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24.6.14

arte das terças: johannes vermeer

muitas terças depois, e o "arte das terças" está de volta.

em 2012, fiz um relato sobre minha visita ao museu do louvre. nele, falei rapidamente sobre minha passagem pela ala das pinturas holandesas.

pois bem! minha maior curiosidade em ir ao louvre sempre se deu devido a vontade de ver ao vivo as pinturas de johannes vermeer, que é o nosso pintor de hoje.

foi um artista holandês do século 17, e por séculos, intrigou a crítica e o público interessado em arte pela luminosidade incomum que suas pinturas têm. essa é uma característica que se repete invariavelmente em sua obra.

outro traço intrigante é a quantidade de detalhes e de cores que geralmente o olho humano não pode perceber! tudo isso, ele conseguia incluir em suas telas. nenhum de seus contemporâneos conseguiu reproduzir essa riqueza de detalhes e matizes, que faz com que os quadros de vermeer pareçam imagens fotográficas.

eis aqui algumas de suas obras mais famosas:

girl with a red hat

os próximos dois estão no louvre, e foram os que eu vi quando fui :)

the lacemaker

the astronomer
the music lesson

women with a water jug

e o mais famoso de todos (tem até filme sobre esse, que diga-se de passagem, é ma-ra-vi-lho-so!):

girl with a pearl earing

quando cheguei ao museu do louvre, passei pela monalisa. mas tinha tanta, tanta gente, que fui procurar refúgio na ala das pinturas holandesas, onde vermeer reina! :) 

essas foram as fotos que eu tirei dos quadros dele expostos lá.
são bem pequenos (isso foi decepcionante), mas realmente a luz que ele conseguia trazer para as suas telas é impressionante!!!!




a verdade é que há tempos, estudiosos desconfiam que vermeer era um intelectual, que se utilizou da mais avançada tecnologia da época para aprimorar sua técnica. o que sempre se soube, é que ele usava a camera obscura, que seria um ancestral da câmera fotográfica que temos hoje. há livros e estudos publicados sobre o assunto.

mas um inventor sagaz chamado tim jenison foi mais a fundo, e resolveu ir `as últimas consequências para descobrir a técnica que vermeer usava!!! essa jornada começou em 2008 e durou 5 anos, transformando-se num filme chamado "tim's vermeer", lançado semana passada :)

tive a alegria de assisti-lo anteontem (meu pai comprou e assistimos juntos), e fiquei absolutamente embasbacada com a inteligência desse inventor!!! no filme, ele alega que vermeer não usava somente a camera obscura, mas usava uma combinação de lentes, luz e espelhos para conseguir pintar tão perfeitamente quanto uma imagem fotografada! para provar isso, tim jenison reproduziu fisicamente o cenário do quadro "the music lesson", e mesmo sem ser pintor, se propôs a pintar o mesmo quadro usando essa técnica!!!! e CONSEGUIU!!!!!!!! é impressionante!!!!!!

vale MUITO a pena assistir!!!

eis aqui o trailer :)



o ponto de tudo isso é provar que a tecnologia e arte não são rotas opostas, e podem sim, andar de mãos dadas, se o objetivo é atingir o melhor resultado possível!

e palmas pra johannes vermeer, que no século 17, conseguiu desenvolver uma tecnologia de pintura que consagrou sua obra, diferenciando-o de tudo o que existia em seu tempo! :)

12.2.14

bonito



a beleza pode nos passar pelos olhos, enchê-los de vida;
se não há nada de belo por antes destes, é morte que reina quando a beleza se vai.
mais bonito que a própria beleza é a arte de fazê-la perene, em alguém, naquilo, nisso.

beleza por si não adianta nada...
ela vem e vai.
a vida mais vivida é quem melhor apresenta essa tristeza de verdade.

nem tanto a beleza de traços, de olhos, daquelas que desenhista gosta.
mas de cores, de ares, instantes...

nada mais lindo que ver a beleza passar... e ser tudo ainda tão bonito.


