28.2.12

concerto #2, colgate university: duo assad


na cólera do fim do concerto, fiz promessas de um post completo postando um fajuto, e viajei para o brasil.
demorei mais do que gostaria, mas cá estou.

já havia deitado e fechado meus olhos muito graúdos e vermelhos de sono.
mas ao novamente ouvir algumas canções, algo se ascendeu no meu coração e eu senti que a hora de postar sobre esse concerto era essa.

pois bem:

foi uma noite mergulhada no mundo do violão.
o concerto aconteceu em hamilton, ny, na universidade de colgate.
olhando no google maps, percebi que essa cidade fica quase no canadá, mais ao norte do que boston.
o pá tinha alguns compromissos em nyc e em princípio, achou inviável irmos até hamilton. mas depois de ouvir um disco dos violonistas, ele se convenceu sem nem precisar dos meus argumentos.
a música falou por mim.

mã, pá e eu atravessamos o frio do norte dos estados unidos e ao cair da noite, chegamos a universidade. conforme o anúncio, sabíamos que o concerto seria na memorial chapel. fomos direto pra lá, e como chegamos com alguma antecedência, estava acontecendo um ensaio de coral.
esperei, esperei, andei de um lado para o outro. o pá tranquilo, veterano de internatos, foi jantar no refeitório com a mã, e eu em vigília em frente a porta da capela.
a essa hora, a entrada ainda não era permitida, mas como os assentos não eram marcados, eu não podia me dar o luxo de NÃO sentar na primeira fileira!


chegou a hora e o público começou se aglomerar em frente à porta do salão. daqui de fora eu ouvi e vi os dois sentando-se calmamente, aquecendo os dedos.
o coração na boca!
eu precisava do assento!!!!

pouco depois, desapareceram e abriram-se as portas.
andei devagar até a primeira fileira com o sangue a fervilhar até conseguir sentar onde queria.

silêncio sepulcral.
o opulento órgão de tubo dava à sala um ar reverente, quase celestial.


lá do fundo, irrompeu um par de palmas que rapidamente se esparramou pelo auditório.
à passos lentos e despretenciosos, sérgio e odair assad ocuparam o palco.


e o resto é só música.
isso, é impossível relatar.
é preciso estar, ver, ouvir.
eu jamais me proponho a descrever minhas impressões musicais dos concertos que vou, pois sempre me soam pálidas perto do que vivi.

durante o concerto, eu não acreditava que testemunhava um momento daquele sem ter pago um centavo por um ingresso.
tudo em prol dos músicos em formação, das boas referências.

saí flutuando.
foi quando li no programa impresso que a universidade ofereceria um lanche a todo o público no andar debaixo da sala de concertos, e que todos estavam convidados. isto também seria gratuito.
e o cardápio era customizado!! olha o capricho desses biscoitinhos (que eu nem provei, porque numa situação dessas, a fome passa longe!):


no fim das contas, os irmãos assad apareceram pra comer um pouquinho, conversar com a galera...
que experiência.
claro que eu fui atrás de uma foto.
claro que cheguei falando em português.
e pra minha surpresa, o sérgio assad olhou pra mim e pro meu pai dizendo: "vocês são patrícios né? nós somos meio parentes, não?"

isso tudo por causa da nossa cara de turcos (os violonistas fazem parte da 3ª geração dessa família libanesa no brasil).
eu tive que desapontá-lo dizendo que, na realidade, nossa ascendência é judaica.
ele respondeu: "ah, somos todos hermanos! eu sabia que vocês eram daquelas terras"...

e assim foi...
meu pai comprou TODOS os produtos a disposição naquela noite.
total: 7 cds, 1 dvd.
queria que eles autografassem todos!!!!
ó, céus!! se não sou eu...
autografaram 3, e ele ainda reclamou comigo....rs!
foi de bom tamanho.



como sempre, saí dali com um aperto bom no coração, com a certeza de que nada seria igual.
com a precisão técnica de dois músicos incomparáveis e com o "sabor" brasileiro para o qual todos gringos se curvam...
que orgulho, que coisa linda de se presenciar!


abaixo, uma amostra sonora (e descarada! que vergonha...) do que vi e ouvi!
prometo que vale a pena assistir até o fim!!



tom jobim - amparo e stone flower


o bis (nesse, dá pra ouvir claramente que eu estava com a respiração presa até a música acabar :)


10.2.12

post breve, em resposta à minha ansiedade

não consigo dormir.
não tenho forças para fazer o post como deve ser feito.

eis aqui a minha visão do concerto dessa noite:



foi longe.
muitas horas de viagem.
mas sentar na primeira fileira, ouvir, rir, chorar...
e até tomar um lanche com eles depois...
ah!
não tem como dormir mesmo.

amanhã eu faço o relato, com vídeos, com detalhes, com tudo.
mas sou ansiosa.
e não ia conseguir me despedir desse dia inesquecível sem nenhuma manifestação aqui nesse meu lugar.

odair e sérgio: duo assad.
eu geralmente tenho orgulho de ser brasileira, mas hoje, tive mais...

