18.1.11

ferreira gullar


o edson sempre me falou dele.
e eu sempre respeitei, ouvi. mas nunca fui atrás.

mas ferreira foi capa da revista BRAVO! de outubro de 2010 (acho que até postei aqui sobre esse exemplar..)
ontem, ao som da chuva da madrugada, resolvi reler a matéria.

a primeira frase que li foi: "fiquei seis meses tomado por um poema. isso nunca havia me acontecido antes".

sinceramente, eu nem tenho o que dizer. só por essa frase, deu vontade de comprar todos os seus livros.

vou somente colocar aqui um poema que ele escreveu por ocasião da morte de clarice lispector:

-----------
Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão do teu olhar soterrado resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós

"eu triste com a morte de clarice, e a natureza pouco ligando".
------------

é caso urgente. preciso de pelo menos um livro.
resolvo isso logo!

los lunes al sol


férias!
o que seria de mim e da minha arte sem elas? rs!
nada de horários, muita música, piano e filmes todos os dias.

"segunda-feira ao sol", como é chamado em português, foi o filme de hoje (filme espanhol de 2002, dirigido por fernando león de aranoa).

novamente, um filme digno de um post aqui no blog ( e eu já vou avisando que esta semana, estou prestes a assistir alguns filmes que merecem posts aqui).
uma análise bonita, sincera e até divertida da desgraça da vida real.
é sutil, as atuações são i-m-p-e-c-á-v-e-i-s. tudo cheio de sensibilidade.

ontem, quem me acompanhou no "amores expressos" foi o matheus siqueira. hoje, foi a dani.

lindo, lindo!

a quarta ballada

faz três dias que assisto esse vídeo quase sem parar.
é verdade! já foram muitas vezes.

eu relutei em colocar aqui por ser longo, e tal...

mas é o primor, do primor, do primor do que se pode fazer com uma obra de chopin (que já é um primor na partitura)...

quando conheci os quatro scherzos de chopin, o primeiro pelo qual me apaixonei foi o 4º. e até hoje, é meu favorito.
conheci as balladas algum tempo depois. a 1ª me ganhou de cara, mas não por muito tempo. depois do concurso chopin 2010, tudo mudou.
a ballada número 4 tornou-se a minha preferida sem sombra de dúvidas.

e foi por causa dele. o que ingolf wunder conseguiu fazer com ela, nessa apresentação em especial, foi algo a ser lembrado, assistido e re-assistido.

pra mim, os pianíssimos e os rubattos que ele fez nessa performance são únicos. tudo absolutamente original, pessoal. é quase uma confissão sobre o teclado.
que coisa impressionante!

não aguentei. mereceu um post ;)

17.1.11

madrugada


3:01 am, e da minha varanda ouço o toque de um telefone de um prédio relativamente longe do meu.
estará o dono adormecido? viajando? ou mesmo sem vontade de atender? será uma emergência familiar?

parou um pouco, e agora toca novamente.
é quase fantástico ouvir tão claramente esse toque na grande e barulhenta são paulo, que dorme num silêncio incrível.
será que alguém, em algum prédio, consegue ouvir a ballade n. 4 que ando ouvindo?

queria poder tocar piano nesses horários.
é uma pena essa lei do silêncio depois das 10 (rsrsrs!)

quem sabe no dia em que eu tiver uma casa grande, com uma sala ladeada por paredes de vidro, de frente para uma lagoa ou riacho, eu fixe meus horários de estudo de piano sempre depois das 2 da manhã. a inspiração é outra...

como já é tarde mesmo, vou arriscar um sono.
e agora, o toque do telefone deixou de ser bonito e começa a ser irritante.

já é a 5ª tentativa.
será que o interlocutor não entende que madrugada é hora de dormir?