27.8.13

de antes e agora


eu antes gastava meus dias procurando partituras, me alegrando com descobertas de blogs sobre música, habitando livrarias, garimpando concertos possíveis e sonhando com os impossíveis.
passava meus dias ouvindo e descrevendo, tirando conclusões sozinha e me contentando com elas.
eu antes vivia o meu próprio mundo de música, de livros, de arte... e de abstração.
vivia para o trabalho e para realizar coisas.
vivia inflamada pelo amor `a arte, que era tão real quando inatingível.

hoje, eu ando por livrarias e compro revistas de decoração, de casamento, livros de conselhos sobre relacionamentos...
hoje eu me preocupo com os diferentes tons de branco, os nomes das flores e dos tecidos...
eu garimpo sites de móveis usados, gasto meu tempo no trânsito para a casa que logo será minha, ando com uma fita métrica na bolsa e com as medidas de cada cômodo e converso, discuto... falo e ouço muito!
hoje eu vivo num mundo em que a minha opinião não é a única, e nele, chegar a uma conclusão demanda trabalho e tempo.
eu hoje vivo para alguém, e para realizá-lo... vivo inflamada pelo amor a ele, que é tão irreal quanto palpável.

na verdade, das minhas audições cuidadosas, sobraram os momentos no carro, nas horas de trânsito, em que as rádios eruditas (90.9 e 91.5) se revezam. quando uma fica muito histérica (strauss, tchaikovsky) eu mudo pra outra (mendelssohn, schubert)...principalmente de manhã.
esses carros de hoje em dia tiraram toda a graça de ouvir rádio erudita: não dá mais pra adivinhar o compositor ou a obra. os visores eletrônicos contam tudo isso... malditos!

a vida segue.
a vida corre.

`as vezes tenho saudade de mim.
mas então me olho e vejo que não mudei; me ajustei...

simplesmente, não sou mais só eu.
e a vida a dois é isso...

é muito melhor viver um amor do que ser inspirada a um, sem tê-lo...
é muito melhor ser eu e ele, do que só eu e música...
porque no fim das contas, seremos sempre ele, eu e a música!

:)

1.7.13

arco-íris


experimentando todas as suas cores...
e entendendo que "qualquer amor já é um pouquinho de saúde"...
aliás, se é assim, virei imortal :)

9.4.13

sobre a música e suas pressões

faz tempo que não re-posto os escritos do regente mark wigglesworth.
lendo seu blog hoje, achei esse tema interessantíssimo e ultra pertinente pra quem faz música.

o que dizer das pressões que todo músico enfrenta? 
neste texto, o autor analisa as críticas e o papel que elas exercem no mundo erudito. 
mas fora dele, mesmo que não sejam escritas, as críticas podem ser cruéis e desinformadas...
como lidar com isso? não adianta fingir que não existe, porque existe e é forte, forte!

tão pertinente a citação que wigglesworth faz de aristóteles no fim do texto, em que o filósofo diz que para evitar a crítica é preciso "não dizer nada, não fazer nada e não ser nada"...

a quem já teve seu precioso tempo se ocupando com esse tópico, e se chateando, eis uma leitura interessante :)

ps: o texto está em inglês, mas nada que o google tradutor não resolva! a leitura vale a pena :)


Press Ups and Downs

A performer’s relationship with the critics is complicated but unavoidable

Mark Wigglesworth 11:31am GMT 8th February 2013
Ask musicians if they read their reviews and they either say yes, or they say no, or they say no and mean yes. It’s a slightly taboo subject but, like it or not, criticism is a fundamental part of the music world. The relationship between performers and critics is symbiotic, an intriguing equilibrium hovering somewhere between wary respect and circumspect appreciation. Performers have the power to move thousands. Critics can validate it to thousands more. Or not.
It’s unfortunate that a critic’s job description carries with it such negative connotations. But without disapproval, approval has no context. No one wants universal castigation, yet there’s also something disturbing about constantly gushing superlatives. Perhaps it’s true that the most interesting performances are those that divide the critics completely.
One of the biggest dangers for performers is to become self-conscious, and though there are things one can learn from what are normally unbiased reactions, over-engaging in reviews makes it harder to avoid that. And opening yourself up to the influence of any number of different opinions can confuse and dilute your own view. Most performers are their best, and certainly harshest, critics and the wider scale of other people’s observations, whether good or bad, shouldn’t out-weigh the value of one’s own personal opinions. There’s plenty to gain from discovering what someone thinks of your work, but in the end there’s probably more to lose.
Unfortunately, avoiding reviews is difficult. Even if curiosity, or vanity, doesn’t prevail, you tend to discover how your performances have been received. It’s funny how there are always plenty of people who mention your good reviews, yet no one lets you know when the opposite is the case. The ominous silence in the days that follow some concerts tells its own story. And however much one can be encouraged that there’s never been a musician who hasn’t been lampooned at some point by someone somewhere, negative criticism undoubtedly has an effect. ‘I pay no attention to anybody's praise or blame. I simply follow my own feelings.’ That’s easy to say if you’re Mozart. After a bad review it’s hard to agree with Oscar Wilde that it’s ‘better to be talked about than not talked about at all’. Most performers are insecure. Self-doubt is a pre-requisite to discovery. But there’s a difference between asking questions of yourself in private and having them answered by others in public.
Nevertheless, dealing with criticism is a small price to pay for the privilege of performing and the two have always gone hand in hand. I doubt Aristotle was being original when he said the only way to avoid criticism is to ‘say nothing, do nothing, and be nothing.’ Hopefully one develops a skin sufficiently thick to stop the jibes getting in, yet thin enough to allow one’s own feelings to still get out. To combine sensitivity with insensitivity and to remain relaxed about the judgements of others isn’t easy. But it’s a worthy goal to have - whether you’re a performer or not.

