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1.7.13

"a terceira margem do rio"...

hoje foi noite de guimarães rosa pra mim...

reli uns pedaços favoritos de "sagarana" e li pela primeira vez o conto do título aqui...
tão triste quanto bonito.
mas essas duas coisas me assaltaram com tanta força, que acho que não consigo dormir.
e amanhã tenho médico cedo...

vou copiar e colocar tudo aqui.
uma escrita fina e regional.
tão sensível que a leitura não é um mergulho; é um afogamento.

se você não quer esse sentimento duplo de tristeza e encanto, não leia.


A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.

14.5.13

de coelho a ser mãe

olhando pra varanda daqui de casa, avistei um coelhinho pulando.
achei tão bonitinho...
então meus pensamentos começaram a vagar por caminhos que nem sei, e então lembrei que coelho neto escreveu um poema bonito sobre as mães...rs!
hahaha! a mente é uma coisa fantástica!

fica aqui, minha homenagem atrasada a todas as mães, em especial a mais linda de todas, que é a minha :)


Ser Mãe 
de Coelho Neto
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio, 
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. 

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo! É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra! 
Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso! 
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso! 

12.2.13

davi

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tenho um sobrinho chamado davi.
mas não é sobre isso que vou escrever...

davi é um personagem bíblico muito popular, e por isso, gera todos os tipos de reação a seu respeito.
já ouvi muitos pregadores que amam sua história, apontando suas quedas, mas exaltando o "homem segundo o coração de Deus";
já ouvi pregadores indignados com a popularidade excessiva atribuída ao adúltero e impulsivo rei de israel.

nunca construí uma opinião. 
era um personagem sobre o qual eu ouvia ao longe...
então, li os livros de I e II samuel numa sentada só.

a primeira coisa interessante é esse modo judaico de se contar uma história, de ensinar lições através dos detalhes da vida de alguém, ou de um povo...
uma vez, ouvi um teólogo dizer que se o antigo testamento fosse escrito por gregos, as lições seriam passadas por meio de estatutos; sendo ele escrito por hebreus, tudo é ensinado por meio de histórias...
bonito isso.

lendo os detalhes da longa e intensa vida do rei davi, achei beleza em diversos níveis:
davi era artista, era músico, e seu modo de expressão era através da arte, escrevendo quando tinha medo, quando estava alegre, agradecido, arrependido, inseguro...
davi tinha um temperamento dominante, forte, mas se derramava completamente quando na presença do Eterno.
davi era guerreiro e liderava batalhas imensas, mas gastava tempo refletindo sobre a beleza inexplicável do caráter Divino, que ele sabia ser sua única fonte de força e vitória.
a mais linda parcela da produção literária/musical de davi foi escrita durante a dor, e na minha opinião, a sua pena produziu um dos pedidos de perdão mais lindos que alguém já escreveu...

nisso tudo, me identifico muito.
vendo que o Eterno deu força e triunfo a davi, mantendo intocada sua alma sensível e melancólica.

nos livros de I e II samuel, a história descrita. 
nos salmos, a arte; agora, é exatamente lá que estou...
e por lá, poderia passar uma vida toda, bebendo tanta inspiração, sinceridade e beleza.

pra hoje, fica o salmo 40.
estão em negrito as passagens que sublinhei na minha bíblia.
bom dia :)



[Salmo de Davi para o músico-mor] 
Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.
Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração.
Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR.
Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

13.12.12

jorge luis borges

no meu aniversário de 2011, ganhei como um dos meus presentes o livro da areia, do escritor argentino jorge luis borges.

há pouco, encontrei esse vídeo em sua homenagem, gravado nas ruas de buenos aires e de capilla del señor, no inverno de 2010.

bonito...
mais bonito ainda é o que ele fala no fim...

