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24.6.14

arte das terças: johannes vermeer

muitas terças depois, e o "arte das terças" está de volta.

em 2012, fiz um relato sobre minha visita ao museu do louvre. nele, falei rapidamente sobre minha passagem pela ala das pinturas holandesas.

pois bem! minha maior curiosidade em ir ao louvre sempre se deu devido a vontade de ver ao vivo as pinturas de johannes vermeer, que é o nosso pintor de hoje.

foi um artista holandês do século 17, e por séculos, intrigou a crítica e o público interessado em arte pela luminosidade incomum que suas pinturas têm. essa é uma característica que se repete invariavelmente em sua obra.

outro traço intrigante é a quantidade de detalhes e de cores que geralmente o olho humano não pode perceber! tudo isso, ele conseguia incluir em suas telas. nenhum de seus contemporâneos conseguiu reproduzir essa riqueza de detalhes e matizes, que faz com que os quadros de vermeer pareçam imagens fotográficas.

eis aqui algumas de suas obras mais famosas:

girl with a red hat

os próximos dois estão no louvre, e foram os que eu vi quando fui :)

the lacemaker

the astronomer
the music lesson

women with a water jug

e o mais famoso de todos (tem até filme sobre esse, que diga-se de passagem, é ma-ra-vi-lho-so!):

girl with a pearl earing

quando cheguei ao museu do louvre, passei pela monalisa. mas tinha tanta, tanta gente, que fui procurar refúgio na ala das pinturas holandesas, onde vermeer reina! :) 

essas foram as fotos que eu tirei dos quadros dele expostos lá.
são bem pequenos (isso foi decepcionante), mas realmente a luz que ele conseguia trazer para as suas telas é impressionante!!!!




a verdade é que há tempos, estudiosos desconfiam que vermeer era um intelectual, que se utilizou da mais avançada tecnologia da época para aprimorar sua técnica. o que sempre se soube, é que ele usava a camera obscura, que seria um ancestral da câmera fotográfica que temos hoje. há livros e estudos publicados sobre o assunto.

mas um inventor sagaz chamado tim jenison foi mais a fundo, e resolveu ir `as últimas consequências para descobrir a técnica que vermeer usava!!! essa jornada começou em 2008 e durou 5 anos, transformando-se num filme chamado "tim's vermeer", lançado semana passada :)

tive a alegria de assisti-lo anteontem (meu pai comprou e assistimos juntos), e fiquei absolutamente embasbacada com a inteligência desse inventor!!! no filme, ele alega que vermeer não usava somente a camera obscura, mas usava uma combinação de lentes, luz e espelhos para conseguir pintar tão perfeitamente quanto uma imagem fotografada! para provar isso, tim jenison reproduziu fisicamente o cenário do quadro "the music lesson", e mesmo sem ser pintor, se propôs a pintar o mesmo quadro usando essa técnica!!!! e CONSEGUIU!!!!!!!! é impressionante!!!!!!

vale MUITO a pena assistir!!!

eis aqui o trailer :)



o ponto de tudo isso é provar que a tecnologia e arte não são rotas opostas, e podem sim, andar de mãos dadas, se o objetivo é atingir o melhor resultado possível!

e palmas pra johannes vermeer, que no século 17, conseguiu desenvolver uma tecnologia de pintura que consagrou sua obra, diferenciando-o de tudo o que existia em seu tempo! :)

1.7.13

"a terceira margem do rio"...

hoje foi noite de guimarães rosa pra mim...

reli uns pedaços favoritos de "sagarana" e li pela primeira vez o conto do título aqui...
tão triste quanto bonito.
mas essas duas coisas me assaltaram com tanta força, que acho que não consigo dormir.
e amanhã tenho médico cedo...

vou copiar e colocar tudo aqui.
uma escrita fina e regional.
tão sensível que a leitura não é um mergulho; é um afogamento.

se você não quer esse sentimento duplo de tristeza e encanto, não leia.


A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.

Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.

Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.

Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.

No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.

Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.

A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.

Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.

Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.

Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.

Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.

14.5.13

de coelho a ser mãe

olhando pra varanda daqui de casa, avistei um coelhinho pulando.
achei tão bonitinho...
então meus pensamentos começaram a vagar por caminhos que nem sei, e então lembrei que coelho neto escreveu um poema bonito sobre as mães...rs!
hahaha! a mente é uma coisa fantástica!

fica aqui, minha homenagem atrasada a todas as mães, em especial a mais linda de todas, que é a minha :)


Ser Mãe 
de Coelho Neto
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 
o coração! Ser mãe é ter no alheio 
lábio que suga, o pedestal do seio, 
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. 