o fundo do mar

uma canção que sai do nosso corpo, do coração, da mão, da mente é quase tão nítida quanto uma foto no espelho, só que por dentro.

essa, em especial, foi um divisor de águas pra mim.
sou antes e depois dela.
porque foi nela que experimentei a verdade da liberdade.

queria que todo o mundo visse, soubesse, entendesse...
como não consigo, eu canto.

6.3.13

os homens da religião


se dormi 2 horas essa noite foi muito.
voo internacional cedo de manhã é triste e feliz.
triste porque isso significa cruzar a cidade de são paulo antes das 6 am (zzzzzz) e feliz porque as 5 da tarde, eu estarei em casa, lá em washington...

as 5 am, o taxista passou pra me buscar, não menos sonolento do que eu.
meu plano era entrar no carro e dormir profundamente os 40 minutos sem trânsito de marginal tietê... mas a conversa com o motorista aconteceu, e aconteceu tanto, que aqui estou, ainda acordada.

qual a sua profissão?
cantora... venho ao brasil pra cantar.
nossa! 
silêncio.
você canta aonde? em bares? festas?
não, não! sou cantora de música cristã.
ah! música gospel?
isso!
então você canta mais em igrejas, né?
exato!

e assim se desenrolou uma enorme conversa de um dito "não religioso" que sabia tudo, absolutamente TUDO sobre as fraudes de alguns dos líderes religiosos brasileiros, que de vez em sempre aparecem na televisão envolvidos em escândalos... ou então, num jatinho particular, com dezenas de pinduricalhos de ouro e fazendas com milhares de cabeças de gado...

isso tudo o taxista me contou em detalhes.
contou o nascimento de 3 denominações evangélicas no brasil... como elas aconteceram, como se tornaram conhecidas e com muita indignação, ele citava escândalo atrás de escândalo, sempre transtornado com a idéia de dízimo, de oferta... foi quase uma aula de história denominacional brasileira.

chegando ao aeroporto, já não havia muito mais tempo.
eu com o coração apertado. que coisa triste essa bagunça, essa má impressão, e pior, a generalização inevitável.

ele arrematou: "não sou religioso, mas acredito que a religião seja uma coisa boa. ajuda as pessoas e faz bem a muita gente... hoje em dia eu não preciso da religião, mas se um dia eu precisar, eu viro religioso..."

desabafos a parte, estava ali alguém sincero e absolutamente descrente, cego pelos homens da religião, e não pelo Deus da religião.

falei pouco sobre mim, minhas crenças. não porque eu não quisesse, mas não deu tempo... o que aconteceu ali foi um imenso desabafo.
o trajeto ao aeroporto que geralmente é eterno, foi curto hoje.
meio sem jeito, e com MUITA raiva por não ter um cd meu na bolsa (como geralmente tenho), eu disse: "laura morena. se o senhor tiver tempo, entra no youtube depois e assiste. há vídeos lá."
ele parou o carro, pediu pra eu repetir o nome, achou um bloco de papel e anotou.
"é pra eu não esquecer. vou assistir sim".
e eu saí me desculpando novamente por não ter um cd na bolsa (que raiva!)...

assisti o carro partir, e pedi misericórdia `Aquele que personifica essa palavra.

misericórdia pelos erros, pelos enganos, e pelos sinceros que precisam de óculos para enxergar o Deus além das placas de igreja, do dízimo, das fraudes... pedi que Ele lhes abrisse os olhos, o coração fechado...

nem sei se ele vai ouvir algo que canto.
não sei se algum dia ele se interessará por igreja alguma, por Deus...
mas sem o tempo suficiente, a única coisa que pude deixar foi a música, pra que ela diga o que eu não consegui... seria desolador partir em silêncio.

meu coração tem aquela esperança quase pueril.
quem sabe, ele compreenda o amor... é na realidade o que eu mais queria.
quem sabe...

