
3.6.10
n.33

a título de protesto
2.6.10
para,

quando abro um livro, a dedicatória é algo que geralmente me emociona.
«Para John Dillinger, na esperança de que ele ainda esteja vivo.»Dedicatória de William S. Burroughs (1914-1997) no poema A Thanksgiving.
«Além de não andar bom de saúde, estou sem cheta. E imperador por imperador, monarca por monarca, tenho em Nápoles ao grande conde de lemos que, embora eu não ostente graus nem diplomas universitários, me mantém, me ampara e me faz mais mercês do que as que posso apetecer.»Miguel de Cervantes (1547-1616), segunda parte de Dom Quixote de La Mancha (1615).
«Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.»Machado de Assis (1839-1908), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).
« Para Antônio Cândido, com a mão estendida para a amizade» Vinicius de Moraes (1913-1980), Antologia Poética(1945).
a musa dele.

1.6.10
só acontece em DC
28.5.10
sábado

O sol acabou de se esconder. Pela minha janela, vejo apenas os reflexos de luz entre as folhas verdes, bem verdes.
Ainda é verão. Faz calor, é quente. É bonito. Tem sol, tem céu, tem azul.
Os pássaros ainda aparecem na varanda. São sempre famintos. Por isso, raramente fogem quando alguém se aproxima. São dóceis.
Mas eu gosto mesmo é dessa janela do meu quarto. Vejo folhas, vejo luz, vejo verde, ouro, amarelo, laranja ou qualquer outra cor que o sol escolha na hora de se esconder.
Já me dá uma saudade precoce desse cenário.
É bom só ficar deitada no colchão, despretenciosa, despida de qualquer ansiedade, qualquer pensamento. Só observando a dança das folhas outrora verdes, agora douradas. Amo quando são douradas. Iluminam meus olhos, meu fim de dia, minha alma. São tão lindas que mesmo quando a noite chega com toda a sua escuridão, parecem brasa fraca, um fogo que vai morrendo, muito rubro.
O sol vai descendo, descendo. O dia vai dormindo; e desse sono, nasce o sábado.
Agora a escuridão é completa.
Ele chegou.
27.5.10
sobre ontem a noite.

e tantas outras canções lindas, e tantas outras interpretações lindas...
tanta conversa, tanto diálogo, tanta compreensão musical!
pra completar, assistir música boa ao lado de quem é músico torna tudo mais redondo :)
foi bonito.
pra começar o dia.
26.5.10
30.5.10

essas são as amigas.
25.5.10
comprei :)
A recusa ao virtuosismo; o gosto pelo detalhe; a construção dos longos arcos que constituem as melodias características dos noturnos; o entrechoque do acompanhamento aparentemente imutável da mão esquerda, com frequência em tapetes de arpejos, e o rubato aplicado com extrema parcimônia no fluir da mão direita; o timbre brilhante e cristalino que extrai do piano – todos esses são atributos que fazem desta gravação um modelo e referência (e olhem que há centenas de registros dos noturnos, incluindo leituras iluminadas como as de Rubinstein, Arrau, Ashkenazy, Maria João Pires, Barenboim e Pollini, entre tantos outros).
Quem sabe a maior qualidade desta versão de Nelson Freire seja o equilíbrio. Ele jamais descamba para o sentimentalismo barato que acomete mais de um dos ilustres citados; nem se deixa arrebatar tentando acentuar coisas que não existem nos noturnos, tal como a virtuosidade, por exemplo. É por causa dessa ambivalência que essas peças são até certo ponto desprezadas no conjunto da sua produção pianística, tidas como meros produtos de consumo, destinados às moçoilas bem-nascidas dos salões parisienses e às casas que em cada vez maior número compravam o seu próprio piano. Peças musicais fáceis, simples, destinadas a amadores.
Chopin criou temas ao mesmo tempo raros e naturais, para um gênero efêmero, destinado a não viver mais do que algumas semanas ou meses como peças favoritas nos salões parisienses. Transformou pecinhas de consumo em seu laboratório de experimentação para gêneros mais ambiciosos, como os scherzi, as sonatas e a barcarola. Como Chopin, Nelson também possui um toque ao mesmo tempo raro e natural.
24.5.10
na quarta-feira..
e a ele tb..
e ele também!!
os três juntos.. :)
dps eu conto como foi..
e viva a vida na metrópole !!!
universo-congonhas