;)

amores expressos


hoje, de uma forma inusitada, urbana e absolutamente ótima, eu assisti pela primeira vez este filme.

meu contato com o cinema chinês sempre foi mínimo. eu semi-assisti um filme de 1954 (semi-assisti porque nunca terminei de vê-lo). e só.
mas, hoje meus horizontes se abriram, e tive a felicidade de assistir amores expressos. esse filme de 1994 é considerado a obra-prima de seu diretor, wong kar-wai!

um humor fino, basicamente todo filmado com cenas externas e com câmera de braço. uma produção despojada. além de tudo, é ultra sensível!

o rodrigo carreiro, em sua crítica escrita para o cine repórter, definiu o filme como "um singelo e espontâneo estudo sobre a poesia do dia-a-dia."

esse foi um daqueles filmes que eu terminei de assistir com vontade de assistir de novo, ali, naquele momento!

resumindo: recomendo.

14.1.11

um noturno para a noite

um noturno me embalando na noite pernambucana.

o ano chopin acabou (2010), e o ano liszt/mahler começou (em 2011 comemora-se 200 anos de nascimento de franz liszt e 100 anos da morte de mahler)...

e já meu deu um saudosismo, uma nostalgia.
o ano chopin foi um ano bom.

hoje, passei a noite ouvindo suas balladas, noturnos, mazurkas.
acho que vou fazer uma série aqui no blog das minhas obras favoritas.

porque depois, mergulharemos no mundo "lisztiano"...

fica aqui o noturno op. 9, no. 3, tocado por um dos finalistas do concurso chopin 2010 (sim, é aquele que tem 18 anos..e uma alma profunda!!)

boa noite ;)

12.1.11

por onde anda ela?


sinceramente, eu não sei muito curtir o ócio.
adoro hibernar, mas quando acordo, preciso de algo pra fazer.

então, hoje, olhando para as belas águas claras de maragogi, me peguei pensando: por onde anda yulianna avdeeva, a minha favorita e vencedora do concurso chopin 2010? muitos disseram que a pressão de ser a 2ª mulher a ganhar o primeiro lugar na história do concurso (a primeira foi martha argerich) seria muito grande e por isso, ela não suportaria. outros até falaram que talvez, os outros pianistas que não ganharam o 1º lugar pudessem brilhar mais que ela, quando voltassem à vida real (quem falou isso foram aqueles que tinham ingolf wunder como favorito durante o concurso...)

de fato, é um prêmio de muito prestígio, de muita exposição.

fui pesquisar.

bom, depois de sua vitória, já deu um concerto em new york, um recital no queen elizabeth hall em londres, deu um concerto em tokyo sob a batuta do famosíssimo e aclamado maestro charles dutoit, fim de semana passado deu dois recitais em taiwan, depois ainda vai fazer uma turnê na china, tocará em stuttgart, praga, são petesburgo, frança (no aclamado festival de piano, la roque d'anthéron, onde a martha argerich e o nelson freire tocam todo ano)... sua agenda está cheia,e não somente isso. está cheia de compromissos de prestígio. o link da agenda dela é este (caso algum leitor queira assisti-la).


com estas informações, eu cheguei a uma conclusão:
ela está bem! muito bem ;)


ps: ao clicar nas palavras em negrito, você poderá ler o que a crítica achou de cada concerto que ela deu, nos respectivos lugares. bem interessante dar uma lida, principalmente no de londres :)

um dia, a minha vai ser assim....


por enquanto, ela ainda e assim:


... mas eu chego lá!

puro capricho - será?


uma vez, lendo uma biografia de Mahler, descobri que o compositor tinha uma casa à beira de um lago, e para que ele pudesse compor em paz, ainda construiu um pequeno casebre, bem pertinho da água, longe da rua. assim, nenhum barulho atrapalharia seu processo criativo. às vezes, quando crianças brincavam na rua, sua esposa ia desesperada até elas, pedir que brincassem "mais baixo". seu marido precisava de silêncio.

eu li isso e achei um exagero.

mas essa semana, entrei no blog do samuel krähenbühl, e li algo interessantíssimo.
resolvi colocar aqui. esse trecho abaixo me mostrou outras coisas e me abriu os olhos.