12.2.13

davi

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tumba de davi, monte sião, jerusalém

tenho um sobrinho chamado davi.
mas não é sobre isso que vou escrever...

davi é um personagem bíblico muito popular, e por isso, gera todos os tipos de reação a seu respeito.
já ouvi muitos pregadores que amam sua história, apontando suas quedas, mas exaltando o "homem segundo o coração de Deus";
já ouvi pregadores indignados com a popularidade excessiva atribuída ao adúltero e impulsivo rei de israel.

nunca construí uma opinião. 
era um personagem sobre o qual eu ouvia ao longe...
então, li os livros de I e II samuel numa sentada só.

a primeira coisa interessante é esse modo judaico de se contar uma história, de ensinar lições através dos detalhes da vida de alguém, ou de um povo...
uma vez, ouvi um teólogo dizer que se o antigo testamento fosse escrito por gregos, as lições seriam passadas por meio de estatutos; sendo ele escrito por hebreus, tudo é ensinado por meio de histórias...
bonito isso.

lendo os detalhes da longa e intensa vida do rei davi, achei beleza em diversos níveis:
davi era artista, era músico, e seu modo de expressão era através da arte, escrevendo quando tinha medo, quando estava alegre, agradecido, arrependido, inseguro...
davi tinha um temperamento dominante, forte, mas se derramava completamente quando na presença do Eterno.
davi era guerreiro e liderava batalhas imensas, mas gastava tempo refletindo sobre a beleza inexplicável do caráter Divino, que ele sabia ser sua única fonte de força e vitória.
a mais linda parcela da produção literária/musical de davi foi escrita durante a dor, e na minha opinião, a sua pena produziu um dos pedidos de perdão mais lindos que alguém já escreveu...

nisso tudo, me identifico muito.
vendo que o Eterno deu força e triunfo a davi, mantendo intocada sua alma sensível e melancólica.

nos livros de I e II samuel, a história descrita. 
nos salmos, a arte; agora, é exatamente lá que estou...
e por lá, poderia passar uma vida toda, bebendo tanta inspiração, sinceridade e beleza.

pra hoje, fica o salmo 40.
estão em negrito as passagens que sublinhei na minha bíblia.
bom dia :)



[Salmo de Davi para o músico-mor] 
Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.
Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração.
Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR.
Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

2.1.13

da listinha do ano passado

no dia 31 de dezembro de 2011, fiz um post com meus desejos pra 2012...
foram estes:

mais retratos do sol se pondo às sextas-feiras, sem serem tirados das alturas, durante um voo;
mais amoras, framboesas, cerejas e mirtilos;
mais horas debruçada sobre as teclas yamaha;
mais tempo pensando no que é, e não no que foi ou será;
mais páginas escritas no circle book, mais músicas"recebidas", mais tempo pra minha sensibilidade;
mais alegrias compartilhadas, mais palavras em conjunto, mais comunidade;
mais coragem para falar o que existe de bom no outro;
mais canto, mais encanto;
mais lugares distantes e belos;
mais gratidão, mais generosidade, mais consciência;
mais qualidade de vida na paciência;
mais foco no que tenho, mais confiança nEle;

menos atenção às decepções...
menos medo de andar de "olhos vendados";
menos dias que começam às 6:00 am;
menos exigências, igual eficiência.

nunca havia feito uma lista de propósitos/desejos pro novo ano. foi a primeira vez.
além das novas culturas descobertas, lugares visitados, pessoas que conheci, mudança de país, esse ano eu ganhei o que não esperava...


é bom olhar pra lista, e perceber que a realidade foi melhor do que os desejos... :)


2013

a gente entra nele sem saber se o caminho vai ser de luz ou de noite.
mas ele abre a porta e nos invade, sem pedir, sem avisar; só acontece.

num ano com tanto a se descobrir, com tanto tempo a se aproveitar, que o Eterno me guie pra trilhar os caminhos de luz, e se eu os encontrar, que eu os mostre aos outros, que ainda andam perdidos na escuridão..

se eu não os encontrar, que Ele me envie outros que já neles estão, e que assim, me iluminem.

feliz ano novo.
meu desejo é um 2013 iluminado.