Ser mãe é ser um anjo que se libra 
sobre um berço dormindo! É ser anseio, 
é ser temeridade, é ser receio, 
é ser força que os males equilibra! 
Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 
espelho em que se mira afortunada, 
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

Ser mãe é andar chorando num sorriso! 
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 
Ser mãe é padecer num paraíso! 

9.4.13

sobre a música e suas pressões

faz tempo que não re-posto os escritos do regente mark wigglesworth.
lendo seu blog hoje, achei esse tema interessantíssimo e ultra pertinente pra quem faz música.

o que dizer das pressões que todo músico enfrenta? 
neste texto, o autor analisa as críticas e o papel que elas exercem no mundo erudito. 
mas fora dele, mesmo que não sejam escritas, as críticas podem ser cruéis e desinformadas...
como lidar com isso? não adianta fingir que não existe, porque existe e é forte, forte!

tão pertinente a citação que wigglesworth faz de aristóteles no fim do texto, em que o filósofo diz que para evitar a crítica é preciso "não dizer nada, não fazer nada e não ser nada"...

a quem já teve seu precioso tempo se ocupando com esse tópico, e se chateando, eis uma leitura interessante :)

ps: o texto está em inglês, mas nada que o google tradutor não resolva! a leitura vale a pena :)


Press Ups and Downs

A performer’s relationship with the critics is complicated but unavoidable

Mark Wigglesworth 11:31am GMT 8th February 2013
Ask musicians if they read their reviews and they either say yes, or they say no, or they say no and mean yes. It’s a slightly taboo subject but, like it or not, criticism is a fundamental part of the music world. The relationship between performers and critics is symbiotic, an intriguing equilibrium hovering somewhere between wary respect and circumspect appreciation. Performers have the power to move thousands. Critics can validate it to thousands more. Or not.
It’s unfortunate that a critic’s job description carries with it such negative connotations. But without disapproval, approval has no context. No one wants universal castigation, yet there’s also something disturbing about constantly gushing superlatives. Perhaps it’s true that the most interesting performances are those that divide the critics completely.
One of the biggest dangers for performers is to become self-conscious, and though there are things one can learn from what are normally unbiased reactions, over-engaging in reviews makes it harder to avoid that. And opening yourself up to the influence of any number of different opinions can confuse and dilute your own view. Most performers are their best, and certainly harshest, critics and the wider scale of other people’s observations, whether good or bad, shouldn’t out-weigh the value of one’s own personal opinions. There’s plenty to gain from discovering what someone thinks of your work, but in the end there’s probably more to lose.
Unfortunately, avoiding reviews is difficult. Even if curiosity, or vanity, doesn’t prevail, you tend to discover how your performances have been received. It’s funny how there are always plenty of people who mention your good reviews, yet no one lets you know when the opposite is the case. The ominous silence in the days that follow some concerts tells its own story. And however much one can be encouraged that there’s never been a musician who hasn’t been lampooned at some point by someone somewhere, negative criticism undoubtedly has an effect. ‘I pay no attention to anybody's praise or blame. I simply follow my own feelings.’ That’s easy to say if you’re Mozart. After a bad review it’s hard to agree with Oscar Wilde that it’s ‘better to be talked about than not talked about at all’. Most performers are insecure. Self-doubt is a pre-requisite to discovery. But there’s a difference between asking questions of yourself in private and having them answered by others in public.
Nevertheless, dealing with criticism is a small price to pay for the privilege of performing and the two have always gone hand in hand. I doubt Aristotle was being original when he said the only way to avoid criticism is to ‘say nothing, do nothing, and be nothing.’ Hopefully one develops a skin sufficiently thick to stop the jibes getting in, yet thin enough to allow one’s own feelings to still get out. To combine sensitivity with insensitivity and to remain relaxed about the judgements of others isn’t easy. But it’s a worthy goal to have - whether you’re a performer or not.