10.12.12

fernando pessoa e a felicidade


talvez seja clichê postar assim, uma série de pensamentos já ditos, já publicados. mas é que tentei falar por mim e não consegui...
então, fernando pessoa me socorreu :) 

"Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida." 
"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflete o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste."
"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

9.8.12

comprei 7 livros nessas minhas andanças.

um deles, "ostra feliz não faz pérola", traz uns pensamentos picados do rubem alves, sem muita linha, sem cronologia, sem muito polimento.
mas é bonito assim, na sua forma bruta.

sublinhei algumas, que foram lidas enquanto eu sobrevoava o atlântico:

"quem constrói uma casa faz um poema. por isso enchemos as casas de plantas, de quadros, de música, de livros (...)."

"a primavera é linda, cheia de cores, cios e odores. mas não me comove. não encontro nela lugar para a saudade. por isso lhe falta aquela gota de tristeza, que mora em toda obra de arte. (...) o outono é o ano que entardece". 

"catar conchinhas... eis aí uma deliciosa brincadeira para quem deseja ser escritor. a alma é um grande mar que vai depositando conchinhas no pensamento. é preciso guardá-las. (...) o problema com os aprendizes é que eles pensam que literatura se faz com coisas importantes..."

"na minha solidão, dou-me conta de que existe uma outra Pessoa cuja alma se parece com a minha. fico grato porque tal Pessoa existe. minha solidão se transforma em comunhão."

2 da manhã, quase 3.
tchau.

3.2.12

fevereiro, valentine's, shakespeare


sou formada em letras com habilitação em língua inglesa e suas respectivas literaturas/gramáticas.
isso acho que nunca havia mencionado. apesar de ser apaixonada pela minha língua materna, acabei fazendo também essa opção durante a faculdade.

2012 começou, voou.
chegou fevereiro, o mês do amor no hemisfério norte.
já que estou experimentando esse fevereiro de inverno, honrarei a língua e os apaixonados com os nobres versos de shakespeare, em romeo e julieta:

Nurse:
[Within] Madam!
Juliet:
I come, anon.—But if thou meanest not well,
I do beseech thee—
Nurse:
Madam!
Juliet:
By and by, I come—
To cease thy strife, and leave me to my grief.
To-morrow will I send.
Romeo:
So thrive my soul—
Juliet:
A thousand times good night! [Exit above]
Romeo:
A thousand times the worse, to want thy light.
Love goes toward love as schoolboys from their books,
But love from love, toward school with heavy looks.
Romeo And Juliet Act 2, scene 2, 149–157


que chegue depressa o dia 14 :)

24.1.12

do poeta filho do inverno


ele está em mim, na arte, na música, na poesia...
4º post consecutivo sobre essa estação.
sinal de que é hora de vivê-lo nos sonhos e no peso e aconchego das cobertas.

mas nessa noite, que tanto falei de sua "brancura e quietude", essa declaração não podia faltar.
coisa linda essa suspeita da poesia encontrando o poeta nele;
no nosso inverno...


"foi nessa idade que a poesia me veio buscar
não sei de onde veio
do inverno, de um rio
não sei como nem quando
não, não eram vozes
não eram palavras
nem silêncio
mas da rua fui convocado
dos galhos da noite
abruptamente entre outros
entre fogos violentos
lá estava eu sem rosto
e fui tocado."
                                  , pablo neruda


boa noite :)

28.11.11

caminhos cruzados - literatura

a gente passa pela saraiva e eu tampo os olhos.
viro motivo de riso. mas tenho razão.
sim, entramos.
e eu, claro, que nada procuro, saio com uma sacola pesada e uma nota fiscal.
os acompanhantes que têm o que comprar, saem de mãos abanando e rindo de mim.

não consigo.
ainda mais se é érico.

abro o romance, e depois de três prefácios (incluindo o do antônio cândido, que é maravilhoso), leio o do próprio autor.