Despacho minha mala e sigo ao telefone, rumo à sala de embarque.
E brasileiro é engraçado: a televisãozinha anuncia que o vôo está em solo e o embarque se dará dentro de instantes, e sempre tem um ansioso que já fica em pé, na fila, prejudicando seu sistema circulatório e agravando as varizes nas pernas...tenho pena!
Fico sentada, ainda ao telefone, até que todos os passageiros estejam dentro do avião. Quando ouço "Senhora Laura Morena, está é a última chamada para o vôo ...blábláblá" então é que me levanto, desligo o celular (viva o tim infinity!!..rs) e vou. Tudo isso para não ter que esperar em pé dentro da aeronave, até chegar ao meu assento que, geralmente, é o último.Isso tudo envolve uma tremenda matemática.
Hoje, calculei errado! Foi chegando dentro do avião que me dei conta desse lapso: muita gente em pé ainda, "acomodando seus pertences nos compartimentos acima dos assentos".
Vou andando pela estreita passarela a passos de noiva , com todos os outros passageiros adiantados, sentados a horas, lançando-me olhares dissecantes....nem ligo!
Os pertences de mão pendurados em meus ombros são volumosos e esbarram em cada assento durante minha peregrinação até a outra ponta do avião. Gente se apertando, gente parando o trânsito desse corredor porque sentou-se no assento errado, crianças chorando....uma festa!!
De repente, acontece o que faltava: um comissário comete a infelicidade de tentar andar na contra-mão. Decisão nada prudente!!! Eu assisto o seu espesso corpo entalando pelo caminho, de passageiro em passageiro.
Ele se aproxima e eu já começo a rir. O corredor é estreito, e minhas duas bolsas penduradas em meus ombros são volumosas. Bingo! O comissário pára ali mesmo!
Num esforço sobre-humano, ele consegue se desvencilhar das garras das minhas bolsas, que insistiam em persegui-lo. E eu, lacrimejando de riso! Novamente, os olhares se voltam para mim e eu desfilo pelo avião rindo como se tivesse ouvido a melhor piada já contada.
Ao longe, avisto meu assento. O último do avião e uma poltrona no meio de outras duas. Os compartimentos de bagagem estão todos lotados e já não há mais lugar para os meus pertences...
O senhor da poltrona do corredor se levanta e quase que num ato heróico, eu consigo me assentar!
Daí, percebo que me assentei em cima do cinto de segurança do senhor do lado.
Me levanto com toda a parafernalha das bolsas, acho o cinto e me sento novamente, com uma bolsa nos pés e outra no colo. Os últimos assentos do avião não são reclináveis...
E assim, eu decolo.
Já já, chego em Brasília!
Fim de semana de muita música.
Amanhã a noite, tudo de novo....
Eu volto, e o "universo-congonhas" me aguarda novamente.
:)
23.5.10
estrela, estrela!

1.5.10
post bobo pra descontrair
22.4.10
esta cena...

19.4.10
Impromptu op.90, n. 1
object width="480" height="385">
10.4.10
os meus
23.3.10
Die Moldau

texto escrito enquanto eu ouvia "Die Moldau", composição orquestral de Smetana.
a noite já dormiu, e meus olhos não fecham.
dentro de meu corpo, sinto um milhão de sensações. sinto música que não sei exprimir ou explicar. sinto uma saudade do que ainda não tive, e sinto um amolecer macio, um misturar de todas as sensações possíveis.
vontade de viver da escuta, da poesia e do belo. vontade de viver da pena e do pergaminho, livrando minha mente dessa melodias que tanto me rondam, e se recusam a me largar. sinto um prazer desmaiado, entregue. um levitar parado, que transcede qualquer tentativa de explicação de êxtase. sinto a estranha delícia oriuda da mistura da boa e amarga solidão.e meus olhos vão fechando, mas não por sonolência. fecham por não conseguirem suportar esse meu desmanchar interior. fecham para acompanhar o resto do corpo e serem tão internos quanto qualquer outra parte mim. fecham-se para impedir a entrada de qualquer elemento que não pertença a esse momento de beleza. e um sorriso se esboça. um sorrir que é só lábio. as notas me embalam, e dançam comigo. e eu danço e danço solitária. os olhos fechados agora equilibram algumas gotas que ameaçam despencar. e é como se um rio imenso corresse por minhas veias com suas águas hora corridas, hora plácidas. e nesse andar, eu sou parte das correntes, misturando-me nessa cadência. meus pés se apertam, pois não pisam. eu suspiro baixinho, e meu lábios novamente se contraem amordaçando um riso de mim. lembro da ponte e do vlatava. vontade louca daquele afago e daquela brisa gelada de fim de inverno. vontade do chão de pedras pequenas e vontade de olhos bem abertos,desesperados, sem saber exatamente como fixar pra sempre na lembrança um momento de beleza tão sublime. saudade daqueles braços abertos, e da sensação de estar no topo do universo, sem mais niguém. e as águas continuam a correr, incansáveis. minhas mãos acompanham as nuances melódicas do rio, e a mente relembra a brancura dos tchecos, pálidos e de feições congelantes, assim como as correntes que a pouco escorriam.
eu preciso voltar a Praga, antes que me afogue nessas águas que a todo instante me inundam os pensamentos.
12.2.10
sala de embarque