12.2.13

davi

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tenho um sobrinho chamado davi.
mas não é sobre isso que vou escrever...

davi é um personagem bíblico muito popular, e por isso, gera todos os tipos de reação a seu respeito.
já ouvi muitos pregadores que amam sua história, apontando suas quedas, mas exaltando o "homem segundo o coração de Deus";
já ouvi pregadores indignados com a popularidade excessiva atribuída ao adúltero e impulsivo rei de israel.

nunca construí uma opinião. 
era um personagem sobre o qual eu ouvia ao longe...
então, li os livros de I e II samuel numa sentada só.

a primeira coisa interessante é esse modo judaico de se contar uma história, de ensinar lições através dos detalhes da vida de alguém, ou de um povo...
uma vez, ouvi um teólogo dizer que se o antigo testamento fosse escrito por gregos, as lições seriam passadas por meio de estatutos; sendo ele escrito por hebreus, tudo é ensinado por meio de histórias...
bonito isso.

lendo os detalhes da longa e intensa vida do rei davi, achei beleza em diversos níveis:
davi era artista, era músico, e seu modo de expressão era através da arte, escrevendo quando tinha medo, quando estava alegre, agradecido, arrependido, inseguro...
davi tinha um temperamento dominante, forte, mas se derramava completamente quando na presença do Eterno.
davi era guerreiro e liderava batalhas imensas, mas gastava tempo refletindo sobre a beleza inexplicável do caráter Divino, que ele sabia ser sua única fonte de força e vitória.
a mais linda parcela da produção literária/musical de davi foi escrita durante a dor, e na minha opinião, a sua pena produziu um dos pedidos de perdão mais lindos que alguém já escreveu...

nisso tudo, me identifico muito.
vendo que o Eterno deu força e triunfo a davi, mantendo intocada sua alma sensível e melancólica.

nos livros de I e II samuel, a história descrita. 
nos salmos, a arte; agora, é exatamente lá que estou...
e por lá, poderia passar uma vida toda, bebendo tanta inspiração, sinceridade e beleza.

pra hoje, fica o salmo 40.
estão em negrito as passagens que sublinhei na minha bíblia.
bom dia :)



[Salmo de Davi para o músico-mor] 
Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.
Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração.
Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR.
Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

2.1.13

2013

a gente entra nele sem saber se o caminho vai ser de luz ou de noite.
mas ele abre a porta e nos invade, sem pedir, sem avisar; só acontece.

num ano com tanto a se descobrir, com tanto tempo a se aproveitar, que o Eterno me guie pra trilhar os caminhos de luz, e se eu os encontrar, que eu os mostre aos outros, que ainda andam perdidos na escuridão..

se eu não os encontrar, que Ele me envie outros que já neles estão, e que assim, me iluminem.

feliz ano novo.
meu desejo é um 2013 iluminado.


10.12.12

e se houver?

li o livro de uma fulana, e pensei nessa avalanche de manifestações artísticas nascendo, surgindo a todo segundo, de todos os cantos...
conversei com outro fulano a respeito, e falei dessa coisa de escrever, de mostrar o que foi escrito, compartilhar. ele atestou: "não há nada de errado em publicar, contanto que haja algo a ser dito"...
pensei, pensei em todo o resto, e cheguei `a triste conclusão que esse nem sempre é o caso.

tanta gente querendo um lugar ao sol em nome da arte.
será que há tanto a se compartilhar? será que realmente há algo a ser dito?
a minha impressão, por vezes, é que o mundo está cheio de vaidade andando por aí disfarçada de generosidade... abrir a alma oculta e colorida de artista é claramente um ato de coragem.
`as vezes, nem sei se é o certo faze-lo por inteiro; mas há um sentimento de culpa em faze-lo pela metade...
são poucos os que genuinamente desejam ser levados a enxergar mais detalhes do mundo, da existência e da própria alma e de absorver o que se oferece. a esses, vale uma vida cantar, falar e derramar o que é tão guardado.
seriam as minhas palavras um barco diferente no infinito de embarcações que espalham a arte?
dificilmente...
é por isso que é tão árduo.
é cansativo equilibrar a praticidade e a vontade de viver enxergando e experimentando as coisas que vão além daquilo que é apenas necessário `a sobrevivência.
o corpo tem vida, precisa de alimento.
a alma também funciona assim... e por que alimentá-la é tão confuso, até mal interpretado?
o relógio corre levando a única vida que temos nessa terra...e ela passa assim, com tanta rapidez, que se não houver um certo cuidado, é quase imperceptível.

o que oferecer?
e mesmo que haja algo a se dizer, como faze-lo compreender?
tanta cegueira, e tanto cego guiando cego.
o silêncio é sempre mais fácil, mas se fosse assim, o mundo seria quieto, cheio de cabeças pensantes e bocas fechadas.
é sim, um bom impasse.
ver demais, ver de menos...
será que um par de óculos resolve?