é um pouco longo, mas novamente, é érico sem fantasias, falando diretamente ao leitor.

ei-lo:

prefácio do autor:


Sim, eu abandonara o reino dos fantoches de papelão pintado para, conduzido por Clarissa, entrar pela porta da pensão de dona Zina no território das criaturas de carne e osso. Estava longe, porém, de achar que a mudança tivesse resolvido definitivamente o problema.
Relendo a primeira novela, alguns meses após a sua publicação, entrei em séria contenda comigo mesmo. A vida não era uma sucessão de momentos de beleza poética como a história daquela adolescente parecia insinuar. Além do mais - disse eu para mim mesmo - sinto dentro de você um poeta e um satirista em conflito permanente. Clarissa foi a oportunidade do poeta. Por que não dar no próximo livro carta branca ao satirista? As zonas sombrias da vida merecem também a atenção do pintor. Mude de técnica: use agora óleo em vez de aquarela. Empregue um pouco de vinagre para quebrar a adocicada fragrância de água-de-colônia que pervaga a atmosfera de Clarissa.
Naquele ano de 1934, minha luta econômica continuava encarniçada. Era eu obrigado a trabalhar cerca de doze horas por dia para fazer face às crescentes despesas mensais. Não deixava de ser-me penoso passar quase toda a semana a recalcar o desejo de escrever minhas próprias histórias para traduzir as alheias ou rabiscar da alma profana legendas para as gravuras da Revista do Globo.
Em 1933 iniciara eu a tradução do Point counterpoint, cuja leitura exercera grande fascínio sobre o meu espírito - e esse trabalho me ocupou a melhor parte de um ano. Agradava-me na obra de Aldous Huxley a novidade das vidas e intrigas cruzadas, a ausência de personagens centrais e a tentativa de dar ao romance uma estrutura musical.
É pois explicável que a influência de Contraponto se tenha feito sentir de maneira considerável na técnica de Caminhos Cruzados. Creio, entretanto, que essa influência não foi tão profunda como deram a entender os críticos brasileiros que se ocuparam com o meu novo romance. A semelhança é apenas de superfície. Parecem-se as receitas, mas diferem em natureza e qualidade os ingredientes que entraram na feitura do bolo. Deve-se ainda levar em conta que muitos dos críticos que insistiram na parecença entre os dois livros leram Point counterpoint através do texto português, no qual é explicável que se note um pouco da presença do tradutor.
Lembro-me de ter confiado um tanto timidamente a Dyonelio Machado o plano de Caminhos Cruzados no mesmo dia em que ele me narra a história de sua admirável novela Os Ratos. E foi encorajado pelo singular criador de Naziazeno que me atirei com entusiasmo ao segundo romance, terminando-o ao cabo de três ou quatro meses, nos quais como de costume só aproveitei os fins de semana.
Lá estava ainda o estilo staccato, como descargas de metralhadora. (Dezoito anos depois, ao apreciar a tradução inglesa de Caminhos Cruzados, o crítico William Dubois escreveria no suplemento literário de The New York Times: "É impossível descrever a qualidade elétrica do estilo deste escritor".)
Faz-se visível desde a primeira página do romance a pronunciada tendência de seu autor para a caricatura. O livro foge às descrições bizantinas, às sutilezas psicológicas, às cenas elaboradas. Suas histórias são objetivas e de pura ação (embora quase nunca de ações puras) -, uma sucessão enfim de quadros movimentados que resultam numa espécie de corte transversal duma sociedade.
Caminhos Cruzados é evidentemente um livro de protesto que marca a inconformidade do romancista ante as desigualdades, injustiças e absurdos da sociedade burguesa. Não é, pois, de admirar que seu autor tenha sido desde logo apontado por críticos e leitores primários como um agente da propaganda comunista.
O sucesso de crítica da presente obra, entretanto, foi bastante animador, embora o de venda no primeiro ano fosse apenas medíocre. O romance foi discutido com certo calor e a Fundação Graça Aranha conferiu-lhe em 1935 seu prêmio literário anual. O poeta que escrevera Clarissa estava um tanto perplexo em face do caricaturista que traçara a carvão e sarcasmo retratos como os de Dodó, Leitão Leiria e Armênio Albuquerque.