"Não há como escapar de interligação na experiência musical, mesmo quando os compositores tentam se isolar do mundo exterior ou controlar a reação a seus trabalhos. Talvez os compositores jamais se equiparem às suas contrapartes populares no impacto imediato, mas na liberdade de sua solidão podem comunicar experiências de intensidade singular. Desenvolvendo grandes trabalhos, empregando forças complexas, atravessando o espectro que vai do ruído ao silêncio, eles mostram a forma do que Claude Debussy chamou certa vez de um "país imaginário, o que significa que não pode ser localizado no mapa".(Alex Ross em O Resto é Ruído - Escutando a Música do Século XX)


•um dos três refúgios de composição de mahler

•a vista!

•seu piano.

hoje, acabo achando que mahler tinha razão.. ;)

falando nele, o ano de 2011 é o "ano mahler", pois nele comemora-se 100 anos da morte do compositor. muitos concertos na sala são paulo com sinfonias dele em função disso....VIVA!


fotos tiradas daqui.

11.1.11

a lista de schindler - música

eu twittei hoje que a trilha sonora do filme "a lista de schindler" é de matar de tão linda.
choro rios só de ouvir.

e nunca assisti o tal filme.

eu sei, eu sei!
pretendo reparar esta falha nessas férias ainda, mas preciso ir me preparando psicologicamente, porque de acordo com o poço de sabedoria do jayme, "no dia em que eu ouvir tais músicas emoldurando as cenas para as quais foram feitas, provavelmente riachos correrão por minha face"! (dei uma adaptada na frase para o plural, jayme... rs!)

pura verdade.

por enquanto, fica o meu encanto pela música.

no vídeo, o itzhak começa a tocar em 0:52. não é uma performance impecável, é verdade. mas cheia de sentimento!

enjoy ;)




9.1.11

estudo n. 9 de chopin


nem sei quando foi isso.

mas nesse dia, resolvi mergulhar no armário mágico de partituras da profa. ellen (encontra-se de TUDO por lá, absolutamente tudo! e são partituras originais, de edições confiáveis, não esse oba-oba de partituras baixadas da internet, que sabe-lá-quem editou/postou), a minha última professora de piano, e procurar um estudo de piano (op.10) de chopin para agregar ao meu repertório daquele semestre.
difícil né? são todos difíceis,rs!
já tinha ouvido o Nelson tocar o estudo n. 9 em algum lugar, não sei quando. e eu tinha a lembrança de ter me emocionado mesmo com esse contato tão rápido com a peça.

estava escolhido. ia ser esse mesmo.

e estudar em conservatório é uma beleza. um troca-troca de informações incrível. eu adorava olhar pelos vidrinhos redondos meus amigos estudarem. e ficava ali por minutos, observando sem ser notada. quando eles me viam pelo reflexo do piano, eu corria pra longe..rs! as vezes, quando o amigo era muito amigo, eu entrava e assistia tudo.

pois bem! nesse dia, saí da aula feliz, cantarolando com meu estudo escolhido. e atípicamente, nem contei a ninguém.
os dias se passaram e meu repertório ficou meio extenso, cheio de músicas desafiadoras.
eu acabei deixando o estudo n. 9 de chopin pra depois. mas certa de que ele seria estudado em breve.

semanas depois, conversando com uma amiga que se preparava para dar um recital, descobri que ela havia ACABADO de escolher o estudo n. 9 de chopin para estudar. ai, que saia justa! e que raiva! mas era minha amiga... falar o quê? "não, não estuda! ele é meu! eu só não vou estudá-lo agora, mas é meu!" ridículo, no mínimo. engoli seco e olhei pra partitura que ela segurava nas mãos, a mesma que eu havia escolhido semanas antes. olhei com um olhar de posse. eu havia escolhido, o estudo já era meu....
bom, depois desse acesso de egoísmo, eu larguei o caso. a música esta aí para ser estudada por quem quiser, e pior, a nossa professora era a mesma.
ela treinou, treinou e tocou o estudo lindamente, claro!

mesmo tendo tomado a decisão de postergar o estudo dessa obra, eu resolvi comprar um cd que contivesse uma gravação excelente desse estudo, para ouvir, analisar e beber de uma fonte confiável antes de mergulhar propriamente na prática efetiva.