2.11.12

a inglaterra e a música do século xvi

esse é um post longo.
preguiça de ler?
pule pro próximo...rs :) 
é só uma sugestão...

a história do rei henrique viii da inglaterra me fascina.
desde o 2º ano do ensino médio, quando meu professor de história entrou na sala chamando a catarina de aragão de catarina "dragão", eu sempre me interessei pela dinastia tudor!
henrique viii foi sim um homem meio sem juízo e muitíssimo vaidoso.
sua corte era uma das mais opulentas da europa e esse rei ficou famoso por, em função de uma paixão, romper com a igreja católica, fundar a igreja anglicana e transformar o país, antes católico, num país protestante. assim, ele era não somente rei, mas "papa"de sua nova religião. 
essa descrição resume a palavra "absolutismo", que é o termo que usamos em história para definir um rei que tem poder total político e religioso sobre seu reino.

casou-se 6 VEZES!!
vou dar uma resumida nessa história que mais parece novela:

henrique viii, novinho, assume o trono quando seu irmão mais velho morre. o irmão mais velho era casado com a espanhola e ULTRA católica catarina de aragão, no intuito de fazer aliança política com a espanha, que no século xv e xvi (15 e 16...rs) estava com tudo, descobrindo as américas, e blá blá blá...
cataria de aragão, viúva, casa-se com henrique viii, apesar de ele ser bem mais jovem, alegando que o casamento com seu irmão nunca se consumou (a desculpa do meu professor de história era o fato de ela ser velha e "dragão"...rs).
os dois ficam casados por vários anos e têm uma filha chamada maria tudor.
lembrando que nessa época, a inglaterra era um país católico.
mas, o rei é só tristeza. ele quer um menino, um herdeiro (e também uma rainha mais jovem...rs).
conhece a jovem e ambiciosa ana bolena e se apaixona perdidamente.
muito cheio de vontades, resolve se divorciar.
epa!
mas divórcio não existe nessa época, a menos que o papa autorize.
e claro, o papa não permite esse divórcio.
henrique viii, não satisfeito, rompe com o papa, manda a rainha e a filha pra fora do palácio, casa-se com ana bolena (que é protestante), e funda a igreja anglicana, cujo chefe religioso é ele mesmo! sendo assim, ele pode se casar e descasar quantas vezes quiser, sem maiores problemas... bem como mudar as leis religiosas, etc...
tudo lindo, maravilhoso no amor, mas o país vira um caos, porque os católicos começam a ser mortos, os protestantes destroem as antigas igrejas católicas e relíquias religiosas... um horror! fora isso, uns três anos depois de ter feito essa zona no seu reinado, o rei começa a enjoar da ana bolena...
maaaaasss, um milagre acontece: ela engravida! e o rei explode de felicidade, até...
nascer uma meninA: elizabeth... que decepção. ana bolena ainda engravida mais uma vez, mas perde o bebê.
o casamento está de mal a pior e então, rola uma fofoca de que ela anda traindo o rei... e ele acredita, assim, cegamente.
pronto! manda cortar a cabeça da ana bolena sem dó nem piedade.
ONZE dias depois casa-se com jane seymour! doce e boazinha. 
ela o reconcilia com sua filha maria tudor, e aceita elizabeth! cria as duas.
o rei ama muito essa rainha, que pouco tempo depois, engravida, dá a luz a um MENINO (realizando o sonho do rei), e morre no parto!
henrique viii fica com edward, seu filho, mas sem esposa.
é então que ouve falar de ana de cleves (alemã).
ela é protestante, e o rei nunca chegou a vê-la ao vivo antes de casar-se com ela. manda um pintor do seu palácio pintá-la... mas quando se conhecem face a face (no dia de seu casamento), ele não gosta dela. ficam pouco tempo casados, e ele anula seu próprio casamento (agora não tem papa na jogada), alegando que o mesmo não foi consumado.
aí, o henrique viii a-pe-lou!
conhece uma menina de 17 anos (nessa época ele tinha quarenta e muitos....quase 50!) chamada catarina howard. muito ingênua, ela fica pouco tempo casada com o rei, que a mima muito.
trai o pobre homem; logo, perde a cabeça loura na guilhotina!
mas o rei (que não é brasileiro) não desiste nunca.
sai de uma menina de 17 anos e casa-se com uma viúva chamada catarina parr (catarina pela terceira vez!!!)
sábia, protestante, e correta.
essa consegue viver até a morte do rei.