20.12.12

quando?


mais uma madrugada em claro.
segundo dia de férias no brasil, e o fuso ainda me maltrata...

vou aproveitar a ocasião pra falar de algo que muita gente tem me perguntado:

"e o disco novo? quando vem?"


pra quem me acompanha aqui no blog há mais tempo, não é novidade que pra mim, fazer disco é realmente um processo longo e minucioso.
foi assim no primeiro disco, e não acredito que será diferente no segundo, com a seguinte ressalva: eu espero, com todas as minhas forças que não demore tanto.
essa atenção `as minúcias nada tem a ver com demora.
no primeiro disco, houve uma série de circunstâncias que contribuíram para que este demorasse mais do que o normal para ser lançado.

não tenho previsão do lançamento do próximo.
entretanto, já comecei a trabalhar nesse novo disco há algum tempo.
compondo, recebendo canções aqui e ali, e entendendo o conceito do disco como um todo.

eu peço oração de todos aqueles que puderem/quiserem contribuir de alguma forma para que esse ministério continue...
não é fácil nem barato.

mas é possível segundo as misericórdias do Senhor.
Ele já me provou isso uma vez, e sei que continua comigo nessa caminhada...
afinal de contas, ela só existe pra espalhar a quem quiser ouvir sobre a Sua palavra e o Seu amor.

10.12.12

e se houver?

li o livro de uma fulana, e pensei nessa avalanche de manifestações artísticas nascendo, surgindo a todo segundo, de todos os cantos...
conversei com outro fulano a respeito, e falei dessa coisa de escrever, de mostrar o que foi escrito, compartilhar. ele atestou: "não há nada de errado em publicar, contanto que haja algo a ser dito"...
pensei, pensei em todo o resto, e cheguei `a triste conclusão que esse nem sempre é o caso.

tanta gente querendo um lugar ao sol em nome da arte.
será que há tanto a se compartilhar? será que realmente há algo a ser dito?
a minha impressão, por vezes, é que o mundo está cheio de vaidade andando por aí disfarçada de generosidade... abrir a alma oculta e colorida de artista é claramente um ato de coragem.
`as vezes, nem sei se é o certo faze-lo por inteiro; mas há um sentimento de culpa em faze-lo pela metade...
são poucos os que genuinamente desejam ser levados a enxergar mais detalhes do mundo, da existência e da própria alma e de absorver o que se oferece. a esses, vale uma vida cantar, falar e derramar o que é tão guardado.
seriam as minhas palavras um barco diferente no infinito de embarcações que espalham a arte?
dificilmente...
é por isso que é tão árduo.
é cansativo equilibrar a praticidade e a vontade de viver enxergando e experimentando as coisas que vão além daquilo que é apenas necessário `a sobrevivência.
o corpo tem vida, precisa de alimento.
a alma também funciona assim... e por que alimentá-la é tão confuso, até mal interpretado?
o relógio corre levando a única vida que temos nessa terra...e ela passa assim, com tanta rapidez, que se não houver um certo cuidado, é quase imperceptível.

o que oferecer?
e mesmo que haja algo a se dizer, como faze-lo compreender?
tanta cegueira, e tanto cego guiando cego.
o silêncio é sempre mais fácil, mas se fosse assim, o mundo seria quieto, cheio de cabeças pensantes e bocas fechadas.
é sim, um bom impasse.
ver demais, ver de menos...
será que um par de óculos resolve?

2.11.12

a inglaterra e a música do século xvi

esse é um post longo.
preguiça de ler?
pule pro próximo...rs :) 
é só uma sugestão...

a história do rei henrique viii da inglaterra me fascina.
desde o 2º ano do ensino médio, quando meu professor de história entrou na sala chamando a catarina de aragão de catarina "dragão", eu sempre me interessei pela dinastia tudor!
henrique viii foi sim um homem meio sem juízo e muitíssimo vaidoso.
sua corte era uma das mais opulentas da europa e esse rei ficou famoso por, em função de uma paixão, romper com a igreja católica, fundar a igreja anglicana e transformar o país, antes católico, num país protestante. assim, ele era não somente rei, mas "papa"de sua nova religião. 
essa descrição resume a palavra "absolutismo", que é o termo que usamos em história para definir um rei que tem poder total político e religioso sobre seu reino.

casou-se 6 VEZES!!
vou dar uma resumida nessa história que mais parece novela:

henrique viii, novinho, assume o trono quando seu irmão mais velho morre. o irmão mais velho era casado com a espanhola e ULTRA católica catarina de aragão, no intuito de fazer aliança política com a espanha, que no século xv e xvi (15 e 16...rs) estava com tudo, descobrindo as américas, e blá blá blá...
cataria de aragão, viúva, casa-se com henrique viii, apesar de ele ser bem mais jovem, alegando que o casamento com seu irmão nunca se consumou (a desculpa do meu professor de história era o fato de ela ser velha e "dragão"...rs).
os dois ficam casados por vários anos e têm uma filha chamada maria tudor.
lembrando que nessa época, a inglaterra era um país católico.
mas, o rei é só tristeza. ele quer um menino, um herdeiro (e também uma rainha mais jovem...rs).
conhece a jovem e ambiciosa ana bolena e se apaixona perdidamente.
muito cheio de vontades, resolve se divorciar.
epa!
mas divórcio não existe nessa época, a menos que o papa autorize.
e claro, o papa não permite esse divórcio.
henrique viii, não satisfeito, rompe com o papa, manda a rainha e a filha pra fora do palácio, casa-se com ana bolena (que é protestante), e funda a igreja anglicana, cujo chefe religioso é ele mesmo! sendo assim, ele pode se casar e descasar quantas vezes quiser, sem maiores problemas... bem como mudar as leis religiosas, etc...
tudo lindo, maravilhoso no amor, mas o país vira um caos, porque os católicos começam a ser mortos, os protestantes destroem as antigas igrejas católicas e relíquias religiosas... um horror! fora isso, uns três anos depois de ter feito essa zona no seu reinado, o rei começa a enjoar da ana bolena...
maaaaasss, um milagre acontece: ela engravida! e o rei explode de felicidade, até...
nascer uma meninA: elizabeth... que decepção. ana bolena ainda engravida mais uma vez, mas perde o bebê.
o casamento está de mal a pior e então, rola uma fofoca de que ela anda traindo o rei... e ele acredita, assim, cegamente.
pronto! manda cortar a cabeça da ana bolena sem dó nem piedade.
ONZE dias depois casa-se com jane seymour! doce e boazinha. 
ela o reconcilia com sua filha maria tudor, e aceita elizabeth! cria as duas.
o rei ama muito essa rainha, que pouco tempo depois, engravida, dá a luz a um MENINO (realizando o sonho do rei), e morre no parto!
henrique viii fica com edward, seu filho, mas sem esposa.
é então que ouve falar de ana de cleves (alemã).
ela é protestante, e o rei nunca chegou a vê-la ao vivo antes de casar-se com ela. manda um pintor do seu palácio pintá-la... mas quando se conhecem face a face (no dia de seu casamento), ele não gosta dela. ficam pouco tempo casados, e ele anula seu próprio casamento (agora não tem papa na jogada), alegando que o mesmo não foi consumado.
aí, o henrique viii a-pe-lou!
conhece uma menina de 17 anos (nessa época ele tinha quarenta e muitos....quase 50!) chamada catarina howard. muito ingênua, ela fica pouco tempo casada com o rei, que a mima muito.
trai o pobre homem; logo, perde a cabeça loura na guilhotina!
mas o rei (que não é brasileiro) não desiste nunca.
sai de uma menina de 17 anos e casa-se com uma viúva chamada catarina parr (catarina pela terceira vez!!!)
sábia, protestante, e correta.
essa consegue viver até a morte do rei.

excêntrico, não?
vaidoso e cheio de ego...
eu não diria que ele era ruim, mas era egoísta.
morreu aos 55 anos (1547).
teve como sucessor direto seu filho edward que ainda era criança. reinou por pouco tempo, morrendo ainda adolescente.
maria tudor, muito católica, foi a próxima na linha de sucessão e quis instituir o catolicismo a todo custo novamente (tinha muita revolta no coração pelas maldades que seu pai fez a sua mãe, renegando seu casamento e sua fé!). por isso, ela matou muita, muita, muita, muita, muita, muita gente (claro! o país agora era protestante...) em nome da fé. foi tanta gente morta que essa rainha ficou conhecida como "bloody mary"...
reinou por curtos 5 anos, e morreu.
a única que sobrou foi a super jovem ana bolena, que muitos consideravam ser a filha bastarda do rei, fruto de um casamento turbulento e não reconhecido pelo papa.
pois essa elizabeth (hoje conhecida como elizabeth I) nunca se casou (sábia mulher, aprendeu com os erros do pai) e reinou a inglaterra por 44 anos, transformando o país na maior potência política e econômica da época!
ah! ela era protestante, e desfez tudo o que sua meia-irmã fez.
fez da inglaterra um país protestante novamente....
tanta briga religiosa para a satisfação do ego!!
parece mentira tanta bagunça numa família só.
pobre rei... tão poderoso e infeliz.

mas uma outra coisa que ele era é músico.
isso eu descobri há pouco tempo.
tocava alaúde e escrevia música.
adorava música boa na corte e ainda jovem, contratou o mais jovem ainda thomas tallis, que tornou-se o músico oficial da corte inglesa. com todas essas bagunças, mortes, mudanças de religião, ele conseguiu sobreviver ao rei henrique oitavo, ao rei edward, à rainha mary tudor e trabalhou na corte até o reinado de elizabeth, deixando muita coisa boa escrita pra gente ouvir até hj! as mudanças religiosas também afetam muito sua obra, que sofre várias mudanças e é majoritariamente eclesiástica.