e comprei esse disco aí da foto.
mas o fato é que ele contém muito mais do que apenas o estudo n.9.

eis a trilha:

01. 12 Etudes, op.10 - No.1 (Allegro) C major
02. 12 Etudes, op.10 - No.2 (Allegro) A minor
03. 12 Etudes, op.10 - No.3 (Lento ma non troppo) E major
04. 12 Etudes, op.10 - No.4 (Presto) C sharp minor
05. 12 Etudes, op.10 - No.5 (Vivace) G flat major
06. 12 Etudes, op.10 - No.6 (Andante) E flat minor
07. 12 Etudes, op.10 - No.7 (Vivace) C major
08. 12 Etudes, op.10 - No.8 (Allegro) F major
09. 12 Etudes, op.10 - No.9 (Allegro molto agitato) F minor
10. 12 Etudes, op.10 - No.10 (Vivace assai) A flat major
11. 12 Etudes, op.10 - No.11 (Allegretto) E flat major
12. 12 Etudes, op.10 - No.12 (Allegro con fuoco) C minor
13. Barcarolle, op.60
14. Piano Sonata in B flat minor, op.35 - I. Grave - Doppio movimento
15. Piano Sonata in B flat minor, op.35 - II. Scherzo - Piu' lento - Tempo I
16. Piano Sonata in B flat minor, op.35 - III. Marche funebre (Lento)
17. Piano Sonata in B flat minor, op.35 - IV. Finale (Presto)

para mostrar a minha extrema estupidez, eu coloquei em negrito a única coisa que eu ouvia.
passava pelas outras faixas como quem corre, sem dar atenção ao tesouro que tentava alcançar meus ouvidos viciados.

mas o tempo passa.
depois desses eventos, eu assisti o nelson tocando ao vivo, e num dos concertos, ele tocou a Barcarolle (faixa 13 desse disco). e depois disso, eu acompanhei o concurso chopin pela internet, e vi a Yulianna Avdeeva tocando brilhantemente a sonata em B bemol menor (faixas 14 - 17) desse disco....

e fui me apaixonando pelas peças desse disco separadamente, uma a uma.
ouvi uma porção de outras gravações e hoje, já canto quase tudo.
e elas me rodeando todo esse tempo, ganhando apenas o mínimo da minha atenção.
que vergonha!

escrevo isso tudo, porque hoje sentei pra ouvir esse disco.
e ouvi do começo ao fim. sem uma interrupção, sem pular nenhuma faixa, e realmente degustando cada peça.

cheguei a uma conclusão que me moveu a este post: a música cresce em nós apesar de nós mesmos.
é fantástico. eu que sou musicista, que vivo de ouvir, demorei uns 3 anos pra ter maturidade musical para ouvir esse disco como ele deve ser ouvido. e nem digo nada do futuro!

como estarão meus ouvidos daqui 10, 20 anos?
não sei.
mas sei que redescobrir o que a gente acha que já sabe é uma das melhores surpresas que a música pode oferecer.

pra finalizar, segue um vídeo do bendito estudo n. 9 , que no fim das contas, eu ainda nem estudei.

ps: é lindo! vale a pena ;)


pps.: quem toca é a valentina lisitsa. quem frequenta o blog já deve conhecer :)

RIM - Reencontro Imperdível: fotos e algumas notas particulares

foram 19 apresentações, 16 cidades.
e o mês de dezembro se fez de muita canção, de muito abraço, muito calor, muito peixe, muitos rios, muita floresta, muitos hotéis, risadas, muito carinho e muita unção.
o Senhor esteve conosco, nos protegeu, nos acompanhou.
é verdade que o cansaço e o desgaste foram grandes... mas fazer a obra de Deus é absolutamente recompensador!
ficou registrado só o mínimo pois como já mencionei em outras linhas, não existe como guardar emoção em papel e imagem. isso só se guarda em coração mesmo.
obrigada a todos que oraram e que participaram deste projeto direta ou indiretamente.
o disco "manhã" agora perambula pelo norte do brasil, original, nas mãos daqueles que compareceram.

e mais do que isso, pessoas se reencontraram e se entregaram novamente ao autor da nossa fé.
que o Senhor continue nos sustentando para fazer a sua obra com paixão e disposição.