excêntrico, não?
vaidoso e cheio de ego...
eu não diria que ele era ruim, mas era egoísta.
morreu aos 55 anos (1547).
teve como sucessor direto seu filho edward que ainda era criança. reinou por pouco tempo, morrendo ainda adolescente.
maria tudor, muito católica, foi a próxima na linha de sucessão e quis instituir o catolicismo a todo custo novamente (tinha muita revolta no coração pelas maldades que seu pai fez a sua mãe, renegando seu casamento e sua fé!). por isso, ela matou muita, muita, muita, muita, muita, muita gente (claro! o país agora era protestante...) em nome da fé. foi tanta gente morta que essa rainha ficou conhecida como "bloody mary"...
reinou por curtos 5 anos, e morreu.
a única que sobrou foi a super jovem ana bolena, que muitos consideravam ser a filha bastarda do rei, fruto de um casamento turbulento e não reconhecido pelo papa.
pois essa elizabeth (hoje conhecida como elizabeth I) nunca se casou (sábia mulher, aprendeu com os erros do pai) e reinou a inglaterra por 44 anos, transformando o país na maior potência política e econômica da época!
ah! ela era protestante, e desfez tudo o que sua meia-irmã fez.
fez da inglaterra um país protestante novamente....
tanta briga religiosa para a satisfação do ego!!
parece mentira tanta bagunça numa família só.
pobre rei... tão poderoso e infeliz.

mas uma outra coisa que ele era é músico.
isso eu descobri há pouco tempo.
tocava alaúde e escrevia música.
adorava música boa na corte e ainda jovem, contratou o mais jovem ainda thomas tallis, que tornou-se o músico oficial da corte inglesa. com todas essas bagunças, mortes, mudanças de religião, ele conseguiu sobreviver ao rei henrique oitavo, ao rei edward, à rainha mary tudor e trabalhou na corte até o reinado de elizabeth, deixando muita coisa boa escrita pra gente ouvir até hj! as mudanças religiosas também afetam muito sua obra, que sofre várias mudanças e é majoritariamente eclesiástica.

estudei sobre ele na faculdade e quando estava assistindo um seriado que conta em detalhes essa história toda que narrei e ouvi sua música, fiquei com vontade de compartilhar aqui.

lembrando: século xvi, renascença... 
há tanta beleza... é preciso ouvir com os ouvidos da curiosidade, do aprendizado, e ter em mente que a música que existe hoje não seria possível se não existisse essa, e tantas outras ao longo da história da música. por isso é importante ouvir, aprender, e então, compreender.

pra ouvir mais coisas, é só digitar "thomas tallis" no youtube :)


30.10.12

dia de furacão

hoje foi o dia marcado para recebermos a visita do furacão sandy.
amanheceu escuro aqui em maryland, e os noticiários tiveram pouco trabalho, porque falaram sobre o mesmo assunto durante as 24 horas do dia: o furacão.
achei engraçado alguns repórteres advertindo o povo americano a não sair de suas casas, a evacuar as áreas de risco e a estocar comida e água, sendo filmados na frente de alguma praia da costa leste dos estados unidos, quase sendo engolidos pelas ondas bravias e arrastados pelo vento e pela chuva torrencial que anunciava a vinda de sandy.
certas coisas jamais entenderei...

mais tarde, o presidente obama fez mais estardalhaço, pareceu generoso ao deixar de lado o assunto das eleições e importar-se tanto com a segurança do seu povo.
política...

o fato é que choveu muito sim.
o vento só aumentou, e as folhas coloridas do outono formaram um belo tapete molhado na nossa varanda. eu pensava que a área de risco era só ny, mas de acordo com as notícias, maryland também é área de risco.

atrás de casa há duas árvores mortas.
elas são ocas, e com a ventania balançam muito.
ao notarmos a tempestade, tememos que as árvores ocas não resistissem à força do vento e caíssem sobre nossa casa. assim, esvaziamos alguns cômodos, enchemos alguns colchões de ar, e transportamos comida, documentos e utensílios pessoais para o porão. 
meu irmão nos visita, então nessa noite, somos 4.
todos dormindo juntos, no porão...