8.2.12

!!!


quem quiser aparecer, tamo junto!!
faltam menos de 2 dias e eu quase não caibo em mim de tanta felicidade...

uma anedota para músicos

achei DEMAIS esse texto.
texto desse blogueiro que eu "reblogo" constantemente aqui.
piadinhas para meus colegas músicos!!

ri alto!

Sing or Swim

…a game for ruthless music-lovers

Mark Wigglesworth 10:54am GMT 25th January 2012
There's a dinner party game that imagines a scenario in which all the great composers are sailing on board a sinking ship. In order to try and keep the vessel afloat until help arrives, composers need to be thrown over the side one by one. People take it in turns to nominate the next victim.
It begins without much debate. Viola players are sorry to see Hindemith go first, and any flautists briefly try and defend Fauré. Copland is an early shock but the fact that no one really dislikes his music is not enough to save him. The Russian Five are all dispatched in one go. When only the A List remains, the game starts to get interesting.
The fact that sentiment can easily be mistaken for sentimentality means that Tchaikovsky, Puccini, Rachmaninov, Chopin, and Dvořák tend to be people's next choice. Offended romantics then counter-attack, chucking off the more cerebral Haydn, Stravinsky, and Schoenberg. That takes care of Berg and Webern too who immediately jump off voluntarily to try and save their teacher. Mavericks are removed with little objection: Berlioz, Liszt, and Janáček all let go without too much fuss.
If there are Germans playing the game, Verdi and Elgar are usually the next in line, and the Dutch rarely pass up an opportunity to see the back of Sibelius. Mahler, Strauss and Shostakovich lose out on the premise that getting rid of their sheer emotional weight might prolong the ship's life, whilst some feel that for the very opposite reason, the delicate touch of Debussy and Ravel isn't exactly what sinking ships need. When people suggest Mendelssohn and Bruckner, the general consensus is often that they were not even on the boat in the first place.
The biggest argument arises when Brahms gets the boot. His case is logically and passionately advocated - but there's always someone who just doesn’t get it. Surprisingly, Schubert lasts a little longer, though that's probably because people had forgotten he was on board. Schumann is discarded once he's discovered hiding below deck. Eventually someone plucks up courage to suggest the hallowed name of Mozart. There are people who don't like Mozart and they rarely get a chance to say so. Funnily enough there's not as much protest as you'd expect.
And so the argument normally boils down to a final trio of Bach, Beethoven and Wagner. Some feel that as the designer of the boat, Bach deserves to be the victor. Others say that if it were not for Beethoven, it would not have been built in the first place. The Wagnerites argue that as the only man capable of steering the ship in the right direction, their hero should be the last to leave.
You learn a lot about people when you discover which composers they could do without. The game may even lose you a few friends. But there's one thing at least that everyone can agree on - a sincere hope that all the composers are good swimmers.

Mark Wigglesworth
Leading conductor Mark Wigglesworth is equally at home in the opera house as in the concert hall – and, indeed, the studio, where his acclaimed Shostakovich symphony cycle for BIS is nearing completion. In 'Shaping the invisible' Mark shares his passion for music and his fascination with the philosophies and psychologies that lie behind it. (Photo: Ben Ealovega)

uma indicação que eu não indico


abri meu exemplar de março da revista gramophone, e ávidamente comecei a ler as matérias, as críticas, as indicações.

folheando e folheando, vi uma propaganda que ocupava uma folha inteira: lançamento do segundo disco da pianista simone dinnerstein, primeiro trabalho assinado pela sony classical. por isso o "fusuê".

na capa, vi que o álbum tinha nome.
raramente discos eruditos são entitulados.
"algo quase sendo dito" é o título, que eu achei pretencioso, mas se merecido, positivamente ousado.
mas sobre essa coisa de merecimento eu ainda não podia opinar.

a frase que me ganhou: "música de bach e schubert".
foi certeiro.
achei a combinação inteligente. 
comprei o disco no amazon.