Entre a inocência menineira de Clarissa e a malícia de Chinita havia um abismo. Sim, João Benévolo tinha um pouco de Amaro, e Fernanda poderia tornar-se amiga e confidente de Clarissa, caso viessem um dia a encontrar-se.
Clarissa e Caminhos Cruzados não pareciam livros escritos pelo mesmo autor. Se no primeiro havia um exagero de luz, talvez houvesse no segundo um excesso de sombra. Para evitar as armadilhas da poesia e da ternura, o autor havia caído nos alçapões do cinismo e da impiedade.
Posso, entretanto, assegurar que escrevi ambos os livros com o mesmo gosto e a mesma espontaneidade. Os originais de Caminhos Cruzados - folhas de papel almaço cortadas ao meio - foram escritos a máquina, havendo entre suas linhas três espaços nos quais mais tarde fiz a mão correções e acréscimos. E como foram poucas essas emendas! Comparem-se os originais de meus livros com os dos três ou quatro últimos e se verá como o escritor na casa dos quarenta tem muito mais dúvidas, hesitações e exigências do que o da casa dos vinte.
Caminhos Cruzados saiu cheio de cincadas que não foram corrigidas nas suas muitas edições sucessivas, mas que tive o cuidado de eliminar (assim o creio) ao preparar os originais para esta edição especial.
Havia, por exemplo, no quarto de Salu, uma mancha retangular de sol que, à medida que a manhã envelhecia, se ia tornando mais longa, até cobrir o rosto da personagem adormecida. Ora, tal coisa era impossível, a não ser que o autor tivesse subvertido o sistema solar. Para que a língua de sol se espichasse em vez de diminuir, era preciso que o sol estivesse descendo e não subindo!
Que dizer das personagens?
Creio que têm a força e ao mesmo tempo a fraqueza da caricatura. É impossível - reconheço hoje - que dona Dodó não tivesse um lado simpático, ou antes, que sua psicologia fosse tão simplesmente linear como o livro dá a entender. O mesmo se poderia dizer de quase todas as outras figuras.
Mas, pensando melhor, não poderemos também alegar em defesa do romancista que a caricatura é uma tendência reconhecida e aceita da arte moderna, principalmente da pintura? Não haverá muito de deformação na obra de muitos pintores como Portinari, Di Cavalcanti e Segall - todos eles inconformados com a sociedade em que vivem?
Não creio que ninguém possa ser tão vago e fora deste mundo como Noel ou João Benévolo. Relendo Caminhos Cruzados, pergunto a mim mesmo se poderia tê-los feito de outro modo e se um maior cuidado de composição (como eu tinha pressa de me livrar de minhas histórias e personagens naqueles tempos!) não haverá deitado a perder o efeito geral do livro, sabido como é que nem sempre o quadro mais realizado é o que apresenta o luxo meticuloso de detalhes. De resto, não devemos esquecer que Caminhos Cruzados é uma espécie de mural pintado com pistola automática e não uma tela trabalhada com pincéis de miniaturista.
(O leitor deve ter notado a freqüência com que nestes prefácios invoco a pintura como ponto de referência. É que no fundo eu talvez seja um pintor frustrado que, não tendo conseguido aprender o ofício, hoje se contenta com pintar com palavras.)
Uma releitura de Caminhos Cruzados me convenceu de que nele tornei a cometei pecados de simplificação, dos quais, entretanto, não me arrependo, convencido como estou de que, apesar de todos os seus defeitos, o livro atingiu o objetivo visado pelo autor.
Jamais esquecerei a conversação que mantive em 1944 em Berkeley com Miss Monteith, professora do Departamento de Francês da grande universidade que tem sua sede naquela repousada cidade da Califórnia. Havia ela lido a tradução norte-americana de Caminhos Cruzados e me censurava por eu ter criado personagens sem nenhuma profundidade psicológica. Achava o livro cruel, frio e elementar. "Um romancista" - disse-me - "não deve apenas fotografar a vida, mas iluminá-la."
Mais tarde vim a saber que, conversando a meu respeito com uma terceira pessoa, Miss Monteith declarara:
"Mr. Verissimo tem uma alma, mas não sabe".
Talvez seja exatamente isso que acontece com a maioria das personagens de Caminhos Cruzados. E da vida real...