a única coisa que tenho saudade lá de cima (e que realmente choraria se fosse destruído) é o piano...
coitado...não tem culpa de ser pesado.
passará a noite toda sozinho, na sala que nós esvaziamos...
há algumas horas, quando todos nós já estávamos aqui em baixo, eu ainda subi pra dar-lhe um agrado; toquei um pouquinho, pra fazer-lhe companhia.

sandy estava previsto para nos visitar às 6 da tarde.
depois, anunciaram que era meia noite...
também anunciaram que não teríamos luz nem internet, e no entanto, aqui estou eu, meia-noite e cinquenta e um, relatando esta noite no porão.


a verdade é que com ou sem furacão, eu sempre gostei de chuva, casa, meia no pé, frio lá fora e muitas cobertas. e hoje, o dia foi assim. 
o que estragou foram essas ameaças da natureza o tempo todo...rs.

brincadeiras à parte, estamos todos bem.
lá fora ainda venta muito e o uivo do vendaval é bem audível.
a chuva é incessante.
mas o Senhor está conosco. já ouviu nossas preces mais cedo e sabe que confiamos na Sua proteção.

enquanto o sono não vem, e a noite demora a passar, resolvi listar em imagens, o que é possível se fazer em dia de furacão...









na realidade, apesar de tudo, é bem gostoso ficar envolta em edredons, olhando o dia cinza, apinhada com a família esperando o tempo passar...

alguém aqui já leu pollyana?
esse é o jogo do contente :)

27.10.12

dia do pastor

pra hoje, trechos de isaías 42.
parabéns ao meu pai por este dia, e a todos os pastores da minha vida... :)



1. Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios (...)

6. Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios.7 Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.


8. Eu sou o SENHOR; este é o meu nome.

26.9.12

sobre o ofício das canções


essa coisa de escrever canções acaba por ser reveladora.
relutei adentrar esse mundo de criação e ainda sou lenta, sou esparsa...
é sim, pra mim, um ofício que representa 1% de inspiração e 99% de transpiração.

mas é o meu retrato.
minhas palavras, minha música.
ou melhor, Dele em mim...

ofício trabalhoso e lindo.
bom viver esse primeiro amor e todas as delícias da sua descoberta... :)

5.9.12

Ele e ele

Deus é incrível.

ensina o que a gente nem sabe que precisa aprender.
se soubesse, ia fugir do ensino.

Ele permite e assiste...
e Ele fala e ouve.
chega bem pertinho e no silêncio dessa realidade terrena, dá pra saber: é Ele ali.
não pode ser mais ninguém.

era Ele no horebe, Ele no sinai, Ele no mar da galiléia...

é Ele aqui comigo, e Ele lá com ele...
Ele ouvindo todas as preces!
é sempre Ele.
por isso, até aqui é ele; por causa dEle.

e assim eu descanso.
Ele sabe de mim e dele, e Ele cuida...

:)

2.9.12

:)

olívia e as historinhas que ela tem pra qualquer um ler antes de dormir.

ler e sonhar, fantasiar...
não pode haver mal em faze-lo durante o sono, certo?
pelo menos durante o sono...


14.8.12

um segundo


eu perdida no verde da floresta da varanda, e em um segundo, olhei pra dentro de casa.
o sol salpicado no sofá, numa amarelo quente, ia-se movendo, com o dançar das árvores.
pôr-do-sol.
foto, correndo. queria tirar uma foto.
achei o iphone, cliquei na câmera.
e ao mirar o sofá, testemunhei o sol dançante ser sugado pelas almofadas, assim, em um segundo. nada mais havia de dourado, ou de movimento...
a sala era da sombra novamente.

um segundo.
talvez menos que isso.
e o sol sumiu.
agora só amanhã, ou quem sabe quando...

não pude evitar o pensamento:
quanta coisa nos passa pelos olhos, pelas mãos, pela vida...
coisa bonita, coisa linda...
quantas delas realmente se guarda?
quanto disso tudo fica?

ao que é da natureza das coisas dessa vida que tudo suma nessa exata rapidez...
o certo não seria aceitar a brevidade desses lampejos de luz, apreciando cada um deles, e esperando em alegria pelo próximo?

há quem viva por esses segundos de beleza.
esses, eu chamaria de felizes.
há quem viva pela saudade deles, não importa quantas vezes se repitam.
esses, eu chamaria de amargos...