a pianista americana quer mesmo falar através das melodias de schubert e do contraponto genial de bach.
eu entendo o propósito, que é fazer o piano cantar; e consegue.
mas pra isso, ela se utiliza do rubato que somos ensinados a usar pra tocar chopin, schumann e mais alguns românticos.
não se usa o mesmo rubato em chopin e em schubert, muito menos em bach. 
só clarificando, rubato é a flexibilidade rítmica dentro de um compasso ou frase musical. o rubato não permite que o intérprete altere o valor da nota, mas dá a permissão para o intérprete de "atrasar" ou "adiantar"certas células rítmicas de acordo com seus sentimentos e sua interpretação, é claro, mantendo-se fiel ao compositor o máximo possível.
ninguém suporta rubatos exagerados porque soam forçados e é exatamente isso que me incomoda nessa pianista.

nunca fui avessa às novidades musicais, mas tocar as semínimas da mão esquerda de bach em legato?? me poupe!! isso foi outra coisa que me incomodou...
tocá-las non legato, isto é, sem estarem ligadas é quase uma lei. pode-se agregar o caráter desejado; o intérprete até tem essa autonomia, mas pianista que é pianista não liga as semínimas em bach! 

dei uma pesquisada adicional, e achei um "videoclip"que ela fez para divulgar esse novo disco, tocando o impromptu op. 90 n. 3 de schubert (muitas vezes já mencionado aqui no blog). 
ela toca bem (tirando os rubatos que como já falei, acho exagerados pra se usar tocando schubert) e eu até pensei em postá-lo aqui, mas no fim das contas, não curti tanto o vídeo. pra quem quiser conferir, é só digitar o nome dela e o título do disco em inglês no youtube, exatamente como está na foto que coloquei. 
o vídeo aparecerá.
na realidade, achei a proposta meio forçada...
mas isso é o meu gosto.
há quem goste.

em suma: sua técnica é impecável.
ela tem bom gosto em geral.

mas quer fazer de bach, que é barroquíssimo, um romântico do século XIX.
e quer fazer de schubert, que é um dos pioneiros do romantismo, um companheiro de rachmaninov, que já é neo-romântico, lá de meados do século XX.

inovação sim.
mas cada um no seu período.
barroco é barroco.
romântico é romântico.

bom pra aprender que nem tudo que reluz é ouro...rs!

7.2.12

desejos

eu vejo essas fotos e fico suspirando...
tudo daqui.











quinta-feira, dia 9

eles, ao vivo, de graça em hamilton, ny.
2º concerto desses que abocanhei (como diria o jayme) em 2012...

eu que já venho tendo certas dificuldades para dormir cedo, perderei o sono por completo até quinta-feira ... :)

mas a promessa do post pós-concerto é certa!!
isto é, se eu conseguir redigir algo...

como sempre, alguns vídeos pra ir entrando no clima...



ah! são os irmãos assad...
brasileiros, tá?

peter gabriel

nunca falei dele aqui.
mas antes de encher o post de palavras, eu deixo que ele cante as suas, que me cortam o peito, o coração...

tenho 4 dos seus álbuns.
só ouvi um inteiro até hoje.
justamente esse, scratch my back.

ele canta, escreve, fala, mostra a alma.
e no seu canto existe verdade pura, existe ele, só ele e ninguém mais!
de uma honestidade que envergonha que não faz música assim...

lindo!

a revista nossa de cada mês :)

chegou meu exemplar de março.
dá uma olhadinha na capa...


que delícia receber sua revista favorita e perceber que o artigo de capa é dedicado ao seu compositor favorito!
começo a crer que o editor chefe dessa revista é tão amante da música de schubert quanto eu...
e como se não bastasse, o nosso brasileiríssimo villa-lobos também enfeita essa capa, na parte de baixo, à esquerda...

em posts vindouros, comentarei sobre esses dois e sobre algumas outras coisas!
obrigada, gramophone :)

3.2.12

cicatriz


ontem sonhei com as minhas criancinhas.
sonhei com a escola, as muitas historinhas que eu tinha pra contar, com os abraços pequeninos;
sonhei com a "miss" que eu fui enquanto ensinei ali e com o pouco tempo que, naqueles dias, parecia eterninade...

passou.
prometi uma visita em março.
já comprei presente pra alguns...

tem coisa que vem, passa e fica.
foi lá que eu descobri que era professora e que é impossível dissociar esse ofício do instinto materno que existe lá dentro...
tomara que eles tenham descoberto a música e continuem rumando à procura dela...


saudade começa a cicatrizar...

impossível não sorrir:

- com essa música;
- esse arranjo;
- essa atmosfera e...