;)

ps.: viajar com família é óóóótimo!!! ;)

pps.: clique nas fotos para vê-las em tamanho grande.






• dani cantando música do novo cd (que tá quaaase saindo)




• ele virá






7.1.11

sem foto

ontem presenciei uma das cenas de por-do-sol mais maravilhosas da minha vida:

o céu que era muito azul, agora exibia umas linhas borradas de laranja e lilás. e o fim do céu se confundia com o fim do mar que era verde claro.

um colosso, um espetáculo de cores e matizes.
se eu olhava para o leste, tudo era cinza. se olhava para o oeste, era ouro, ouro vermelho de doer o olhar.

um pescador prendeu seu barquinho branco e verde perto da praia, e as ondas largas e suaves faziam-no dançar.

nenhuma foto fui capaz de tirar.
de maravilhamento.
tem coisas que a gente guarda na memória e pronto. é mais vivo do que o registro material.

e de repente, as cores foram escorrendo por cima das palmeiras debruçadas e se esvaindo.
e foi ficando escuro.

e o mar estava pronto. ao me despedir, caiu a noite.
agora, um risco fino e arredondado iluminava pouco aquelas águas outrora reluzentes.
tudo era calmaria, e eu vi.

o mar adormeceu ;)

das coisas mais lindas que alguém pode presenciar:


minhas belas manhãs de verão em nada se assemelham com esta cena.
mas é lindo, e eu não me canso de olhar.
o amanhecer é bonito em qualquer estação.

6.1.11

pra 2011...


esse ano eu compro uma...

talvez um pouco menor do que essa , rsrsrsrs!

5.1.11

sonata waldstein

mais uma pérola de alguém que gravou a obra completa de beethoven para piano:

"Between Haydn the explorer and adventurer, and Schubert the sleepwalker, I see both Mozart and Beethoven as architects. But how differently they build. From the beginning of a piece, Beethoven places stone upon stone , constructing and justifying his edifice as it were in accordance with the laws of statistics. Mozart, on the other hand, prefers to join together the most wonderful melodic ideas as prefabricated components."

aqui no blog, eu tenho falado exageradamente sobre schubert, moderadamente sobre mozart, raramente sobre beethoven e nunca sobre haydn.

a razão? predileção e momento musical, talvez.

mas, está aqui a sonata Waldstein, de Beethoven, para não deixar alfred brendel (o autor do trecho que mencionei) mentir. em termos de estrutura e inovação (pra época e pra forma) é absolutamente imbatível.
quando "descobri" essa sonata, ela foi rapidamente para o playlist do meu ipod. e eu cheguei a colocar a faixa para repetir. era muita informação e não dava pra assimilar ouvindo uma vez só!

como diria meu professor de masterclass na faculdade: "dá pra ver que é beethoven até debaixo d'água!"

enjoy!



ps: será que tenho falado muito do nelson? hahahaha!

contos de fadas


que tipo de adulto lê contos de fadas?

bom, esses dias eu tive a curiosidade de saber como foram escritas originalmente as histórias que a gente sempre ouviu.

comprei na livraria cultura esta compilação traduzida (claro! - infelizmente).

e cheguei a uma conclusão: se as crianças de hoje conseguissem ler e compreender esses contos, o mundo seria mais feliz!
não que sejam escritos de forma rebuscada, mas não é uma linguagem usada para crianças nos dias de hoje. frases construídas usando um mínimo de lógica e arte, coisa que REALMENTE não se usa nos livros infantis hoje em dia.

e pra ser bem sincera, eu nem sei o porquê.
com certeza, não é por déficit de inteligência, porque a maioria das nossas criancinhas tem bastante conhecimento na área tecnológica desde a mais tenra idade. pude ter bastante certeza disso quando um dos meus alunos de jardim de infância apareceu na escola com um ipad! e quase mexia melhor do que eu...
é verdade que no século XVIII, XIX (quando estes contos foram escritos), não havia nada disso. a leitura era O entretenimento.

bom, é habito mesmo.
triste...

achei isso tão triste que isso foi tema do meu tcc de letras...

o bom é que esse não é o primeiro livro de clássicos que compro.
na minha ainda "mini" biblioteca, já existe uma prateleira reservada aos meus futuros rebentos.

por ora, esta serve a mim e talvez, aos meus sobrinhos (assim que eles forem alfabetizados...)

rs!

