois de saber de tudo isso, eu me compadeci e resolvi substituir todo o meu preconceito por compaixão, e encontrar a magia contida nos seus olhos misteriosos.

recomendo fortemente a visita ao museu do louvre!
só não no verão :)

24.1.12

arte das terças - claude monet

falei agora no inverno, e lembrei da minha tentativa fracassada de me comprometer a fazer uma "série" semanal sobre pintura  - arte das terças - aqui no blog.

pudera: tomei essa iniciativa quando o ano caminhava seus derradeiros passos, e eu, de alguma forma, corria à pernadas velozes, tentando "concluir" minha vida no brasil antes que 2011 me ultrapassasse...

o primeiro e único post dessa série foi esse, sobre edgard degas, que fiz em agosto, no calor da recém-visita à paris e seus incríveis.

hoje, posto novamente sobre um francês e impressionista: claude monet.
eu poderia fazer milhares de posts sobre esse artista, por categorias, etc... sua obra é imensa.
tenho que admitir, que apesar de clichê, tenho um relacionamento especial com suas obras porque tive a oportunidade de visitar a casa do pintor em giverny, fr, e logo em seguida, visitei o museu d'orsay, o "templo"do impressionismo, em paris (fotos aqui!).
um dia para jamais ser apagado da memória...

sou fã do impressionismo, mas essa não foi a razão pela qual escolhi monet para hoje.

fazia tempo que eu não vivia um inverno como estou vivendo esse.
monet foi um artista que repetidamente pintou essa estação.

parece que ele, como eu, entendia que existem alguns sentimentos que só é possível experimentar na quietude e brancura do "hiver", como ele diria ( e "yver, vous n'êtes qu'un villain" como diria debussy, o músico impressionista).

portanto, eis aqui os invernos de monet :)


me demorei alguns minutos olhando esse ao vivo...a luz é inacreditável! um dos meus favoritos dessa estação...









para saber mais:

esse é o site do musée d'orsay;
esse é um site sobre vários artistas, com muita informação sobre monet.

dessa vez, eu espero continuar fiel à essa série "arte das terças"... :)

9.8.11

arte das terças - edgard degas

já que eu sou uma blogueira relativamente consistente (rs!) vou começar a fazer uma série aqui no blog relativa à arte.

a cada terça-feira, vou postar obras de algum pintor que gosto. nem sempre serão telas, mas a princípio, sim...

hoje, começaremos com edgar degas, que foi um artista que me impressionou muitíssimo quando visitei o musée d'orsay. tem bastante coisa dele lá, e de verdade, é emocionante.
aqui, um site bem legal sobre arte, com as obras catalogadas por artista.
vou colocar explicações em inglês sobre algumas obras, não todas. como a obra de degas é vasta, hoje escolhi a temática de dançarinas (ele pintou muito sobre isso)... quem sabe no futuro, coloque mais coisas relativas a outros temas.

abaixo, um pequena descrição do trabalho de degas (que se encontra no site do musée d'orsay) e algumas obras que estão nesse mesmo museu:


Degas regularly went to the Paris opera house, not only as a member of the audience, but as a visitor backstage and in the dance studio, where he introduced by a friend who played in the orchestra. At that time, the opera was still housed in the rue Le Peletier and had not yet moved to the building designed by Garnier which was soon to replace it. From the 1870s until his death, Degas's favourite subjects were ballerinas at work, in rehearsal or at rest, and he tirelessly explored the theme with many variations in posture and gesture.
More than the stage performance and the limelight, it was the training and rehearsals that interested himDegas closely observed the most spontaneous, natural, ordinary gestures, the pauses when concentration is relaxed and the body slumps after the exhausting effort of practising and the implacable rigour of the class.


blue dancers (quando vi esse quadro pela primeira vez, olhei bastante, continuei andando, e não aguentei: voltei, e olhei mais....)

the ballet class
Here the class is coming to an end – the pupils are exhausted, they are stretching, twisting to scratch their backs, adjusting their hair or clothes, an earring, or a ribbon, paying little heed to the inflexible teacher, a portrait of Jules Perrot, a real-life ballet master.The slightly raised viewpoint looking diagonally across the studio accentuates the vanishing perspective of floor boards. Paul Valéry wrote: "Degas is one of the very few painters who gave the ground its true importance. He has some admirable floors". This is all the more appropriate for dancers in that the parquet, which was moistened to prevent slipping, is their main work tool. And the ballet master beats time on the floor with his baton.

dancer adjusting her slipper

ballet rehearsal on stage
This painting in shades of grey was immediately noticed at the first Impressionist exhibition in 1874. The painter Giuseppe De Nittis wrote to a friend: "I remember a drawing that must have been of a dance rehearsal […] and I can tell you it was extremely beautiful: the muslin costumes were so diaphanous, and the movements so true to life that it has to be seen to be believed; it is just impossible to describe". Like De Nittis, many critics see this work as a drawing rather than a painting. It is true that Degas captured the most delicate nuances by using shaded tones. He invented this neutral, milky tone, whilst the harsh stage lighting brings out the brilliant white of the tutus that give rhythm to the composition.

Of all Degas' ballet scenes, this monochrome painting differs radically from the veritable "orgy of colours" splashed around in his later works. The explanation is to be found no doubt in the fact thatBallet Rehearsal was meant to serve as a model for an engraver.



small dancer aged 14
When Degas died in 1917, 150 wax or clay sculptures were found in his studio. These statues had remained more or less unknown to the public while the artist was alive, except for Dancer Aged 14which Degas had shown in the Impressionist exhibition in 1881. Naturally coloured, fitted with real hair, dressed in a tutu and real dancing slippers, it was an example of hyperrealism, verism taken to the extreme. Presented in a showcase like a specimen in the museum, it revealed a Degas bordering on the anthropologist or a naturalist. The critics were not mistaken: the work was violently accused of representing the girl in a bestial manner; she was compared to a monkey or an Aztec; she had a face "on which all the vices imprint their detestable promises, the mark of a particularly vicious character".
Degas thus took realism to its logical conclusion by depicting the society of his time in a barefaced almost scientific way with no shade of hypocrisy. The bronze edition made after his death, including the copy in the Musée d'Orsay, tried to preserve the characteristics of the wax statue as much as possible. The glass cage is the only element that Degas himself wanted, asserting the Dancer's status as a work of art.



bom, por hoje é só!!
terça que vem tem mais :)