... e algumas outras coisas :)



fevereiro, valentine's, shakespeare


sou formada em letras com habilitação em língua inglesa e suas respectivas literaturas/gramáticas.
isso acho que nunca havia mencionado. apesar de ser apaixonada pela minha língua materna, acabei fazendo também essa opção durante a faculdade.

2012 começou, voou.
chegou fevereiro, o mês do amor no hemisfério norte.
já que estou experimentando esse fevereiro de inverno, honrarei a língua e os apaixonados com os nobres versos de shakespeare, em romeo e julieta:

Nurse:
[Within] Madam!
Juliet:
I come, anon.—But if thou meanest not well,
I do beseech thee—
Nurse:
Madam!
Juliet:
By and by, I come—
To cease thy strife, and leave me to my grief.
To-morrow will I send.
Romeo:
So thrive my soul—
Juliet:
A thousand times good night! [Exit above]
Romeo:
A thousand times the worse, to want thy light.
Love goes toward love as schoolboys from their books,
But love from love, toward school with heavy looks.
Romeo And Juliet Act 2, scene 2, 149–157


que chegue depressa o dia 14 :)

30.1.12

john pizzarelli + kurt elling

se fosse só um deles, já seria um banquete.
mas os dois juntos?
juntos?

!

nem sei se vou ter estrutura ou saber digerir isso :)

compartilhando:

1 - john pizzarelli (mencionado aqui!)  toca o clássico "i got rhythm"ao vivo.  é de perder o fôlego:



2 - kurt elling canta "nature boy". esse é outro clássico que ele reinventou com esse arranjo, gravado no seu álbum "the messenger", lançado em 1997. passei bastante tempo das minhas viagens da semana passada ounvido esta pérola:




é.
estou postando bastante antes, porque provavelmente não serei capaz de postar algo na noite do dia 10 de maio.
nem depois.
veremos... :)

chegou o doce da criança... :)

já gosto de cartas.
sempre gostei de escrever e receber.
uma pena ela serem tão raras, tão ocasionais...

depois de passar mais de uma semana fora de casa, saí correndo do carro que ainda nem estava estacionado e fui em direção à caixinha do correio.
só correspondências inúteis.

reclamei em voz alta e entrei na casa que me fizera falta, pisando fundo...


no meu quarto, encontrei 5 envelopes empilhadinhos, destinados à "ms. laura m. m. costa".


isso foi na hora alta da tarde de hoje...agora já é o dia seguinte e eu ainda não dormi de felicidade :) :)

meus ingressos chegaram!!!!!
todos eles!!!




29.1.12

isso...

é uma sala de concertos em NY!
um lugar opulento como esse espanta música feia, atrai o que existe de bom.
os músicos ruins correm pra longe...
ai...

28.1.12

"o que é de gosto..."


papai nunca foi apaixonado por autos.

desde que se mudou para os estados unidos, comprou dois carros B-E-M velhinhos, e há 5 anos anda com eles, feliz e contente.
muita gente já perguntou por que ele nunca troca de carro e coisa e tal.
até eu perguntei.

a resposta até então era sempre: "pra que eu quero mais conforto do que isso? esses carros são maravilhosos! foram baratinhos, dão pouca manutenção, e me levam de um lugar para o outro..."

claro que essa resposta nunca convenceu ninguém, mas "o que é de gosto, é regalo da vida"...

viajamos juntos esse fim de semana para participar de um evento da divisão norte-americana da IASD aqui em orlando; 
só nós dois.

ele alugou um carro confortável, novo, bonito, tinindo...
agora a pouco, antes de chegarmos ao hotel, ele suspirou: "bacana esse carro, né?"
e eu com um meio sorriso repliquei: "claro que é, papai! por que o senhor não arruma um melhor pro senhor? aos 60 anos, acho é mais do que merecido!"

aí, veio a resposta genuína: "com o dinheiro que eu usaria pra comprar esse carro, eu posso gravar quase um disco todo. gravo orquestra em praga, gravo a base e vocal. só não daria pra gravar voz e mixar. mas metade do disco estaria pago. Jesus está tão perto de voltar, e você acha que eu vou ficar gastando dinheiro com carro ao invés de espalhar a mensagem através da música??? jamais! conforto é bom, mas tudo na vida é uma questão de prioridades..."

ouvi quietinha, e concordei.
finalmente, a resposta fez sentido.

o sábado foi morrendo e eu fiquei pensando nisso tudo...
que eu nunca perca o foco, e que a minha prioridade sempre seja a mensagem; sempre seja Ele!
afinal de contas, existimos pra isso!
pá, obrigada por mais essa lição...

feliz semana :)

be born in me

cantei essa música ontem.
participei de um evento americano pela primeira vez no ano de 2012, e não pude perder a chance de cantá-la.
o choro engasgado o tempo todo....
que letra, que compreensão desse milagre.

que Ele nasça em nós, sempre...

