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25.6.14
24.6.14
uma saudade "matada"...
a semana passada foi uma das mais cansativas dos últimos tempos.
mas nela, matei a saudade de cuidar, e de ensinar crianças.
quando acabou a semana, senti um aperto no coração, e uma saudade precoce.
e então, eu soube que esse amor vai me acompanhar pra sempre, por onde eu for...
28.2.14
o mundo da música chora por vc, paco...
pude assisti-lo em 2012....
e esses dias, ele se foi.
que semana triste!
fica aí, a minha lembrança em vídeo... um vídeo tremido e ruim, e uma música que nunca mais existirá...
28.8.13
1.7.13
"a terceira margem do rio"...
hoje foi noite de guimarães rosa pra mim...
reli uns pedaços favoritos de "sagarana" e li pela primeira vez o conto do título aqui...
tão triste quanto bonito.
mas essas duas coisas me assaltaram com tanta força, que acho que não consigo dormir.
e amanhã tenho médico cedo...
vou copiar e colocar tudo aqui.
uma escrita fina e regional.
tão sensível que a leitura não é um mergulho; é um afogamento.
se você não quer esse sentimento duplo de tristeza e encanto, não leia.
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.
A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.
Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.
Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.
Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.
Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.
reli uns pedaços favoritos de "sagarana" e li pela primeira vez o conto do título aqui...
tão triste quanto bonito.
mas essas duas coisas me assaltaram com tanta força, que acho que não consigo dormir.
e amanhã tenho médico cedo...
vou copiar e colocar tudo aqui.
uma escrita fina e regional.
tão sensível que a leitura não é um mergulho; é um afogamento.
se você não quer esse sentimento duplo de tristeza e encanto, não leia.
A Terceira Margem do Rio
Guimarães Rosa
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.
A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.
Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.
Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.
Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.
Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.
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6.5.13
"bloody daughter"
minha tia que mora na suíça veio passar uns dias conosco aqui nos eua, e em certo momento, me trouxe uma felicíssima novidade: "há um documentário novo sobre a martha, aquela pianista que você gosta. está passando nos cinemas lá na suíça.."!
eu nem fazia idéia.
no mesmo momento, obviamente, fui pesquisar a respeito.
e é melhor do que eu pensava.
sua filha mais nova, stéphanie argerich, é cineasta e resolveu fazer um longa metragem com formato de documentário sobre a mãe, e não sobre a pianista. a obra foi intitulada "bloody daughter".
martha tem três filhas, cada uma de um casamento. stéphanie é a mais nova, fruto do casamento com o não menos famoso pianista Stephen Kovacevich.
o interessante é que alguns já tentaram fazer documentários sobre a martha, com o intuito de expor a natureza reclusa e complexa da pianista, mas nunca deu certo...
ela fala, fala, fala, e parece que não deu pra conhecer nem 2% do que ela é realmente.
coisa engraçada essa...
dessa vez, a filha resolveu fazer a tentativa, construindo algo parecido com um retrato de família, que envolve as três filhas, os dramas de ser filha de artistas, e imagens coletadas ao longo da vida.
mesmo assim, eu ainda não acredito que dê pra conhecer tanto da martha... mas acho a tentativa válida: certamente será interessante esse novo olhar.
enfim, vou ter que esperar pra saber, porque no momento, o documentário está sendo exibido apenas na suíça, e não tem data marcada pra chegar aos estados unidos...
abaixo, uma entrevista com stéphanie argerich, e logo em seguida, o trailer do documentário (que está em francês, mas dá pra pegar o fio da meada :)
by Rodrigo Carrizo Couto, swissinfo.ch
January 24, 2013 - 11:00
Classical pianist Martha Argerich is the focus of an intimate documentary, Bloody Daughter, by her youngest child, Bern-born Stéphanie Argerich.
The Franco-Swiss production, which looks at the issue of reconciling motherhood and a career, is being shown for the first time in Switzerland at the Solothurn Film Festival, which runs until January 31.
Martha Argerich, considered a “goddess” by her daughter and the greatest living pianist by many others, is a Swiss citizen and performs every year at the Martha Argerich Project in Lugano.
swissinfo: Where did the idea for the film come from?
Stéphanie Argerich: I’ve been thinking about Bloody Daughter for about ten years. At the beginning I was following my mother alone on tour in Japan, Argentina and Poland. But I lost motivation working on my own and moved onto other things. After the birth of my first son I wanted to finish the film. My mother has always fascinated me as someone who really should be filmed.
swissinfo: So for you Martha Argerich is not a piano legend but simply your mum?
S.A.: Absolutely. During the filming I had to keep reminding myself that I didn’t see her the same way as the general public, and so I had to keep my distance in order to maintain a coherent narrative. My mother is such a complex person that it was really difficult in the editing to decide what to show and what to leave out.