4.1.11

maragogi

foram 2 anos sem sol. dois anos inteirinhos.
uma enfermidade infantil me assolou tardia e voraz. deixou não só muitas marcas na minha pele, mas afastou de mim o sol que me faz ser a laura morena.

uma das últimas vezes que passei a temporada de veraneio na praia foi aqui em maragogi, al.
naqueles dias, eu ainda trabalhava nos rabiscos do esboço do meu disco e nem tinha todo o repertório.

ficamos numa casa simples, mas de frente para o mar.
lembro que uma das folhas da palmeira da orla até esbarrava na varanda do meu quarto. eu acordava com aquele cheiro de sal e areia que só as puras praias exalam.
naqueles dias, eu li "neve", de ohan pamuk, escritor turco que ganhou prêmio nobel de literatura em 2006.

a transparencia e o verde claríssimo do mar de maragogi fazem qualquer turista perder a vontade de conhecer o caribe, e querer explorar todas as praias da costa brasileira, que é tão vasta, tão imensa.
minha irmã estava grávida do seu primeiro filho e lia livros de orientações a novas mães...

mas maragogi se tornou tão especial para mim, porque foi aqui que eu, numa das manhãs de leitura da bíblia, escrevi o poema da música "o pedido de salomão". na época, era apenas um poema, e eu nem sabia que depois ele se tornaria música e faria parte do meu ainda embrionário disco.
foi em maragogi que eu, um dia, contemplando a água muito esverdeada, ouvi umas 40 vezes seguidas a música "manhã", na voz e no violão de joão alexandre, e decidi que ela não só faria parte do meu disco, mas seria a música-tema...

e assim, nesses dias ensolarados, o disco "manhã" foi tomando forma, foi se tornando uma obra, mesmo que eu ainda nem tivesse consciência disso.

depois de dois anos na escuridão das sombras, eu me reencontrei com o sol, com o mar, com a água salgada e a areia grossa de maragogi.
praia calma e escondida.

eu sempre preferi montanha à praia. e ainda prefiro.

mas o sol me fez falta.
viver no escuro é triste.
por isso, voltar a maragogi é tão especial...

é bom ver que minha pele combina com meu nome novamente ;)

29.12.10

a mazurka

é preciso ter uma certa moral para ser a solista do concerto do prêmio nobel.
nossa querida martha argerich, como sempre, deu conta do recado.

depois de uma DESLUMBRANTE performance do concerto para piano e orquestra em G maior de Ravel, ela agraciou a platéia com esse bis mais do que apropriado.

trata-se da mazurka de chopin n. 2, op 24.

meu TCC da faculdade foi sobre danças estilizadas, e a mazurka é uma delas.

numa breve explicação, a mazurka é uma dança tradicional de origem polaca, que era dançada em pares formando figuras e desenhos, em compasso ternário, tempo vivo e ritmo pontuado. ao longo da história da música, algumas danças deixaram de ser dançadas quando começaram a ser exploradas por compositores que compunham canções nos ditames da dança, mas para serem tocadas por instrumentos, e não para serem dançadas.

estas danças não "dançáveis" ficaram conhecidas como danças estilizadas.

chopin, que era polonês, resgatou a mazurka, compondo muitas delas para piano e popularizando a dança durante o século XIX. claro que ele adicionou toda a carregada carga emocional própria do romantismo, período ao qual ele pertenceu.

esta que será tocada abaixo é linda, linda.
curtinha, com caráter de dança aparente e absolutamente lírica.

e foi um bis inesperado.
martha geralmente não toca isso depois de seus concertos.

meus ouvidos agradecem ;)

ler, ouvir, escrever

olhei a hora: duas da manhã.