9.8.12

comprei 7 livros nessas minhas andanças.

um deles, "ostra feliz não faz pérola", traz uns pensamentos picados do rubem alves, sem muita linha, sem cronologia, sem muito polimento.
mas é bonito assim, na sua forma bruta.

sublinhei algumas, que foram lidas enquanto eu sobrevoava o atlântico:

"quem constrói uma casa faz um poema. por isso enchemos as casas de plantas, de quadros, de música, de livros (...)."

"a primavera é linda, cheia de cores, cios e odores. mas não me comove. não encontro nela lugar para a saudade. por isso lhe falta aquela gota de tristeza, que mora em toda obra de arte. (...) o outono é o ano que entardece". 

"catar conchinhas... eis aí uma deliciosa brincadeira para quem deseja ser escritor. a alma é um grande mar que vai depositando conchinhas no pensamento. é preciso guardá-las. (...) o problema com os aprendizes é que eles pensam que literatura se faz com coisas importantes..."

"na minha solidão, dou-me conta de que existe uma outra Pessoa cuja alma se parece com a minha. fico grato porque tal Pessoa existe. minha solidão se transforma em comunhão."

2 da manhã, quase 3.
tchau.

18.4.12

a primeira carta

amo cartas.
quem realmente me conhece sabe como prefiro escreve-las à mão e recebe-las assim.

recentemente encontrei um blog de cartas incrível! o título é "letters of note" e o subtítulo traduzido diz "correspondências que merecem um público maior".
leio esse blog por horas a fio! cada pérola...
qualquer hora reblogo uma carta de lá aqui.

hoje, arrumando minha biblioteca, encontrei uma relíquia.
provavelmente, a primeira carta que recebi na vida.
escrita pela minha irmã mais velha (11 anos mais velha) por ocasião do meu nascimento.
caligrafia infantil, papel de carta, e uma sinceridade que claro, me fez chorar...

o manuscrito:



a transliteração (rs!):

laurinha,


eu não sei costurar mas uma lembrança quero te dar.
espero que goste pois é do CORAÇÃO!
um chocalho para você brincar.
eu te amo, minha fofura.
seja boa e sempre ame a Jesus, "vio"?
sua vida está começando.
de proveito minha lembrança.


de sua irmã mais velha,


carol.


acho que ela não pensou que um dia eu fosse realmente ler esse escrito.
mas eu li.

e agradeço pelas palavras, pelo carinho, mas principalmente por ela.

26.3.12

são paulo


já estou aqui nessa minha cidade.
ela foi minha por um tempo considerável, e eu lamentei nossa separação precocemente...
fui pra longe, e sendo visitante, sinto que ela me acolhe quase maternal, entendendo que por mais  belo que seja seu laço com um rebento, existe uma hora em que ele vai precisar sair, conhecer a vida, e deixar o ninho...

hoje, já não mais lhe pertencendo, andei por suas ruas, visitei os sebos que gostava. reconheci restaurantes, alamedas, assisti filme, lembrei de mim nos dias que em que abandoná-la parecia impossível!

é engraçado crescer.
já não me dói saber que não mais sou dessa babilônia.
é bem o contrário.
gosto de saber que a conheço intimamente porque já estive imersa no seu cinza, na sua bagunça, no seu caos, que só entende quem pertence.

eu vim dela.
pra ela eu volto de quando em quando.
mas estou feliz em poder conhecer e viver em partes mais coloridas do mundo, e ter como "refúgio" sua paisagem neutra e nublada.

tive saudade dela.
ela está em mim.
mas já não é mais minha...
e não me dói.
eu olho e entendo.
hoje, eu extraí o que nela há de melhor...

paulistana-desertora-visitante,
com um sorriso tão grande.

eu prefiro esse status.

como ouvir música - 8 dicas práticas


estou reblogando esse post.
extraído daqui.

até pensei em traduzi-lo, mas já é hora passada.
tarde da noite.
na pior das hipóteses, e se você, leitor, quiser muito entender, copie e cole o conteúdo no google translator, e a tradução aparecerá instantaneamente :)

interessante, prático e verdadeiro!!
meu desejo é que todo mundo ouça música da maneira mais reverente e respeitosa possível.

ao contrário do que dizem por aí, ouvir exige treino e exercício...