![]() |
| martha e as três filhas, da esqueda para a direita: a mais velha, lyda chen, a filha do meio, annie dutoit, a própria marta e a diretora do filme e mais nova, stéphanie argerich. |
swissinfo: Are you worried classical music fans may be disappointed by your film, as it doesn’t really talk about music?
S.A.: I don’t see why. If they admire my mother, they will be happy to discover other sides of her life. Some might be shocked to see Martha Argerich in pyjamas. But that’s their problem not mine! That’s how I’ve always known her.
![]() |
| martha, stephen kovacevich, e as filhas stéphanie e lyda. |
swissinfo: In the film you say, ‘I’m the daughter of a goddess’. What did you mean?S.A.:
It’s obviously supposed to be humorous. I hope viewers understand that. She is so unbelievably beautiful and talented. She has this magic about her which I truly believe in. It’s difficult to explain, but I believe there are people who are different, in their own category. My mother is one of those exceptional people.
swissinfo: In the film you say, ‘I’m the daughter of a goddess’. What did you mean?S.A.:
It’s obviously supposed to be humorous. I hope viewers understand that. She is so unbelievably beautiful and talented. She has this magic about her which I truly believe in. It’s difficult to explain, but I believe there are people who are different, in their own category. My mother is one of those exceptional people.
swissinfo: But isn’t being the daughter of a goddess a burden – or does it help you?
S.A.: Both. On the one hand living with someone like my mother is deeply inspiring. But on the other, when I look at myself I wonder what I’m doing with my life. You can’t help comparing yourself to her. Since I was a young girl I have always realised that I could never achieve what she has. Growing up with that kind of burden is not easy when you are trying to build self-confidence. At the same time she has a very magnetic, powerful personality which is difficult to detach yourself from. That requires a Herculean effort.
swissinfo: What did your mother think of the film?
S.A.: She says she is ugly and says uninteresting things, and she doesn’t like to see herself in pyjamas (laughs).
swissinfo: There is a very special moment in the film when we learn that your mother lost the custody of her first daughter, Lyda, as she was not capable of looking after her.
S.A.: Yes, it’s very powerful. The film title is not just about me. It’s also about Lyda to a certain extent. This is a taboo subject in our family. You could say the story of Lyda represents the goddess’s dark side
swissinfo: What nationality is your mother?
S.A.: She’s [Argentinian] but also a Swiss citizen and lives in Brussels. She doesn’t have strong ties to a particular country, whether it is Belgium, Switzerland or Argentina. She belongs to those people who have no clear roots. Her country is her music and the musicians.
swissinfo: But Switzerland was not just a footnote in her life…
S.A.: No, of course not. She was very happy in Switzerland. Her international career began when she won the Geneva International Music Competition [in 1957]. This made a big impression on her. She also lived here with her mother, and in Geneva she struck up a long-standing friendship with the Brazilian pianist Nelson Freire. When she looks back on her childhood here, she talks about her fascination with the security and sense of protection in Geneva – being able to leave your house and car doors open.
swissinfo: Do you think your mother is misunderstood in the music world?
S.A.: Perhaps. She is a rebel and has a very democratic view on life that doesn’t fit well with the rules of the musical world with its stars and privileges. During the Martha Argerich Project in Lugano, all the artists are paid the same. But obviously this egalitarian approach shocks promoters and music executives.
swissinfo: One of your mother’s strongest character traits is said to be her generosity.
S.A.: That’s true. She is a very generous mother in a musical profession in which generosity is often missing. She is so generous that she is often taken advantage of. She doesn’t know how to say no and is afraid of generating hostile reactions. Sometimes it’s easier for her to do what people ask and then move onto something else, so that people leave her in peace (laughs).
Rodrigo Carrizo Couto, swissinfo.ch
(Translated from Spanish by Simon Bradley)
9.4.13
post de avião
comida de avião é o fim!
que tristeza...
enquanto eu estou aqui, sobrevoando o estado do texas, lembrei desse pecado (do qual não me arrependi! :)
...
bolo floresta negra, bolo de framboesas, chocolade quente feito com chocolate mesmo e a branquíssima floresta que é negra lá fora...
ó.
que tristeza...
enquanto eu estou aqui, sobrevoando o estado do texas, lembrei desse pecado (do qual não me arrependi! :)
...
bolo floresta negra, bolo de framboesas, chocolade quente feito com chocolate mesmo e a branquíssima floresta que é negra lá fora...
ó.