Erico Verissimo, 1964


clarissa foi quem me introduziu ao mestre.
como ele mesmo diz, pura poesia.

agora, começo caminhos cruzados.
vejamos como érico se sai como satirista....

:)

21.9.11

de clarice, para todos os artistas



ontem, depois da consulta com o dr. da mão, resolvi sentar pra tomar um suco num pequeno restaurante, já que ali pelas mediações do consultório tudo era tão agradável.
pedi o suco, abri a bolsa e tirei clarice. retomei a leitura de onde tinha parado...
e ela vem com uma confissão e uma realidade de qualquer indivíduo que tenha o privilégio e desafio de lidar diariamente com arte...

li, e essas palavras me acompanharam por ainda muito tempo durante a noite...

medo da libertação
 se eu me demorar demais olhando saysage aux oiseaux jaunes(paul klee), nunca mais poderei voltar atrás. coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. assusta a visão talvez irremediável e que talvez seja a da liberdade. o hábito que temos de olhar através das grades da prisão, o conforto que trás segurar com as duas mãos as barras frias de ferro. a covardia nos mata. pois há aqueles para os quais a prisão é a segurança, as barras um apoio para as mãos. então reconheço que há poucos homens livres. olho de novo a paisagem e de novo reconheço que covardia e liberdade estiveram em jogo. a burguesia total cai aos se olhar paysage aux oiseaux jaunes. minha coragem, inteiramente possível, me amedronta. começo até a pensar que entre os loucos há os que não são loucos. e que a possibilidade, a que é verdadeiramente, não é pra ser explicada a um burguês quadrado. e à medida que a pessoa quiser explicar se enreda em palavras, poderá perder a coragem, estará perdendo a liberdade. les oiseaux jaunes não pede sequer que o entenda: esse grau é ainda mais liberdade: não ter medo que não ser compreendido. olhando a extrema beleza dos pássaros amarelos calculo o que seria se eu perdesse totalmente o medo. o conforto da prisão burguesa tantas vezes me bate no rosto. e, antes de aprender a ser livre, eu agüentava – só para não ser livre.


clarice lispector (de escrita e vida).

19.8.11

sobre a chuva, que eu tanto gosto.


"começarei por dizer, sobre os dias e anos de minha infância, que a minha única personagem inesquecível foi a chuva. (...) nesta fronteira, o far west da minha pátria, nasci para a vida, para a terra, para a poesia e para a chuva.
por muito que tenha andado, acho que se perdeu essa arte de chover que se exercia como um poder terrível e sutil em minha araucaína natal. chovia meses inteiros, anos inteiros. a chuva caía em frios como compridas agulhas de vidro que se partiam em tetos, ou chegavam em ondas transparentes contra as janelas, e cada casa era uma nave que dificilmente chegava ao porto daquele oceano de inverno.
esta chuva fria do sul da américa não tem as rajadas impulsivas da chuva quente que cai como um látego e passa deixando o céu azul. pelo contrário, a chuva austral tem paciência e continua sem fim, caindo do céu cinzento."

                                                                                                     confesso que vivi, pablo neruda.