a noite foi cansativa, cantei, abracei..


e estou aqui acordadíssima.

a música me impede de dormir. é imperativa.

não sei se as horas da madrugada contém alguma magia, mas eu me sinto tanto mais musicalmente vulnerável dentro da noite profunda.


meu professor de história da música fez algo que mudou minha vida em termos de organização de aprendizagem musical durante o período da faculdade: entre outras coisas, dividiu em 3 categorias as atividades que os alunos deveriam realizar.

estas eram: ler, ouvir, escrever.

assim, à medida que avançávamos no estudo, obtínhamos uma sólida base de acúmulo de conteúdo (ler), contato efetivo com o produto da teoria (ouvir) e a oportunidade de produzir algo escrito acerca do que havia sido estudado (escrever) não só analisando a música em voga, mas emitindo nossas impressões sobre aquilo que havia sido absorvido.


que prática importante!

foi tão constante que, para mim, tornou-se um hábito que se perpetua, mesmo agora que já me formei.


porque a música é intrigante dentro ou fora da sala de aula.

a sede por entendê-la é o fator que nos leva a desenvolver os mais profundos níveis de sensibilidade e compreensão, que na maioria das vezes, sempre estiveram dentro de nós, ouvintes, perdidos em algum lugar.


esta compreensão torna o ato de “ouvir música” mais do que ter meramente um fundo musical enquanto se executa outra atividade qualquer.

dentro desta perspectiva, o ouvir é primordial, é o foco da concentração, como uma platéia contempla uma peça de teatro, ou assiste a um filme no cinema, reagindo ao drama, ao humor, à tragédia, ao medo, ao romance.


a música é tudo isso. mas sua mensagem é tão mais subjetiva que rapidamente elimina dos ouvintes preguiçosos o privilégio de compreendê-la. degustá-la própriamente exige atenção, e mais que isso, exige uma alma profunda, com possibilidades de expansão.


e é exatamente isso que me manteve com os olhos bem abertos até agora. e não só abertos, mas ora marejados, ora apertados. eu ainda fiz pausas, corri para o livro, li análises e descrições, voltei a ouvir, e o que já era “bonito” e profundo intuitivamente fez sentido teorica e estruturalmente. uma engenhosa arquitetura, tão complexa e tão bela.


não faz muito tempo, quando comecei a ensinar música, me deparei com uma grande fatia da sociedade que não sabe e nem quer aprender a ouvir música. esta tornou-se passatempo, e não arte. isso me perturbava profundamente. mas com o tempo foi que entendi que encontrava alunos avessos à música em geral, sobretudo a clássica, não porque ela seja desinteressante, mas porque não compreendiam suas nuances...


esse se tornou meu alvo e minha premissa: antes de qualquer outra coisa, a primeira lição é desvendar a arte de ouvir.

quando essa cortina se abre, a curiosidade se encarrega do resto.


foi exatamente o que aconteceu comigo.

esta noite, sem que eu percebesse, passei voluntariamente pelas 3 categorias do professor jetro.


apesar de não ser sobre a música que ouvi a pouco, este texto materializa a terceira delas :)

28.12.10

a casa do tom



comprar os presentes de natal dia 23 de dezembro tem suas vantagens: faz-se tudo com objetividade. não há tempo para meandros.

combina comigo.

numa passagem rápida pela saraiva ( e minhas passagens tem de ser rápidas sim, caso contrário, eu compro a loja inteira) já a caminho do caixa, eu me deparo com este belo documentário.

o ato de colocá-lo na cesta de compras foi quase mecânico, imediato. trata-se do registro mais fiel à essência desse músico brasileiro.

"quando nos mudamos para a casa nova, a única preocupação do tom era o piano"
(ana jobim)

o melhor presente de natal que eu poderia dar a mim mesma.

1946

"after the war, people didn't care for money, they thought things could only get better...
I look at those days with affection". (a.b.)