28.1.10
a chácara.

Escuro

As luzes se apagaram. A treva absorveu rapidamente as conversas, os rumores, a elegância e as faces.
Uma cobertura densa e negra apagou os olhares que agora, geravam agitos de gente sem saber para onde ir ou para onde olhar.
Anoiteceram as palavras.
Escureceram-se as falas.
Tudo silenciou.
Estava escuro.
(texto escrito depois de um apagão numa ambiente público e festivo.....sem saber o que fazer e em meio a escuridão, eu quis testar uma caneta nova, mesmo sem ver um palmo a minha frente.....portanto, as palavras disseram pouco....o que valeu foram os rabiscos.)
25.1.10
meu scherzo chopiniano favorito..
o tempo e o vento
fim das férias.
11.1.10
2010 chegou

18.12.09
o primeiro.

17.12.09
dicas
11.12.09
cantinhos

1.12.09
:)

50 anos sem villa-lobos

23.11.09
relatos silentes

14.11.09
seconde
só a título de esclarecimento
5.11.09
dias paulistanos

2.11.09
hoje
30.10.09
sergipanas

Joana anda solitária por calçadas nordestinas. A tarde cai, e os raios estirados de sol avermelhado invadem o lado esquerdo da ruela e todos os seus adendos. Ela anda em contraste com os nativos. Tem passos apressados, curtos e precisos.
A calmaria de Aracajú a impressiona a todo momento. As conversas são mais lentas, os fazeres, os dizeres, os abraços, os sorrisos e conseqüentemente, os passos. O ar é úmido e espesso e ela ainda lança mão de algum esforço para sorvê-lo. Os rostos que contempla são todos bronzeados, luminosos e marcados por umas experiências que Joana não descreve mas compreende. O falar é simples, arrastado, manso e incrivelmente alegre. As ruas de calçamento antigo abrigam prédios ainda anteriores ao pavimento, com paredes que aqui ou lá estão por ser refeitas, mas o esboço da arquitetura barroca é imutável. Ela se encanta. E a praia fluvial a contempla azul e sonora.
É quase noite de domingo e Joana andarilha silente, sentindo uma placidez de alma que desde os tempos de infante não sentia. Pensa uns escritos que logo fogem a memória recente e em seguida pensa outros versos, que novamente se vão com a brisa morna da noite que chega.
A vontade é pular no falso mar, molhar o corpo, bronzear a pele marcada e limpar os pensamentos antigos, velhos, guardados. Deixá-los lá; de vez e para sempre. Sentir o secar da água nos braços nus e fechar os olhos enquanto as últimas gotas escorrem pelo rosto impermeável. Sorrir um riso livre, cego , sem se preocupar com os expectadores. É desse banho que Joana precisa. E depois dessa breve contemplação e do encontro com o imaginário, Joana volta ás calçadas antigas, andando um andar barulhento, que ecoa na praça deserta.
A noite caiu. Os jardins parecem acordados e escondem os segredos da cidade velha. Assistem aos passos agora apressados. Ela tem um medo breve. Não absorve o que pensa e apenas corre.
Avista o hotel.
E de volta ao quarto refrigerado, volta a realidade sulista, que definitivamente, não a instiga a pensar e a sentir. Não importa. Joana ainda tem cinco dias. Sergipe ainda tem muito a oferecê-la.
E outros fins de tarde se repetirão.
Talvez o banho até aconteça.
irresistível

21.10.09
100 sonetos de amor

ps: parece que o blogspot não é muito fã das publicações poéticas, então não obedece aos meus comandos de separação dos dois quartetos e dois tercetos, próprios do soneto. Dessa forma, eu peço desculpas pela gafe estética e peço que o leitor faça as devidas divisões estróficas ao ler......hehe.
...
15.10.09
--
13.10.09
"quase tudo"
12.10.09
uma página já basta

30.9.09
paciência

ultimamente