:)



1. Listen blindly. Listen to a work not knowing who wrote it, or the title of it, or the style and when it was written. Just you and the physical music, with no preconceptions or artificial mental expectations or without knowing anything about it’s origins or classifications.
2. Listen bodily. Listen with your gut, your own visceral reactions, your own emotional responses, your own freedom of imagination. Approach music as an innocent, like a primitive or a baby, and enjoy the “nourishment of impulses” that feed your body and mind. This kind of listening can be exhilarating, bewildering, exciting, calming, inspiring, emotional, or mesmerizing, but the physicality of “real world” sounds is key to this visceral musical experience. Let your whole body literally vibrate, resonate, and pulsate with the music, in a literal sense, and enjoy the sheer physicality of sound.
3. Listen with both ears.  This means focusing on the sounds as well as the overall flow of the music. Listen to the individual parts and the whole of the music, from the tiny details to the shapes of the phrases to the overarching form. Listen to the changes, to the repetitions, the recapitulating elements, the rhythms, the themes, and the instruments physically creating the sounds. Listen stereophonically with both ears, to bring into focus the whole from different perspectives of listening, just as the eyes view stereoptically through binoculars, bringing the world into a harmonious singular focus from two different visual perspectives. In order to learn this focused art of listening, sometimes it is helpful to listen with the left ear only or the right ear only, because the brain processes sounds differently in each hemisphere. Focused listening with both ears finally unites the parts within the whole, tying together the innocence of pure, immediate sounds with the experience of reflection and holistic context. As you listen with both ears, you gradually assimilate experiences into a wider frame of context and expectations, enriching your understanding of music.
4. Organize your listening experiences. Enjoy the immediacy of music, but find a disciplined way to track your listening experiences. Group musical works in ways that help you remember them, and compare them with others by organizing them in different ways: by composer, style, historical period, genre, instrument, favorite artists. Deepen your reservoir of music by taking notes, comparing music, counting the works that you really “own” as part of your own personal listening and/or performance history. Save your concert programs, record in a notebook new music as you encounter it, along with your reactions to the experience.
5. Listen to live music. No recording or video can replicate the full experience of listening to music live, in the flesh, with the musicians who are performing the music. This enriches your own experience of music, and it is equally vital to the musicians who are performing the music. Music is a social art, in which the musicians communicate directly with the listening audience. The living, breathing personal exchange of music dies when live music is replaced by second-hand music.  So support your local symphony, opera, musical theater, ballet and other musical groups, and enjoy the personal human bond that live music offers to both listeners and performers.
6. Join in the music making. Improve listening skills by performing music, especially with others. Sing, dance, play an instrument, move to the beat, or just tap your foot. But physically enter the world of music to focus your active listening skills. Playing music together requires listening actively and cooperatively to others, making music the ultimate social art.  Becoming physically part of the music as a performer necessitates and fine-tunes our listening skills.
7. Expand your listening world. Indulge in the music you love, but adventure periodically into new worlds of music that are foreign to you. If you are a big symphony buff, try a Gregorian chant or an intimate solo or chamber concert for a change. You may love rock concerts, but venture to an opera to understand that the same emotional combustion of love and music once had Italian audiences shouting in pleasure or despair. If you only listen to Western music, taste a little of the East in the complexities of Indian or Chinese music. If you love contemporary folk music, discover the folk tunes rampant in Mozart, Beethoven or Copland. If you normally turn to classical music for soulful comfort, enjoy a change of pace by sinking into a blues ballad, or a Piaf chanson, or a tearful Portuguese fado. Opera buff? Go see a ballet for a wordless change of pace.  If you are trapped in repertoire of the 19th century, venture forth into the 20th and 21st, as there’s a lot going on. Push your sonic limits beyond the comfort of your own narrow world of music. Ultimately, as your music listening grows, so do you. Your character, your morality, your tastes, your aspirations, are often reflected in your listening choices. Widen your listening framework, and you will find yourself growing and developing and changing, and yes, even improving.
8. Don’t let a day pass without listening to music. It’s not enough to go to music class or practice your instrument daily. Incorporate a 10-minute diet of listening into your daily menu. Something old, and something new. Enjoy the daily “comfort” foods of your familiar musical diet, but also whet your appetite with new, unfamiliar music every day. Record your impressions (see #4) and watch your experiences and tastes expand!
Footnote:
Roger Shattuck, who mentored me in graduate school, once wrote a surprisingly simple-sounding yet thought-provoking essay entitled “How to Read a Book.”  His ideas on “how to read a book” directly inspired my own essay on “how to listen to music.”