é quem vive que diz coisa assim.

num tempo onde as boas intenções e a sinceridade são produtos escassos e raros, o suspiro saudoso liberta a nostalgia presa num sorriso antigo, de quem viu dias antigos e permaneceu para presenciar os dias de hoje.
mesmo eu, filha do morrer do século XX, cria dos dias modernos, me estendo a esta compreensão.

é com dificuldade que tento organizar meus pensares e falares.

para onde foi esta singeleza de vida? dias em que as crianças eram educadas ao pensamento e à sensibilidade; a arte e a música, irmãs da sociedade e não primas de 7º grau.
como resgatar esta reverência num tempo em que manuscritos mal sobrevivem?
falsidade seria dizer que não me utilizo de certos avanços. mas como esquecer o fundamental?
isso eu não poderia.

não há futuro sem passado.
nem há passado sem futuro.
dissipá-los é estupidez.

é certo que a minha saudade é rasa, adquirida.
pobre de quem viveu e vive.

só quem vive diz coisa assim.

25.12.10

do tuiu

meu irmão e seus presentes significativos.
me deu de natal 5 dos meus filmes preferidos....






o presente do meu amigo secreto ;)


bom, eu tirei o léo.

como estamos viajando juntos desde o começo do mês de dezembro, mostrei pra ele o documentário do alfred brendel e dividi essa minha admiração pelo pianista alemão.

assim, na hora de comprar o presente do amigo secreto, aproveitei o gancho, e dei pra ele o cd do brendel tocando as últimas sonatas de schubert. sobretudo, meu maior interesse era que ele ouvisse a sonata D. 960 (essa do vídeo abaixo), que pra mim, é uma das mais belas obras escritas para esse gênero e foi a última sonata escrita por schubert. curiosamente, foi a última peça tocada por brendel em sua última apresentação em público...

claro que eu não me aguentei e resolvi postar o vídeo dessa sonata pra todos os leitores terem a alegria de ver essa obra linda, linda. tem uma outra versão da maria joão pires tocando que também é muito boa, mas como o cd era do brendel, resolvi postar o vídeo do brendel ;)

schubert é schubert: sensibilidade, lirismo e beleza, MUITA beleza.

bom, e com esta canção, eu termino a minha noite de natal....


ps: eu também dei uma camiseta com o nº 7, pra o presente não ser tão, assim... musical ..rs!

now, xmas!




eu amo o natal.
só isso!

família reunida, comida gostosa, muitos sorrisos!

e jesus, jesus, jesus ( a minha vozinha deixa isso bem claro sempre...rs)

feliz natal pra todos os leitores do blog.....e um lindo ano novo ;)...

daqui a pouquinho, eu tenho que levantar, pra viajar pra manaus. amanhã a noite, já cantamos lá.....foi bom ter esses 5 dias de folga.

bom! é isso!
;)

22.12.10

primos segundos

a família está crescendo..

essa já é a segunda geração de priminhos....

ai, velhice :)

(a esquerda, vinícius, filho do meu primo andré. a direita, lucas, filho da minha irmã)

;)


hoje, depois de muitas atividades, fui à igreja do unasp - ec e me encontrei com o "meu"piano ...

toquei, toquei, toquei!
foi como revisitar um velho amigo.

eu só preciso aumentar meu repertório...rs!

2011 tá aí pra isso ;)


20.12.10

ameixa, uva - roxo, roxo!






é a cor mais bela.
é a minha cor.

algumas inspirações daqui.

masterclasses?

eu sei, eu sei.
como diria meu primo márcio: "now, i think you're a little obsessed"...rs!

mas eu sou uma curiosa. uma coisa fica enganchada na outra, e eu não consigo parar.

depois de postar sobre a premiação de brendel no gramophone awards 2010, eu andei assistindo uns outros vídeos do dito cujo, e descobri que agora, já que ele não toca mais em público, começou a das MASTERCLASSES.....

ai, papai noel!

em outubro, deu uma no new england conservatory, deu outra na yale em novembro, e em janeiro, vai dar uma outra em paris, dia 16, um dia depois do concerto do nelson freire na mesma cidade.

.....

eu prometo que sinto dor no coração.
é físico, e é de verdade....

ai!

vai aí um gostinho do doce ;)