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6.3.13
nostalgia - yoyo-ma + ennio morriconi
já é hora de correr pro embarque.
mas eu quero deixar esse pouco de beleza, que me acompanhou bastante nessas últimas semanas.
eu digo pouco porque é curta a canção, mas nela há baldes e mais baldes de tanta coisa linda....
boom dia :)
mas eu quero deixar esse pouco de beleza, que me acompanhou bastante nessas últimas semanas.
eu digo pouco porque é curta a canção, mas nela há baldes e mais baldes de tanta coisa linda....
boom dia :)
22.2.13
a maturidade
poucos dias atrás, eu postava embasbacada sobre esse menino, yoav levanon, que me arrancou suspiros com sua música incrível aos 7 anos de idade.
fuçando, encontrei este outro vídeo.
aqui, ele se apresenta com um porte diferente, muito seguro, numa peça muito mais longa (um CONCERTO pra piano e orquestra), do alto dos seus 8 anos de muito amadurecimento!!
rs...
o incrível é que realmente, em 1 ano, como o som amadureceu... é fácil chegar a essa conclusão não só pela performance do concerto, mas em nível comparativo, é fica claro esse amadurecimento durante o bis, em que ele tocou o impromptu op. 29 n.1 de chopin: o mesmo que tocou nesse primeiro vídeo que postei!
os deslizes são mínimos, e mesmo quando eles ocorrem, yoav parece se enfurecer e faz da performance seguinte algo ainda mais surpreendente. tem muito mais alma e a peça já é mais "dele" do que antes...
de modo geral, ele tende a correr, tocar tudo mais rápido. não só porque ele pode, mas porque isso é típico da idade. nota-se bastante isso no terceiro movimento do concerto...
mas no segundo movimento, quase choro!
que alma, que alma...
de modo geral, ele tende a correr, tocar tudo mais rápido. não só porque ele pode, mas porque isso é típico da idade. nota-se bastante isso no terceiro movimento do concerto...
mas no segundo movimento, quase choro!
que alma, que alma...
segue aí, o concerto para piano e orquestra de joseph haydn em ré maior, por um menino de o-i-t-o anos de idade, que não simplesmente toca, interpreta!
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pra assistir,
recomendo
15.2.13
happy valentine's day!
se você está no hemisfério norte (ou mesmo que não esteja) e celebrou esse dia dos namorados, meu desejo é que seu dia tenha sido cheio de mimos, sorrisos e muito amor...pq o meu foi, rs!
não tem coisa melhor do que agradar quem a gente ama...
ps: o blog está formatado no horário do brasil, e eu não consigo trocar. aqui nos eua ainda são 11:35 pm do dia 14 de fevereiro....rs!
12.2.13
história da música
um blog empoeirado...esses dias, recebo essa pérola do rodrigo coelho no facebook.
muito obrigada!! realmente, tem tudo a ver com o blog...
a história da música todinha compilada num quadro branco, desenhada por mãos habilidosas!!
vale MUITO a pena assistir!!!!
ah! e assistindo o vídeo, eu lembrei de compositores que estudei na faculdade e nunca mais ouvi...
fui correndo pro meu arquivo HM (história da música) no computador pra ouvir coisas de palestrina, lully, purcell, telemann...
para acessar o vídeo, copie e cole esse link:
http://www.facebook.com/video/embed?video_id=10151483595111414
enjoy :) :)
17.1.13
retrospectiva 2012
em 2012 eu:
viajei bastante pra cantar,
| rio de janeiro |
| recife |
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| flórida, usa |
| rio de janeiro |
vi minha melhor amiga se casar...
conheci lugares que eu nunca pensei que teria a oportunidade de conhecer,
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| mar morto, israel |
![]() |
| jordânia |
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| massada, israel |
![]() |
| mar morto, israel |
![]() |
| mar da galiléia, israel |
| petra, jordânia |
| petra, jordânia |
| monte nebo, jordânia |
| monte nebo, jordânia |
| aaman, jordânia |
| rio jordão, israel |
| muro das lamentações, jerusalém, israel |
| muro das lamentações, jerusalém, israel |
| muro das lamentações, jerusalém, israel |
| roma, itália |
![]() |
| roma, itália |
![]() |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália (pietá, de michelangelo) |
![]() |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
| roma, itália |
assisti concertos inesquecíveis,
| itzhak perlman |
![]() |
| paco de lucia |
| duo assad |
| yoyo ma |
![]() |
| john pizzarelli e kurt elling |
| herbie hancock |
e... encontrei quem faltava! :) :) :)
mas Deus, embora não sem dor, permite o que é ruim algumas vezes, e nos afaga com o bom.
por isso, eu não espero menos de 2013...
meu Deus é o mesmo.
se Ele me deu isso, eu continuo confiando que Seu amor é infinito, e suas bênçãos também!
só me resta agradecer, e ficar curiosa pra que os planos dEle se concretizem em mim.
:) :) :)
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