9.6.11

pra brasileiro ler


chego do trabalho, um frio de cortar a pele.
o que fazer?
piano, banho, leitura.

qual?

iracema  foi um livro que li no primeiro ano da faculdade de letras, e nunca mais.
ficou na estante.
mas lembro que li em 1 dia.

pura poesia em prosa.

pois ontem, resolvi experimentar novamente o sabores euro-indígenas que o escritor cearense josé de alencar nos oferece com essa obra.
assim que abri o livro, já escancarei um sorriso, pois a dedicatória diz assim, ó:

"À 
Terra Natal 
Um Filho Ausente. "

....

logo em seguida, o primeiro capítulo começa:

"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros. Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas." (...)

...

e tem tantas outras partes e frases que eu gostaria de colocar...
você é brasileiro? já leu esta pérola?
se não, sinto muito, leia A-G-O-R-A (rs).

não é só um livro obrigatório para os pré-universitários.
esta leitura é realmente obrigatória pra que nós, brasileiros, afortunados que somos, entendamos como é belo o nosso país, como é rica a nossa fauna e flora e mais do que tudo, como é preciosa e bela a nossa língua portuguesa.

até domingo, eu termino... :)

19.4.11

neruda: prefácio de "confesso que vivi" - livro de memórias

"estas memórias ou lembranças são intermitentes e, por momentos, me escapam porque a vida é exatamente assim. a intermitência do sonho nos permite suportar os dias de trabalho.
muitas das minhas lembranças se toldaram ao evocá-las, viraram pó como um cristal irremediavelmente ferido.
as memórias do memorialista não são as memórias do poeta. aquele viveu talvez menos, porém fotografou muito mais e nos diverte com a perfeição dos detalhes; este nos entrega uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e a sombra de sua época.
talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros. 
do que deixei escrito nessas páginas se desprenderão sempre  - como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas - as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado. 
minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta."

18.4.11

prêmio nobel news de abril : música e literatura


A-D-O-R-O os emails de novidades do prêmio nobel. recebo um por mês.

o último que recebi foi especialmente interessante, primeiramente porque fiquei sabendo que dia 23 de abril (1 dia antes do meu aniversário) é o dia internacional do livro (data estabelecida pela UNESCO em 1995). desta forma, neste mês, a equipe do prêmio nobel resolveu prestar tributo aos vencedores do troféu na área da literatura.

esse foi o primeiro anúncio que li no email.
logo abaixo, vejo um outro título: "mahler symphonies are like novels".

essa frase é a essência da entrevista com o escritor mario vargas llosa (escritor peruano e laureado com o nobel de literatura em 2010), onde ele compara o processo de estruturação de seus livros ao processo de um compositor estruturando suas músicas e partituras.

BEM interessante. vale a pena assistir!

7.3.11

"o triunfo da música"

minha mais nova aquisição.
passei na saraiva hoje e não resisti.

o subtítulo do livro: "a ascensão dos compositores, dos músicos e de sua arte."

foi escrito por tim blanning, professor de cambridge, especialista em história cultural. nessa obra, narrando as intempéries políticas e sociais da música ao longo de sua história, ele explica como a submissão e dependência que os músicos tinham do clero e da nobreza foram, lentamente, sendo substituídos pelo prestígio e poder das celebridades musicais da atualidade.

vou ler, depois conto.... 
mas a cara tá ótima :)

14.2.11

valentine's day

um dia que não possui significado algum no brasil.

mas ele existe noutro trópico.

e hoje,  nele falso,  eu li neruda.
relendo "cem sonetos de amor", a dedicatória novamente me emocionou.
uma das coisas mais belas que um homem pode dizer a uma mulher.

pois veio parar aqui, pra celebrar esse dia comercial, inventado, bonito.


 a matilde urrutia

senhora minha muito amada, grande padecimento tive ao escrever-te estes malchamados sonetos e bastante me doeram e custaram mas a alegria de oferecê-los a ti é maior que uma campina. ao propô-lo bem sabia que ao constado de cada um, por afeição eletiva e elegância, os poetas de todo tempo alinharam rimas que soaram como prataria cristal ou canhonaço. eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem alcançar teus ouvidos. tu e eu caminhando por bosques e areais, por lagos perdidos, por cinzentas latitudes recolhemos fragmentos de pau puro, de lenhos submetidos ao vaivém da água e da intempérie. de tais suavíssimos vestígios construí com machado, faca, canivete estes madeirames de amor e edifiquei pequenas casas de quatorze tábuas para que nelas vivam teus olhos que adoro e canto. assim estabelecidas minhas razões de amor te entrego esta centúria: sonetos de madeira que só se levantaram porque lhes deste a vida.