26.1.12

paisagem


a mão no rosto e um sussurro articulado;
e a energia que fomenta e impulsiona ganha outro rumo, sai pelos lados, pingando quietinha...

sempre assisti esses momentos entre criança e adulto, o momento do "vem aqui pra eu te falar uma coisa"; frase adornada com um olhar convidativo.
e a criança vai, e ouve, e se acalma.

quando presenciei o momento dessa foto, foi que entendi...
é a confiança.
o que antes incomodava uma sala agora já não existe.
as palavras faladas baixinho já entraram e tomaram o lugar da adrenalina.
simples assim.
rápido.
coisa tão linda, tão linda de se ver, assistir...
uma cena tão corriqueira e tão preciosa.
sorte ter a câmera à tira-colo.

eu vejo essa foto e meu coração dói de saudade.
ao mesmo tempo, minha face esboça um sorriso que só percebo quando já existe.
ele nasce tímido, sem avisar.

já ouvi essas palavras mágicas na infância e já as disse depois que cresci, como recurso com os pequenos.
não tenho nenhuma lembrança clara em nenhum dos dois casos. não sei que frases ouvi ou usei.
só lembro da ternura, e sei que isso sim, funciona.

na fala, no toque...
não tem nada de magia.
só amor mesmo.

24.1.12

do poeta filho do inverno


ele está em mim, na arte, na música, na poesia...
4º post consecutivo sobre essa estação.
sinal de que é hora de vivê-lo nos sonhos e no peso e aconchego das cobertas.

mas nessa noite, que tanto falei de sua "brancura e quietude", essa declaração não podia faltar.
coisa linda essa suspeita da poesia encontrando o poeta nele;
no nosso inverno...


"foi nessa idade que a poesia me veio buscar
não sei de onde veio
do inverno, de um rio
não sei como nem quando
não, não eram vozes
não eram palavras
nem silêncio
mas da rua fui convocado
dos galhos da noite
abruptamente entre outros
entre fogos violentos
lá estava eu sem rosto
e fui tocado."
                                  , pablo neruda


boa noite :)

"yver, vous n'êtes qu'un vilain" - mostrando e explicando

mentira, inverno!!
esse debussy não sabia o que dizia....
você não é vilão coisa nenhuma!

mencionei de fininho no post abaixo essa canção escrita por debussy, um dos músicos do impressionismo, e lembrei que no primeiro ano da faculdade, cantei essa peça com o madrigal que tínhamos no curso de música.

foi divertidíssimo.

confesso que foi impossível achar uma versão afinada dessa peça ao vivo no youtube.
ela é sim difícil, mas pra mim, o pior são os americanos cantando peças francesas com sotaque "sou-americano-e-todas-as-línguas-que-falo-precisam-mostrar-que-sou-americano!"... não SUPORTO!!
coitados...
pode ser que eles realmente tenham dificuldade de pronunciar e eu aqui, julgando, rs!
mas é sempre assim: pode ser francês, italiano, latim....por que todas as pessoas do mundo conseguem (pelo menos tentam)  disfarçar o sotaque e os americanos não??
tenho ranso mesmo...rs!

enfim, esse não é o ponto.

achei essa versão gravada menos pior, na afinação e no sotaque!
apesar de perceber que a pessoa que postou escreveu o nome da peça com a grafia errada, o áudio está razoável...
foi bom reviver a época do madrigal um pouquinho.

j'espère que vous apprécierez :)

arte das terças - claude monet

falei agora no inverno, e lembrei da minha tentativa fracassada de me comprometer a fazer uma "série" semanal sobre pintura  - arte das terças - aqui no blog.

pudera: tomei essa iniciativa quando o ano caminhava seus derradeiros passos, e eu, de alguma forma, corria à pernadas velozes, tentando "concluir" minha vida no brasil antes que 2011 me ultrapassasse...

o primeiro e único post dessa série foi esse, sobre edgard degas, que fiz em agosto, no calor da recém-visita à paris e seus incríveis.