estudei sobre ele na faculdade e quando estava assistindo um seriado que conta em detalhes essa história toda que narrei e ouvi sua música, fiquei com vontade de compartilhar aqui.

lembrando: século xvi, renascença... 
há tanta beleza... é preciso ouvir com os ouvidos da curiosidade, do aprendizado, e ter em mente que a música que existe hoje não seria possível se não existisse essa, e tantas outras ao longo da história da música. por isso é importante ouvir, aprender, e então, compreender.

pra ouvir mais coisas, é só digitar "thomas tallis" no youtube :)


30.10.12

dia de furacão

hoje foi o dia marcado para recebermos a visita do furacão sandy.
amanheceu escuro aqui em maryland, e os noticiários tiveram pouco trabalho, porque falaram sobre o mesmo assunto durante as 24 horas do dia: o furacão.
achei engraçado alguns repórteres advertindo o povo americano a não sair de suas casas, a evacuar as áreas de risco e a estocar comida e água, sendo filmados na frente de alguma praia da costa leste dos estados unidos, quase sendo engolidos pelas ondas bravias e arrastados pelo vento e pela chuva torrencial que anunciava a vinda de sandy.
certas coisas jamais entenderei...

mais tarde, o presidente obama fez mais estardalhaço, pareceu generoso ao deixar de lado o assunto das eleições e importar-se tanto com a segurança do seu povo.
política...

o fato é que choveu muito sim.
o vento só aumentou, e as folhas coloridas do outono formaram um belo tapete molhado na nossa varanda. eu pensava que a área de risco era só ny, mas de acordo com as notícias, maryland também é área de risco.

atrás de casa há duas árvores mortas.
elas são ocas, e com a ventania balançam muito.
ao notarmos a tempestade, tememos que as árvores ocas não resistissem à força do vento e caíssem sobre nossa casa. assim, esvaziamos alguns cômodos, enchemos alguns colchões de ar, e transportamos comida, documentos e utensílios pessoais para o porão. 
meu irmão nos visita, então nessa noite, somos 4.
todos dormindo juntos, no porão...

a única coisa que tenho saudade lá de cima (e que realmente choraria se fosse destruído) é o piano...
coitado...não tem culpa de ser pesado.
passará a noite toda sozinho, na sala que nós esvaziamos...
há algumas horas, quando todos nós já estávamos aqui em baixo, eu ainda subi pra dar-lhe um agrado; toquei um pouquinho, pra fazer-lhe companhia.

sandy estava previsto para nos visitar às 6 da tarde.
depois, anunciaram que era meia noite...
também anunciaram que não teríamos luz nem internet, e no entanto, aqui estou eu, meia-noite e cinquenta e um, relatando esta noite no porão.


a verdade é que com ou sem furacão, eu sempre gostei de chuva, casa, meia no pé, frio lá fora e muitas cobertas. e hoje, o dia foi assim. 
o que estragou foram essas ameaças da natureza o tempo todo...rs.

brincadeiras à parte, estamos todos bem.
lá fora ainda venta muito e o uivo do vendaval é bem audível.
a chuva é incessante.
mas o Senhor está conosco. já ouviu nossas preces mais cedo e sabe que confiamos na Sua proteção.

enquanto o sono não vem, e a noite demora a passar, resolvi listar em imagens, o que é possível se fazer em dia de furacão...









na realidade, apesar de tudo, é bem gostoso ficar envolta em edredons, olhando o dia cinza, apinhada com a família esperando o tempo passar...

alguém aqui já leu pollyana?
esse é o jogo do contente :)

27.10.12

dia do pastor

pra hoje, trechos de isaías 42.
parabéns ao meu pai por este dia, e a todos os pastores da minha vida... :)



1. Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios (...)

6. Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios.7 Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.