                                                                                                                                                 outubro de 1959

18.1.11

ferreira gullar


o edson sempre me falou dele.
e eu sempre respeitei, ouvi. mas nunca fui atrás.

mas ferreira foi capa da revista BRAVO! de outubro de 2010 (acho que até postei aqui sobre esse exemplar..)
ontem, ao som da chuva da madrugada, resolvi reler a matéria.

a primeira frase que li foi: "fiquei seis meses tomado por um poema. isso nunca havia me acontecido antes".

sinceramente, eu nem tenho o que dizer. só por essa frase, deu vontade de comprar todos os seus livros.

vou somente colocar aqui um poema que ele escreveu por ocasião da morte de clarice lispector:

-----------
Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão do teu olhar soterrado resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós

"eu triste com a morte de clarice, e a natureza pouco ligando".
------------

é caso urgente. preciso de pelo menos um livro.
resolvo isso logo!

12.1.11

um dia, a minha vai ser assim....


por enquanto, ela ainda e assim:


... mas eu chego lá!

5.1.11

contos de fadas


que tipo de adulto lê contos de fadas?

bom, esses dias eu tive a curiosidade de saber como foram escritas originalmente as histórias que a gente sempre ouviu.

comprei na livraria cultura esta compilação traduzida (claro! - infelizmente).

e cheguei a uma conclusão: se as crianças de hoje conseguissem ler e compreender esses contos, o mundo seria mais feliz!
não que sejam escritos de forma rebuscada, mas não é uma linguagem usada para crianças nos dias de hoje. frases construídas usando um mínimo de lógica e arte, coisa que REALMENTE não se usa nos livros infantis hoje em dia.

e pra ser bem sincera, eu nem sei o porquê.
com certeza, não é por déficit de inteligência, porque a maioria das nossas criancinhas tem bastante conhecimento na área tecnológica desde a mais tenra idade. pude ter bastante certeza disso quando um dos meus alunos de jardim de infância apareceu na escola com um ipad! e quase mexia melhor do que eu...
é verdade que no século XVIII, XIX (quando estes contos foram escritos), não havia nada disso. a leitura era O entretenimento.

bom, é habito mesmo.
triste...

achei isso tão triste que isso foi tema do meu tcc de letras...

o bom é que esse não é o primeiro livro de clássicos que compro.
na minha ainda "mini" biblioteca, já existe uma prateleira reservada aos meus futuros rebentos.

por ora, esta serve a mim e talvez, aos meus sobrinhos (assim que eles forem alfabetizados...)

rs!

6.12.10

de vôo em vôo

na maioria das vezes, durmo.
mas quando os olhos se recusam a fechar, os vôos me proporcionam momentos absolutamente ricos.

já mencionei aqui no blog o livro "collected essays"de alfred brendel.
acontece que a cada dia que passa, mas eu admiro esse pianista. aposentado como pianista, escreveu um precioso compêndio de notas sobre seus estudos de piano, as obras, os compositores. mas é com linguajar de pianista. de técnico e artista ao mesmo tempo.

precioso.

ontem li esse parágrafo sobre mozart, e senti vontade compartilhar (até pensei no meu primo andré gonçalves, que é avesso a mozart..rs)



outro brilhante:



eu sempre leio sublinhando e fazendo comentários....e o livro já está cheio de exclamações e adendos que eu não canso de escrever...

a medida que for lendo, vou colocando aqui as partes mais impressionantes (pq o livro todo é uma pérola!)