hoje, posto novamente sobre um francês e impressionista: claude monet.
eu poderia fazer milhares de posts sobre esse artista, por categorias, etc... sua obra é imensa.
tenho que admitir, que apesar de clichê, tenho um relacionamento especial com suas obras porque tive a oportunidade de visitar a casa do pintor em giverny, fr, e logo em seguida, visitei o museu d'orsay, o "templo"do impressionismo, em paris (fotos aqui!).
um dia para jamais ser apagado da memória...

sou fã do impressionismo, mas essa não foi a razão pela qual escolhi monet para hoje.

fazia tempo que eu não vivia um inverno como estou vivendo esse.
monet foi um artista que repetidamente pintou essa estação.

parece que ele, como eu, entendia que existem alguns sentimentos que só é possível experimentar na quietude e brancura do "hiver", como ele diria ( e "yver, vous n'êtes qu'un villain" como diria debussy, o músico impressionista).

portanto, eis aqui os invernos de monet :)


me demorei alguns minutos olhando esse ao vivo...a luz é inacreditável! um dos meus favoritos dessa estação...









para saber mais:

esse é o site do musée d'orsay;
esse é um site sobre vários artistas, com muita informação sobre monet.

dessa vez, eu espero continuar fiel à essa série "arte das terças"... :)

.

um dia quero conseguir explicar quão ligados o inverno e eu somos;
como combinamos, como espero por ele o ano inteiro...

19.1.12

yay!!!

esse é o matthias goerne, que eu tanto queria ter assistido aqui!



requiem de brahms :)

juntos!!!


pesquisa gera pesquisa, e assim eu vou enlouquecendo!
depois de uma severa triagem, eu me decidi por estes concertos. esses são os recibos dos ingressos que em breve, serão deixados na caixinha de correio que fica em frente ao nosso solar...
acima, eles estão organizados por data :)

agora em fevereiro,vou a um concerto do duo assad em NYC que será GRÁTIS!! e ainda falta comprar o ingresso do bolshoi ballet e c-l-a-r-o, do nelson freire, pois estes ainda não estão disponíveis para venda.
tranquila estou, pois serei notificada quando eles puderem ser meus :)

muitos, muitos, muitos, muitos sorrisos, alegrias e alimento para a alma nesse 1º semestre!!
repito: há males que vêm para o bem :)

fantástico!

"era um garoto de 24 anos, que mal falava inglês....mas regia como um animal (no bom sentido)..."

como eu gosto de você, dudamel.
eu e toda a filarmônica de los angeles!

tocar com um maestro assim é outra história...

17.1.12

não dá pra dormir...

bom, depois de uma noite dessas, é difícil desligar o cérebro...

eis a razão:

exemplo 1:



exemplo 2 (ó, céus!):



exemplo 3 (além de tudo, é educador musical!!!!):



deu pra entender, rs?

ó bobby, agora pára de passear pela minha cabeça.
tá na hora de zzzzzzzzzzz.

:)

concerto #1, kennedy center: bobby mcferrin



e foi uma grande, grande estréia.

primeiramente, concerto de graça.
feriado nacional americano, celebrando o lendário martin luther king jr.
chegamos cedo, fila grande para pegar os ingressos (grátis) e fila grande para entrar. 
excesso de segurança: cães farejadores, raio x, blá, blá, blá...

achei estranho...
entramos, sentamos.

quando todos estavam acomodados, abriu-se uma porta no meio da platéia, e uma fileira de jornalistas e fotógrafos entra, e se posiciona de frente para os fundos da sala de concerto.
estranho.

todos viram pra trás...
o que é isso?

de repente, irrompe uma forte ovação!
ah! era o presidente obama e a primeira dama, que também vieram assistir bobby mcferrin e o coral da georgetown university.



aí entendi a loucura da segurança...
passado o "frenezy", fala daqui, discurso d'áculá...

entra o bobby.
uma cadeira no centro, rodeada de quatro caixas de retorno.
um microfone de mão.

só.

ele senta e CAAAAAANNNNTTTAAAA!!
ó céus, aquilo não é humano.

canta, faz o público cantar, manda e desmanda, desce do palco, anda no meio da platéia, silencia os aplausos em hora errada...canta, rege, canta...


deixa minhas impressões pra lá. 
não dá pra descrever...

o ítem 1 da minha "listinha" já recebeu uma marca assim, ó: √
e que estréia :) :) :)

ps: teoricamente,  fotografias são proibidas....ppppffffff!! hahaha!