8. Eu sou o SENHOR; este é o meu nome.

26.9.12

sobre o ofício das canções


essa coisa de escrever canções acaba por ser reveladora.
relutei adentrar esse mundo de criação e ainda sou lenta, sou esparsa...
é sim, pra mim, um ofício que representa 1% de inspiração e 99% de transpiração.

mas é o meu retrato.
minhas palavras, minha música.
ou melhor, Dele em mim...

ofício trabalhoso e lindo.
bom viver esse primeiro amor e todas as delícias da sua descoberta... :)

14.8.12

um segundo


eu perdida no verde da floresta da varanda, e em um segundo, olhei pra dentro de casa.
o sol salpicado no sofá, numa amarelo quente, ia-se movendo, com o dançar das árvores.
pôr-do-sol.
foto, correndo. queria tirar uma foto.
achei o iphone, cliquei na câmera.
e ao mirar o sofá, testemunhei o sol dançante ser sugado pelas almofadas, assim, em um segundo. nada mais havia de dourado, ou de movimento...
a sala era da sombra novamente.

um segundo.
talvez menos que isso.
e o sol sumiu.
agora só amanhã, ou quem sabe quando...

não pude evitar o pensamento:
quanta coisa nos passa pelos olhos, pelas mãos, pela vida...
coisa bonita, coisa linda...
quantas delas realmente se guarda?
quanto disso tudo fica?

ao que é da natureza das coisas dessa vida que tudo suma nessa exata rapidez...
o certo não seria aceitar a brevidade desses lampejos de luz, apreciando cada um deles, e esperando em alegria pelo próximo?

há quem viva por esses segundos de beleza.
esses, eu chamaria de felizes.
há quem viva pela saudade deles, não importa quantas vezes se repitam.
esses, eu chamaria de amargos...

9.8.12

promessas vazias

fracassei no relato da viagem.
impossível fazê-lo!

peço perdão àqueles em quem criei expectativas.
a quem interessar, dá pra entrar no meu twitter e ver as fotos que postei (ou ir direto ao instagram! tem várias lá...)

tem certas coisas na vida que a gente só vive.
registra em fotos e se cala...
tenho aprendido isso mais e mais!

apesar disso e da minha austera ausência (rs!), tenho vários posts na manga sobre temas diversos...
várias pessoas reclamaram no twitter e até no email da minha agenda, rs...
até a minha mãe comentou durante a viagem: "e o seu blog? você nunca mais postou!!"....rs!
pois eu lhes digo que estou com saudade de postar!!!

recomeço o ofício com esta foto inútil, irresistível e irretocável...


boa noite :)

18.4.12

a primeira carta

amo cartas.
quem realmente me conhece sabe como prefiro escreve-las à mão e recebe-las assim.

recentemente encontrei um blog de cartas incrível! o título é "letters of note" e o subtítulo traduzido diz "correspondências que merecem um público maior".
leio esse blog por horas a fio! cada pérola...
qualquer hora reblogo uma carta de lá aqui.

hoje, arrumando minha biblioteca, encontrei uma relíquia.
provavelmente, a primeira carta que recebi na vida.
escrita pela minha irmã mais velha (11 anos mais velha) por ocasião do meu nascimento.
caligrafia infantil, papel de carta, e uma sinceridade que claro, me fez chorar...

o manuscrito:



a transliteração (rs!):

laurinha,


eu não sei costurar mas uma lembrança quero te dar.
espero que goste pois é do CORAÇÃO!
um chocalho para você brincar.
eu te amo, minha fofura.
seja boa e sempre ame a Jesus, "vio"?
sua vida está começando.
de proveito minha lembrança.


de sua irmã mais velha,


carol.


acho que ela não pensou que um dia eu fosse realmente ler esse escrito.
mas eu li.

e agradeço pelas palavras, pelo carinho, mas principalmente por ela.

26.3.12

são paulo


já estou aqui nessa minha cidade.
ela foi minha por um tempo considerável, e eu lamentei nossa separação precocemente...
fui pra longe, e sendo visitante, sinto que ela me acolhe quase maternal, entendendo que por mais  belo que seja seu laço com um rebento, existe uma hora em que ele vai precisar sair, conhecer a vida, e deixar o ninho...

hoje, já não mais lhe pertencendo, andei por suas ruas, visitei os sebos que gostava. reconheci restaurantes, alamedas, assisti filme, lembrei de mim nos dias que em que abandoná-la parecia impossível!

é engraçado crescer.
já não me dói saber que não mais sou dessa babilônia.
é bem o contrário.
gosto de saber que a conheço intimamente porque já estive imersa no seu cinza, na sua bagunça, no seu caos, que só entende quem pertence.

eu vim dela.
pra ela eu volto de quando em quando.
mas estou feliz em poder conhecer e viver em partes mais coloridas do mundo, e ter como "refúgio" sua paisagem neutra e nublada.

tive saudade dela.
ela está em mim.
mas já não é mais minha...
e não me dói.
eu olho e entendo.
hoje, eu extraí o que nela há de melhor...

paulistana-desertora-visitante,
com um sorriso tão grande.

eu prefiro esse status.